segunda-feira, dezembro 31, 2007

Uma actuação de Siti Nurhaliza, belíssima diva da canção malaia

Os nativistas

Senghor dizia que a emoção é negra como a razão é grega. Senghor às vezes tinha ideias parvas. Um negro africano que é educado num ambiente intelectualmente estimulante onde se promove o espírito científico, que tem acesso a uma boa escola, pode tornar-se um especialista em física quântica ou nanotecnologia, e um grego ou americano ou sueco educado numa aldeia onde o único intelectual é o feiticeiro local pode vir a ser um brilhante dançarino e um excelente declamador de poesia tradicional. Há uns anos atrás (antes do acelerado processo de modernização de Portugal nas últimas três décadas), a vida de um camponês português era o trabalho duro não-mecanizado no campo, com intervalos para dançar o vira e rezar aos santinhos para que a colheita das batatas fosse boa. Era esperado que a vida do filho dele fosse semelhante.

Os movimentos nativistas como a negritude, de que Senghor foi um expoente, tinham subjacente a ideia de que o contacto com a cultura dos colonizadores corrompia e que o verdadeiro nacionalista tinha que ir procurar uma suposta “pureza” cultural nativa, intocada e magnífica, vinda directamente das raízes da mãe-terra, ligada aos rituais ancestrais. Em Timor o nativismo revelou-se no mauberismo, que exaltava aqueles que, ao contrário dos “assimilados”, tinham supostamente conseguido não ser conspurcados pelo colonialismo. O mauberismo produziu pouco em termos literários, alguma coisa ao nível da chamada “poesia de combate” (má, na maior parte) e algumas cantigas políticas. Mostrou-se contudo muito produtivo como forma de propaganda política e mobilização, e nalguns sectores a sua influência continua até hoje.

Porém, nesta época de marketing new age, em que muita gente anda à procura de “autenticidade” e de “culturas e práticas medicinais milenares”, e outras coisas que tais, Portugal também exporta malais nativistas para Timor. São uma espécie engraçada, querem tudo típico, pitoresco, e “realmente tradicional”: as roupas, o artesanato, a música, a comida... (Indignam-se se alguém lhes sugere que comam nasi goreng, por ser indonésio, e exigem katupa, que crêem “verdadeiramente timorense” – sem saberem que a palavra katupa é ela própria um antigo empréstimo lexical do malaio). Os nativistas acham que o bom nativo é o nativo “genuíno”, gostam que os indígenas sejam autênticos e ficam chateados quando os autóctones não colaboram.

Se em Portugal as suas filhas adolescentes vão à missa com roupas mais casuais eles aplaudem os sinais de abertura e modernização da Igreja Católica portuguesa que já deixou de impôr códigos de vestuário arcaicos e criticam jocosamente os comentários reaccionários da avó que lá na aldeia natal protesta contra a “pouca-vergonha” das netas, mas se as moças timorenses fazem o mesmo, os nativistas imediatamente barafustam em coro com as velhas locais que falam da degradação e da falta de dignidade das novas gerações. E, claro, denunciam os efeitos nefastos da globalização contra as culturas nacionais e locais. Como eles é que sabem o que é melhor para o futuro de Timor, nem se lembram de perguntar às jovens quais são as impressões delas sobre o assunto. Também não querem ouvir falar de guitarras eléctricas e afins na terra do crocodilo. No entanto, estes nativistas cá em Portugal não obrigam os seus rebentos a restringir o seu gosto musical às recolhas de cantigas tradicionais feitas por Michel Giacometti, e não pensam que os seus filhos fiquem menos portugueses por ouvirem Pedro Abrunhosa, ou Silence 4, ou Sex Pistols, ou death metal.

Os nativistas quando estão cá são gente bem-pensante, cosmopolita q.b., e riem-se do país atrasado e parolo dos “tempos da outra senhora”. Por exemplo, durante a ditadura salazarista a Coca-Cola era proibida em Portugal. Uma das razões era a protecção da viticultura (“Beber vinho é dar de comer a um milhão de portugueses”, dizia-se então), mas no livrinho de Maria Filomena Mónica “Os Costumes em Portugal” (um dos “Cadernos do Público”) cita-se uma carta de Salazar a A. Makinsky, responsável da empresa para a Europa, que mostra uma outra razão: «Sei perfeitamente que o senhor nada tem a ver com vinhos, nem com sumos de fruta e é bem por outra razão que – apesar das excelentes relações que mantemos, o senhor e eu, e que datam da época em que representava a Fundação Rockefeller e não sonhava sequer em fazer parte da Coca-Cola – sempre me opus à sua aparição no mercado português. Trata-se daquilo a que eu poderia chamar a ‘nossa paisagem moral’. Portugal é um país conservador, paternalista e – Deus seja louvado – ‘atrasado’, termo que eu considero mais lisonjeiro do que pejorativo. O senhor arrisca-se a introduzir em Portugal aquilo que eu detesto acima de tudo, ou seja, o modernismo e a famosa ‘efficiency’. Estremeço perante a ideia dos vossos camiões a percorrer, a toda a velocidade, as ruas das nossas velhas cidades, acelerando, à medida que passam o ritmo dos nossos hábitos seculares.» Os nativistas, que não hesitam em rejeitar as opções de Salazar que mantiveram o país como uma espécie de terceiro mundo dentro da Europa, também não hesitam em imitar o raciocínio do velho ditador quando falam da terra dos outros.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Anggun, uma cantora indonésia com sucesso internacional

Anggun é uma cantora indonésia que mora em França e conseguiu sucesso internacional, tendo já cantado em parceria com artistas de renome como Peter Gabriel. O seu sítio oficial na internet pode ser consultado aqui: http://www.anggun.com/indexFr.html


segunda-feira, dezembro 24, 2007

Texto antigo para copiar para outros blogues

Este é um texto originalmente publicado por duas amigas minhas - e ex-alunas - no jornal literário do Departamento de Língua Portuguesa da UNTL. Foi depois incluído por nós no nosso livro colectivo “O que é a lusofonia – Saida maka luzofonia”.


Lisensiatura kona-ba Lia-Portugés no Kultura Luzófona sira

Ita hotu hatene katak ita-nia nasaun iha lian ofisiál rua, tetun no portugés. Ne’e desizaun matenek husi ita-nia na’i-ulun sira, tanba hanesan ne’e timoroan sira ne’ebé seidauk hatene portugés mós bele komunika ho Estadu. Porezemplu, tia ida iha foho ne’ebé laeskola bele hakerek surat – ka husu ba ema ruma atu hakerek – uza de’it tetun no haruka ba Ministériu ida ka ba Tribunál kona-ba problema ruma ne’ebé nia hetan. Maibé ita mós hatene katak tetun sei tuir hela prosesu atu dezenvolve an, no lia-portugés maka nia belun istóriku no lia-portugés maka lian nasaun Timór Lorosa’e nian ne’ebé ita uza hodi hatene kultura aas. Ita seidauk bele lee ho tetun Mahabarata ka Odisseia ka testu sira husi Stephen Hawking ka António Damásio, Santu Agostiñu ka Karl Marx, Shakespeare ka Camões, José Saramago ka George Orwell. Ita seidauk bele uza tetun hodi koñese Literatura Boot husi mundu ne’e, ka hatene kona-ba siénsia foun oioin, no importante tebetebes ba intelektuál sira atu lee kona-ba buat hirak-ne’e hotu. Selae ita sei sai nasaun ida ke la iha matenek-na’in. No matenek-na’in sira de’it maka bele hatene porezemplu oinsá atu prodús eletrisidade, halo operasaun ba ema moras, ke’e mina-rai iha tasi-kidun, ka dezenvolve ita-nia ekonomia... Ita timoroan sei bele uza lia-portugés atu estuda kona-ba asuntu hirak-ne’e.
Tebes duni, ema barak seidauk hatene portugés moos. Tia husi foho ne’ebé ita temi tiha ona bele komprende fraze ida hanesan ne’e “Maria konta ke Domingu-Domingu, depoizde misa, avó bá merkadu halo kompras. Nia presiza kafé, repollu, pepinu, alfase, mostarda, agriaun, tomate, kouve, salsa, ervilla i senoura.” Maibé tia ida-ne’e la bele lee A última morte do Coronel Santiago, husi hakerek-na’in timoroan Luís Cardoso. Hanesan de’it tia mós bele ko’alia “bahasa pasaran” maibé nia la hatene lee Bumi Manusia, husi autór indonéziu Pramoedya Ananta Toer. Ema ne’ebé hakarak estuda atu hatene portugés moos iha oportunidade oioin. Labarik sira hotu oras-ne’e estuda ona iha eskola primária, profesór sira iha Dili no iha distritu tuir daudaun Baxarelatu atu aprende lian ida-ne’e, no foin-sa’e sira ne’ebé remata eskola sekundária no iha intensaun atu buka matenek bele mai estuda iha ami-nia Lisensiatura kona-ba Lia-Portugés no Kultura Luzófona sira.
Universidade Nacional de Timor Lorosa’e maka hala’o Lisensiatura ida-ne’e, iha Faculdade de Ciências da Educação, hahú tiha ona iha tinan akadémiku 2001/2002. Iha kursu ne’e ami estuda buat oioin interesante tebetebes: lia-portugés, literatura husi Portugál, Brazíl, rain oioin iha Áfrika no Timór Lorosa’e, kultura Timór nian no rain seluk nian, gramátika, linguístika, Istória Timór Lorosa’e nian no seluseluk tan. Ami-nia kursu mós fó atensaun maka’as ba lia-tetun, no ami tuir kadeira (ho lia-indonézia katak mata kuliah) hanesan Padronizasaun no Ortografia Tetun nian, no Gramátika Tetun nian. Bainhira ami-nia Lisensiatura hotu ami sei bele buka serbisu nu’udar profesór, durubasa, tradutór, sekretária, jornalista, ka funsionáriu iha fatin sira ne’ebé ezije ema atu hatene momoos lian ofisiál rua ita-nia nasaun nian. Ami-nia profesór barak mai husi Portugál no rain sira seluk ne’ebé mós iha lia-portugés nu’udar lian ofisiál, liuliu husi Instituto Camões. Ami mós hala’o atividade oioin hanesan jornál kona-ba literatura “Várzea de Letras”, teatru, tradusaun, nsst...
Joven timoroan, mai estuda ho ami!

Testu husi Icha Bossa ho Irta Araújo,
publika tiha iha
Várzea de Letras, Suplemento Literário mensal do jornal Semanário, nº 4 [5], Julho 2004



Licenciatura em Língua Portuguesa e Culturas Lusófonas

Todos sabemos que a nossa nação tem duas línguas oficiais, o tétum e o português. Isto foi uma decisão inteligente dos nossos líderes, porque desta forma os timorenses que ainda não sabem português também podem comunicar com o Estado. Por exemplo, uma tia não-escolarizada na montanha pode escrever uma carta – ou pedir a alguém que lha escreva – usando apenas o tétum e enviá-la para um Ministério ou para o Tribunal sobre um problema qualquer que ela tenha. Mas nós também sabemos que o tétum ainda está num processo de desenvolvimento, e que o português é que é o seu aliado histórico e a língua portuguesa é que é a língua da nação leste-timorense que usamos para ter acesso à alta cultura. Ainda não podemos ler em tétum o Mahabarata ou a Odisseia ou os textos de Stephen Hawking ou António Damásio, Santo Agostinho ou Karl Marx, Shakespeare ou Camões, José Saramago ou George Orwell. Ainda não podemos usar o tétum para conhecer a Grande Literatura mundial, ou para saber sobre as ciências modernas, e é muito importante que os intelectuais leiam sobre tudo isto. Se não seremos uma nação sem intelectuais e sem especialistas. E só estes é que podem saber por exemplo como se produz electricidade, se fazem operações cirúrgicas, se extrai petróleo do fundo do mar, ou se desenvolve a nossa economia... Nós timorenses poderemos através da língua portuguesa estudar sobre estes assuntos.
Claro que é verdade que muita gente ainda não domina o português. A tia da montanha que já mencionámos pode compreender uma frase como esta “Maria konta ke Domingu-Domingu, depoizde misa, avó bá merkadu halo kompras. Nia presiza kafé, repollu, pepinu, alfase, mostarda, agriaun, tomate, kouve, salsa, ervilla i senoura” (A Maria conta que aos Domingos, depois da missa, a avó vai ao mercado fazer compras. Ela precisa de café, repolho, pepino, alface, mostarda, agrião, tomate, couve, salsa, ervilha e cenoura). Mas esta tia não pode ler A última morte do Coronel Santiago, do escritor timorense Luís Cardoso. Da mesma forma, a tia também pode falar “bahasa pasaran” (língua malaia “do mercado”), porém não é capaz de ler Bumi Manusia, do autor indonésio Pramoedya Ananta Toer. Quem quer estudar para saber português correctamente tem muitas oportunidades. Todas as crianças actualmente o aprendem na escola primária, os professores em Díli e nos distritos seguem actualmente um Bacharelato para aprenderem este idioma, e os jovens que terminaram a escola secundária e têm intenção de aprofundar os seus conhecimentos podem vir estudar connosco na nossa Licenciatura em Língua Portuguesa e Culturas Lusófonas.
Esta Licenciatura foi criada na Universidade Nacional de Timor Lorosa’e, na Faculdade de Ciências da Educação, no ano académico de 2001/2002. Neste curso estudamos muitas coisas interessantes: língua portuguesa, literatura de Portugal, Brasil, países africanos lusófonos e Timor-Leste, cultura timorense e de outras nações da lusofonia, gramática, linguística e história de Timor-Leste, entre outras coisas. O nosso curso também dá uma grande atenção ao tétum, e temos cadeiras como Padronização e Ortografia do Tétum, e Gramática do Tétum. No final da Licenciatura poderemos procurar trabalho como professores, intérpretes, tradutores, secretárias, jornalistas, ou funcionários em locais que exijam o domínio das duas línguas oficiais da nossa nação. Muitos dos nossos professores vêm de Portugal ou de outros países lusófonos, principalmente do Instituto Camões. Levamos também a cabo diversas actividades como o jornal literário “Várzea de Letras”, teatro, traduções, etc...
Jovem timorense, vem estudar connosco!

A versão original em tétum, de Icha Bossa e Irta Araújo, foi publicada no
Várzea de Letras, Suplemento Literário mensal do jornal Semanário, nº 4 [5], Julho 2004

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Irá a tradução passar a ser um negócio da China?

Num fórum de debate de tradutores na Internet encontrei há dias as inquietações de alguns profissionais que temem que haja empresas a começar a fazer outsourcing de traduções português-inglês-português para a China, onde o preço por palavra é muito mais baixo do que no Ocidente. É verdade que há muitos chineses a aprender a língua portuguesa, nomeadamente para irem investir e obter matérias-primas nos PALOP, mas vendo um exemplo de uma tradução made in China – ler abaixo – eu diria que não há por enquanto razão para preocupação. Nenhuma empresa minimamente consciente da importância da sua imagem no mercado vai entregar trabalho a tradutores que produzam preciosidades como esta.
(clicar na imagem para ler)


segunda-feira, dezembro 03, 2007

Lembrar os sonhos da adolescência

Quando era adolescente achava que a Kumiko (interpretada por Tamlyn Naomi Tomita, actriz de ascendência nipo-filipina, nascida em Okinawa) era a moça mais bonita do mundo.





Tinha adorado o filme Karate Kid (de John G. Avildsen, 1984, com Ralph Macchio e Pat Morita), e tinha gostado ainda mais do segundo, Karate Kid II (John G. Avildsen, 1986). Só havia um pormenor que me irritava, o facto de o argumento ser inconsistente. No primeiro filme o Mr. Miyagi embebedava-se uma vez, ao recordar a morte de sua esposa e filho no parto, por falta de assistência médica, enquanto esta estava internada no infame campo de concentração de Manzanar, um dos dez nos quais o governo americano aprisionou mais de 100.000 cidadãos de origem japonesa durante a II Guerra Mundial, pelo "crime" de terem nascido no Japão ou terem pais japoneses. Isto enquanto o Mr. Miyagi combatia na Europa, como americano, contra os alemães e ganhava uma medalha como herói de guerra. No segundo filme, Daniel acompanhava Mr. Miyagi a Okinawa, onde este, parecendo solteiríssimo, reencontrava a sua paixão da juventude, e todos os traços da existência da esposa falecida tinham sido apagados. Agora Miyagi afinal parecia que nunca tinha sido casado e ficara sempre à espera da namorada da adolescência... Mas apesar deste pormenor o filme encantava-me.
E entretanto, eu, adolescente ilhavense, aprendiz de judo, sonhava ir estudar artes marciais para o Japão e encontrar por lá uma Kumiko meiga e bonita para mim. Acabei por não ter ido ainda ao Japão, até agora, mas olhando para o que tenho feito na vida, parece-me que os meus sonhos de miúdo se têm vindo a concretizar, com as necessárias actualizações e adaptações que o rio da vida vai sugerindo...

O jogo do pau não veio da Índia, é autóctone

"There is strong evidence that its technique has most probably derived from a dance in India, which would have been imported and adapted after the Discoveries, a plausible reasoning since it was never practised in Galiza (the neighbouring region of North-West Spain, with close linguistic and cultural ties with Minho and Trás-os-Montes); "
A "dança" a que se refere o texto é uma arte marcial chamada Kalarippayat praticada em Kerala. Seguindo a ligação proposta pelo autor encontramos esta informação: "The 15th century travelogue of Duarte Barabosa, the Portuguese traveler shows that Kalarippayat was the integral part of the Kerala society between 13th and 16th centuries. It was a part of the education of the children, where daily training in a Kalari was considered as important as learning to read and write, thus forming an important element of the culture of the land Kerala and erstwhile southern parts of Karnataka then known as Tulunadu. During this period, it was a compulsary social custom to send all youngsters above the age of 7 to a kalari for training.
Kalarippayat is believed by many historians as one of the oldest traditions of martial training in the world. In Malayalam, the mother language of Kerala, India, Kalarippayat means repetitive training (payat) inside an arena (kalari).
"
Podemos ver o uso que este sistema tradicional de combate faz do pau num vídeo do youtube clicando aqui (a partir do minuto 6, mais ou menos). Ora, as opções técnicas no manuseamento do pau parecem ser bastante diferentes das do jogo do pau português. Em que se baseia a hipótese de o jogo do pau ter vindo da Índia? No facto de um viajante português do séc XVI ter descrito a prática aí de uma luta que usava paus? Se tivesse vindo da Índia teria sido difundido em Portugal a partir das regiões portuárias mais importantes do litoral, mas na realidade os seus centros principais foram durante muito tempo regiões rurais montanhosas do interior (Minho, Trás-os-Montes, Beira Interior...). Creio que só a partir do século XIX é que passou a ser habitual o seu ensino em Lisboa. E, ao contrário do que diz o autor do excerto acima transcrito, há registos da sua prática na Galiza. Conta-nos Ernesto Veiga de Oliveira em "Festividades Cíclicas em Portugal" (D. Quixote, 1984,p.320): "Na Galiza (onde o pau e o jogo do pau se conhecem em termos semelhantes aos que aqui vemos, parecendo mesmo terem ali sido levados por portugueses), o varapau, nas palavras de Lorenzo Fernandez, era «o companheiro dos moços rondadores, dos viandantes ao longo dos caminhos, dos pastores no alto dos montes; o seu ofício era múltiplo: no caminho era uma ajuda, ora a subir as encostas ora a descê-las, descansando-se nele o peso do corpo; quando um regato cortava a vereda, saltava-se por cima dele apoiando-se no varapau. o pastor no monte e o feirante na feira carregavam nele o seu peso, aliviando assim deste as pernas; também o pastor tangia com ele o gado, e, quando era preciso, afugentava o lobo, tanto em defesa própria como na do gado que lhe estava confiado»; e «só se largava de mão enquanto o moço conversava com a sua moça na lareira da casa desta; então o pau ficava à porta, para indicar aos outros que nada tinham que fazer ali».
O pau era de uso exclusivamente masculino; e na Galiza «o rapaz tinha-se por moço quando arranjava o seu varapau, e ia de ronda com os outros; era assim como ser armado cavaleiro»." Veiga de Oliveira cita um galego, Xaquín Lorenzo Fernandez, que escreveu um artigo sobre o assunto n"O Comércio do Porto", em 1959 - não tenho de momento esse artigo.
Estas referências ao jogo do pau entre os galegos remetem para o mesmo universo rural do Norte de Portugal. Não há nada que sustente a tese de uma origem indiana, de uma arte marcial trazida da Ásia por marinheiros. Parece-me que o problema é que há, às vezes, entre algumas pessoas do universo das artes tradicionais de combate uma mitificação exagerada, e uma procura de "legitimidade marcial" recorrendo ao oriente (como entre muitos praticantes de artes marciais chinesas se procura obcessivamente uma ligação com Shaolin). Problemas do que Hobsbawm e Ranger chamam a "invenção da tradição"...
A realidade é que o pau é uma arma muito simples, fácil de obter, e diferentes povos pelo mundo inteiro desenvolveram por isso sistemas de luta com varas de diversos tipos. Porque não inventar que o jogo do pau português veio do sul da Etiópia, onde os homens do povo Surma se dedicam ao sagine (ver filme clicando aqui), uma luta com paus bastante interessante. Ou da Sicília, na Itália, onde há o bastone siciliano.

sábado, dezembro 01, 2007

Abril 74 - O nosso... e de todos os que amam a liberdade




A letra da canção - no original catalão e traduzida - está no youtube. Cliquem várias vezes com o botão esquerdo do rato, tendo o cursor posicionado em cima desta caixinha, para ter acesso.

sexta-feira, novembro 30, 2007

Non ho l'età

Luís CARDOSO, – Crónica de uma travessia – A época do ai-dik-funam. Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1997, pág. 57





"Semanalmente, interrompia o estudo, vinha com um gramofone e muitos discos de música clássica e de poesia de Fernando Pessoa dita por João Villaret, entusiasmando-me a declamar poemas, imitando a sua voz grossa e quente: «O Menino da Sua Mãe». E como não podia deixar de ser, alguns fados, viras e corridinhos terminando naturalmente com algumas canções da Eurovisão. Mas era a belíssima canção Non ho l'età, cantada por uma italiana, que eu imaginava ser também bela como a Nossa Senhora, que nos partia os corações com aquela voz melodiosa. E o padre Júlio confirmava que sim: Non ho l'età!"










Luís CARDOSOUne île au loin. Paris, Éditions Métailiè, 2000, p. 54-55 (Tradução de Jacques Parsi)






"Chaque semaine, il interrompait l'étude, venait avec un gramophone et beaucoup de disques de musique classique et de poésies de Fernando Pessoa dites par João Villaret, ce qui provoquait mon enthousiasme au point de déclamer des poèmes en imitant sa grosse voix chaude: «L'Enfant de sa mère». Et, comme il fallait s'y attendre, des fados, des viras et des corridinhos, avec naturellement pour finir quelques chansons de l'Eurovision. Mais c'était la très belle chanson Non ho l'étà, chantée par une Italienne, que j'imaginais belle comme la Vierge Marie, qui nous brisait le coeur avec sa voix mélodieuse. Et le père Júlio nous confirmait que oui: Non ho l'età!



Luís CARDOSOThe Crossing - A Story of East Timor. London, Granta Books, 2000, p. 49-50 (Tradução de Margaret Jull Costa)




«Every week, he would bring his gramophone along and interrupt our studies with records of classical music and the poetry of Fernando Pessoa read by João Villaret, inspiring me to declaim poems too, imitating his warm, full voice: O menino da sua mãe, 'His mother's little boy'. And there were the inevitable fados and traditional dance tunes, followed, naturally enough, by songs from the Eurovision song contest. But most wonderful of all was Non ho l'età sung by a young Italian woman, whom I imagined to be as beautiful as Our Lady, and who broke our hearts with her sweet voice. And Father Júlio agreed: Non ho l'età - 'I'm too young for love!'»



Luís CARDOSOUn’isola, lontano. In viaggio a Timor Est. Milano, Feltrinelli, 2002, p. 40 (Tradução de Pietro Scòzzari)


"Una volta alla settimana interrompeva lo studio e arrivava in classe con un grammofono e molti dischi di musica classica, oltre a quelli che recavano incise le poesie di Fernando Pessoa recitate da João Villaret. Tutto ciò mi entusiasmava tanto da arrivare a declamare, io stesso, imitando la sua voce profonda e calda: “O Menino da Sua Mãe. E poi non potevano mancare alcuni fados, viras e corridinho, per terminare, naturalmente, con qualche canzone dell’Eurovision. Ma era la bellissima canzone Non ho l'étà, cantata da un’italiena che immaginavo bella come la Madonna, che ci trafiggeva il cuore con quella voce melodiosa. E padre Giulio confermava: Non ho l'età!

domingo, novembro 11, 2007

Uma arte marcial portuguesa

O jogo do pau é um antigo sistema tradicional de combate português. Neste vídeo pode ver algumas das suas técnicas básicas, executadas primeiro lentamente em direcção ao alvo e depois com velocidade e defendidas pelo oponente.




Se estiver interessado/a em praticar ou apenas experimentar pode dirigir-se ao Ateneu Comercial Português, na Rua das Portas de Santo Antão, em Lisboa, ao lado do Coliseu (Metro: Restauradores ou Rossio). No Ateneu o jogo do pau é praticado há mais de um século, e esta foi também a escola do grande Mestre Ferreira, hoje sob orientação do seu sucessor Mestre Monteiro.

Pode ir praticar lá que será benvindo/a. E ainda por cima é barato!

quinta-feira, novembro 08, 2007

terça-feira, novembro 06, 2007

China Timor

Novidades no blog

Acrescentei um sitemeter, um tradutor automático Babel Fish, e uma coisa que permite ver as caras dos leitores que estejam registados no Mybloglog...
As traduções para inglês do Babel Fish são divertidas...

sábado, novembro 03, 2007

Humor filipino

Tenho andado a dar uma olhada por vários blogues das Filipinas para ver que línguas usam (ou de que forma inserem frases em tagalog no meio de texto em inglês - code-switching). Neste blogue encontrei uma série de anedotas sobre estudantes universitários filipinos. Parece que há uma grande rivalidade entre as várias universidades por lá...

sexta-feira, novembro 02, 2007

A língua portuguesa na Guiné-Bissau

Andei a ver os comentários que foram feitos a alguns textos que escrevi sobre o português em Timor. Fiquei curioso por encontrar quem argumentasse contra a utilização do tétum como apoio para o ensino do português invocando a experiência dos PALOP. É que são contextos bem diferentes. Os países independentes que surgiram nas antigas colónias portuguesas em África continuaram a usar o português como língua oficial, da administração, da escola, e não passaram por um interregno de 24 anos de ocupação estrangeira e utilização de uma outra língua oficial. No caso de Angola, por exemplo, a independência veio até a favorecer o uso do português, devido à guerra civil e ao problema dos deslocados e migração para meio urbano, e consequente destruição das redes sociais tradicionais onde se usavam exclusivamente as línguas bantas. Há agora uma maior percentagem de angolanos a ter o português como língua materna do que alguma vez houve durante a época colonial. Por outro lado, neste país, como em Moçambique, ainda que haja muita gente que fala um português rudimentar, é normal que esse seja o idioma utilizado quando pessoas de etnias diferentes se querem entender umas com as outras; em Timor é o tétum que cumpre este papel.
Os indonésios promoveram a massificação do ensino, num país de crianças e jovens. Em indonésio.
E para além de tudo isto o tétum é também língua oficial ao lado do português. Não parece evidente que a metodologia do ensino da língua portuguesa em Timor tem que ser diferente?

Mas para perceber melhor o que se passa nos PALOP será bom também olhar para a Guiné-Bissau. Este texto de Fanca Sani é elucidativo:





quarta-feira, outubro 17, 2007

Praxe






Sérgio Godinho canta uma canção que me parece ilustrar bem o espírito da praxe:



Maçã com Bicho (acho eu da praxe)




O tempo passa
e lembras com saudade
o saudoso tempo da universidade
foste caloiro
e quintanista
já comes caviar
esquece o alpista






P'ra entrar na universidade
é preciso
prender o humor
na gaiola do riso
ter médias altas
hi-hon, ão-ão
zurrar ladrar
lamber de quatro o chão



Mas há quem ache
graça à praxe
É divertida (Hi-hon)
Lição de vida (Ão-ão)
Maçã com bicho
acho eu da praxe




Chamar-se a si mesmo
besta anormal
dá sempre atenuante ao tribunal
é formativo
p'ró estudante
que não quer ser propriamente
um ignorante


Empurrar fósforos com o nariz
tirar à estupidez a bissectriz
eis causas nobres
estruturantes
eis tradição
sem ser o que era dantes



Mas há quem ache
graça à praxe
É divertida (Hi-hon)
Lição de vida (Ão-ão)
Maçã com bicho
acho eu da praxe
É divertida (Mé-mé)
Lição de vida (Piu-piu)
Maçã com bicho
acho eu da praxe


Não vou usar
mais exemplos concretos
é rastejando
que se ascende aos tectos?
Então vejamos
preto no branco
as cores da razão
porque a praxe eu desanco


Mas há quem ache
graça à praxe
É divertida (Hi-hon)
Lição de vida (Ão-ão)
Maçã com bicho
acho eu da praxe
É divertida (Mé-mé)
Lição de vida (Piu-piu)
Mação com bicho
acho eu da praxe


[ as fotos aqui incluídas têm duas proveniências:

http://abnoxio.weblog.com.pt/arquivo/2006/10/o_verdadeiro_espirito_universi
e
http://adsl.tvtel.pt/antipodas/imagens.htm ]

domingo, outubro 14, 2007

É tempo de praxe

Todos os anos por esta época as universidades portuguesas enchem-se de estudantes que fazem coisas ridículas sob orientação dos seus colegas mais velhos. Esta semana cruzei-me em Aveiro com um longa bicha de caloiros que vinham da ria acartando nas mãos, debaixo do sol, sacos plásticos cheios de lodo. Presumo que a intenção fosse levar aquela porcaria para a Universidade. Em Coimbra, ao pé da escadaria monumental, passei por um estudante com o traje académico que era escoltado ao caminhar por quatro colegas recém-chegados à capital da cultura universitária que o rodeavam de braços estendidos no ar agarrando a capa dele sobre a sua insigne cabeça para que esta não apanhasse sol de mais. Suponho que teria medo que o pequeno cérebro derretesse.
Chamam a isto a praxe, e a justificação dada para que os colegas mais novos se tenham de lhe submeter é a necessidade de “integração”. Só há integração para quem não fizer ondas e aceitar com humildade os tratos de polé. Os caloiros são mandados fazer figura de urso para se poderem integrar, com a promessa de que um dia também poderão ser superiores prepotentes e terão enfim o direito de mandar uma nova geração de inferiores (caloiros/lamas/lodos) fazer por sua vez figuras tristes. É a apologia da humilhação como estratégia pedagógica.
Dizem os praxistas que é bom como aprendizagem para a vida, como preparação para o mundo. Aprende-se assim a respeitar a hierarquia, preparam-se os jovens para um modelo de relações profissionais baseado não no respeito mútuo, mas nas pequeninas e mesquinhas maneiras quotidianas de lembrar quem é o superior. Um modelo onde pouco conta o mérito, onde as ideias novas ou diferentes são malvistas, no qual importante é saber lamber as botas de algum cacique. Aprende-se a obedecer sem questionar. Para que se perpetue uma cultura que promove o medo de ser o destravado da língua que comete a heresia de dizer que o rei vai nu. E que é saneado pela ousadia. A praxe é um reflexo do triste país que temos, portugalzinho no seu pior.

sábado, outubro 06, 2007

Ai a Birmânia...



Em Agosto de 1998 trabalhei como membro do staff de voluntários no Festival Mundial da Juventude que se realizou na Costa da Caparica e que reuniu em Portugal cerca de sete mil jovens de todos os cantos do mundo. Muitos desses jovens estavam mais interessados na praia, concertos, e quecas internacionalistas do que propriamente nas actividades de pendor mais sério, como debates sobre o estado do mundo. Mas ainda assim houve discussões muito participadas. Numa sessão sobre a Birmânia, na qual participámos meia dúzia de gatos-pingados, um jovem birmanês exilado, do movimento pró-democracia, tentava sensibilizar a escassa audiência para a necessidade de apoio à sua causa. Um sujeito do público – creio que era líbio, se bem me recordo – questionava o moço sobre o que era isso da democracia que eles queriam implantar e tentava convencê-lo de que a democracia burguesa de parlamento e multipartidarismo era inimiga do povo. O rapaz explicava-lhe pacientemente que o povo dele só queria a oportunidade de pôr em prática o tipo de democracia que já tinha escolhido nas urnas em 1990, ao votar esmagadoramente na NLD (Liga Nacional para a Democracia). Este partido, cuja Secretária-Geral, Daw Aung San Suu Kyi, viria a ser Prémio Nobel da Paz em 1991, ganhou as eleições livres (as primeiras em três décadas) que então se realizaram com mais de 80% dos lugares no Parlamento (392 lugares em 485). Uma outra coligação pró-democracia, composta por partidos formados com base nas diversas etnias minoritárias, ganhou mais 49 lugares no Parlamento (10% dos votos), e o partido que representava a junta militar no poder só conseguiu 10 lugares. A resposta da junta foi perseguir, prender, torturar e matar muitos dos eleitos, e reforçar a mão-de-ferro com que controla o país. A Frente Democrática dos Estudantes de Toda a Birmânia publicou em 98 um livro onde apresenta os detalhes sobre o que aconteceu a cada um destes deputados. Aung San Suu Kyi continua actualmente em prisão domiciliária (onde de resto tinha sido colocada pelo regime durante a campanha eleitoral para as eleições de 1990).
As recentes manifestações lideradas pelos monges budistas abriram uma nova janela de esperança para os povos da Birmânia. Se esta esperança se concretizará ou não depende em grande medida das pressões que a comunidade internacional (incluindo a China) decida fazer.

Contacto

Caros amigos, para aqueles que protestam porque eu não respondo aos vossos e-mails, trago boas novas. É que agora passo a ter acesso à internet sem ter que depender das idas à Biblioteca Municipal de Ílhavo (que tem excelentes instalações - tomara eu que os meus alunos em Timor pudessem frequentar uma biblioteca assim) ou de visitas à família (do tipo "vim cá visitar-vos e ver se estão todos bem e, a propósito, posso usar a internet para mandar um mail só por um bocadinho?").
Portanto, contactem, digam coisas...

segunda-feira, setembro 17, 2007

Sobre a língua inglesa

Em Timor fala-se muito sobre a língua inglesa. Mas o que é afinal o inglês? No sítio Essentialist Explanations encontramos uma longa lista de definições sobre este e outros idiomas.
Eis algumas:
English is essentially Low German plus even lower French minus any sense of culture.
--Danny Weir
English is essentially bad Dutch with outrageously pronounced French and Latin vocabulary.
--Eugene Holman

English is essentially Norse as spoken by a gang of French thugs.
--Benct Philip Jonsson

English is essentially the devil's attempt to reverse the curse of Babel by making a world language from the most difficult language in the world.
--qaya
English is essentially the language of people who think that everybody else speaks their language. French is essentially the language of people who think that everybody else should speak theirs.
--Peter Bleackley
English is essentially a language that uses vowels no other language would accept.
--Luís Henrique

English is essentially degenerate Welsh steeped in Latin, Dutch and Franco-Scandinavian Norman.
--Mike Taylor

English is essentially German spoken in the mouth rather than the throat.
--jmallett
English is what you get from Normans trying to pick up Saxon girls.
--Bryan Maloney

Written English is essentially a variety of Old French invented by somebody who spoke only Saxon and read only Latin.
--Basilius
English is essentially French converted to 7-bit ASCII.
--Christophe Pierret [for Alain LaBonté]
English is essentially a whore.
--Lars Hendrik Mathiesen

English is essentially a French menu stuttered by a fish-and-chips dealer.
--Kala Tunu
English is essentially a West Germanic language that's trying very hard to look like a Romance one.
--Andreas Johansson

English is essentially language's equivalent to a transvestite.
--Andreas Johansson

Modern English read phonetically is essentially Middle English as no Middle Englishman would have spoken it.
--Jake X
According to generative linguists, all languages are essentially English.
--Arnt Richard Johansen

Inglish iz issenshali a langwidje dhat, wen rittun fonetkli, iz ilejibul tu netiv spikerz.
--Peter Bleackley
English is essentially all exceptions and no rules.
--Jonathan Bettencourt
English is essentially a language in which up has forty-seven dictionary definitions, but antidisestablishmentarianism is considered a "hard word."
--John M. Ford
English is essentially a tale told by an extremely clever and inventive idiot.
--John M. Ford
Australian English is essentially an Irishman bitten by a Tasmanian Devil while chasing a kangaroo.
--Fumiko Amaya
Australian English is essentially Cockney without the refinement.
--Öjevind Lång
King James English is essentially the language that many Americans think Jesus spoke. "If English was good enough for Jesus, it's good enough for me!"
--Dan Seriff
Broken English is the language of international trade.
--John Naisbitt (via Daniel E. Huston)
Sobre outras línguas:
Conversely, Indonesian is essentially Malay as spoken by Dutchmen.
--Amber Adams
Chinese is essentially just like any other language, except that there's no tense, gender, conjugation, grammar, or logic, and all the words sound the same.
--Jonathan Walton
A lista é muito mais longa, e pode ser consultada aqui.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Novo contador

Acabei de colocar aqui um contador, para ver de onde são os visitantes...

segunda-feira, agosto 13, 2007

quinta-feira, agosto 09, 2007

Língua hakka

A short introduction to the Hakka language as spoken by the Chinese minority in East Timor

Uma lista de frases em hakka, língua materna dos chineses de Timor-Leste

segunda-feira, julho 30, 2007

Saudades


Em Díli as crianças brincam nas ruas enquanto cai a chuva quente da monção. Aqui em Portugal a chuva é fria e mais triste...




















quarta-feira, maio 09, 2007

Ou às vezes a tradição ainda é o que era...



(Bali - Foto de autor desconhecido)

Fotos abaixo: Recentemente (2003) num templo da religião hindu (maioritária em Báli) num lugar simpático chamado Ubud. Os balineses levam a cabo as suas cerimónias religiosas em templos onde por vezes há estátuas como estas. Parece haver alguma diferença em relação ao omnipresente discurso sobre o pecado na tradição judaico-cristã...

sexta-feira, maio 04, 2007

Quando for grande quero ser professor de inglês

Anúncio publicado hoje (4 de Maio 07) no jornal diário mais lido em Timor (o STL).


Ganham bem estes professores australianos (US$50000-60000 por um contrato de um ano). Alguns portugueses que costumam espernear muito com os ataques à língua portuguesa em Timor irão seguramente começar agora a criticar o comandante das FDTL, Taur Matan Ruak, por permitir esta concorrência desleal contra o idioma de Camões.
E talvez até façam “uma vaquinha”, ou subscrição pública, para aumentar o salário dos professores portugueses...

A tradição já não é o que era...



Este post é motivado por um comentário de um leitor no post anterior.


Como era a tradição balinesa...



















Como era a tradição timorense....






A vergonha do corpo é uma tradição ocidental trazida para Timor e para Báli pelas estruturas dos poderes coloniais.
Mesmo entre os javaneses, maioritariamente muçulmanos, a disseminação do uso do jilbab é um fenómeno muito recente (pós queda do regime de Suharto), e um desvio em relação ao islamismo sincrético e moderado tradicionalmente aí praticado.