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terça-feira, abril 21, 2015

O tétum não é um crioulo de base lexical portuguesa

Volta e meia surge um texto de algum estudante das coisas das línguas em Timor a dizer que o tétum é um crioulo de base lexical portuguesa, o que é tão correto como dizer que o inglês é, na verdade, um crioulo de base lexical francesa.



Este livro (“Ordered Profusion – Studies in Dictionaries and the English Lexicon”), por exemplo, diz que no “Shorter Oxford English Dictionary” 28,30% das palavras têm origem no francês antigo, incluindo o anglo-francês, ou no francês; 28,24% são de proveniência latina; e apenas 25% do vocabulário é de origem germânica (juntando aqui também o inglês antigo, o inglês médio, o nórdico antigo e o holandês.

O tétum não é um crioulo de base lexical portuguesa; podemos considerar que o tétum-praça é um crioulo cuja base lexical é o tétum-téric, o português surge só como um superestrato posterior. A zona de Díli era originalmente de língua mambai. É possível que muitos dos cerca de 1200 indivíduos (dos quais 15 eram brancos) que para cá vieram aquando da transferência da capital de Lifau para aqui falassem um crioulo de base lexical portuguesa semelhante ao crioulo de Malaca (ainda conhecido por alguns habitantes do antigo bairro de Bidau na década de 50 do séc. XX), mas não falavam tétum (língua pouco relevante na parte ocidental da ilha). O afluxo de gentes de vários lugares à capital provavelmente levou a que o tétum, que na parte oriental da ilha já funcionava como língua franca entre os vários reinos, se tornasse a língua de Díli. As línguas francas tornam-se muitas vezes o idioma da população do centro urbano mais importante da sua região; veja-se os casos do malaio Betawi que se tornou a língua de Batávia (atual Jacarta), o crioulo malaio em Cupão e o crioulo guineense em Bissau. O uso do tétum como língua segunda por uma grande quantidade de falantes de outros idiomas, com destaque para os mambais, levou a que passasse por um processo de simplificação, a que podemos chamar crioulização, mas continuando a ser de origem tétum boa parte do léxico básico deste tétum-praça. Numa primeira fase absorveu também muitos termos do malaio, língua franca do comércio entre ilhas, depois passou por um processo de relexificação parcial com vocabulário do português (daí que o tétum-praça atual – e não obstante algumas propostas puristas recentes – inclua grande percentagem de léxico de origem portuguesa, não apenas para os registos mais elevados e os domínios mais técnicos, mas também para coisas do dia a dia como a fauna e flora locais, as saudações entre as pessoas e os termos de parentesco). Mas continua a ser suficiente comparar uma lista de Swadesh para o tétum-praça e para um crioulo de base lexical portuguesa para ver as diferenças…


Outra coisa que se lê de vez em quando é que o tétum-praça se chamaria assim por ser a língua do mercado. Devem pensar que estão da praça do peixe de alguma vila piscatória portuguesa… A praça de armas era onde residia o governador e a sua guarnição, era o centro urbano. O tétum-praça era portanto o tétum da cidade (por modesta que fosse a cidade).

terça-feira, dezembro 25, 2007

PSHT Timor

Um torneio da Persaudaraan Setia Hati Terate (PSHT) em Díli, Timor-Leste, no GMT, em 22 de Outubro de 2005





quinta-feira, julho 06, 2006

Jogo do Pau

Fotografias de brincadeiras a tentar recordar os movimentos básicos do Jogo do Pau no jardim da casa que alugámos aqui em Díli. Isto foi antes de eu cortar o cabelo...



segunda-feira, julho 03, 2006

Xenofobia em Timor

ver texto aqui

Felicidade no aconchego do meu lar

Num serão calmo, a ver televisão com a minha esposa no aconchego do meu lar...
Díli não é só violência, ainda que seja actualmente um lugar algo inusitado para passar uma lua-de-mel...

quinta-feira, junho 01, 2006

Professores portugueses em Dili hoje

Em varios lugares onde a populacao se tem concentrado procurando refugio a tendencia agora esta a ser passar la a noite (onde se sentem seguros) e durante o dia voltar para as suas casas, ir levantar sacos de arroz onde estes estao a ser distribuidos, ou fazer pela vida pescando e vendendo o peixe na rua, fazendo venda ambulante de tangerinas, etc...
Assim durante o dia o numero de refugiados diminui, mas ha quem fique mesmo assim, alguns porque ja nao tem casa, nem nada...
As fotografias abaixo mostram professores portugueses da Fundacao das Universidades Portuguesas e do Ministerio da Educacao a distribuirem comida, agua e chupa-chupas a criancas refugiadas (na Igreja Evangelica, na Igreja de Motael, no jardim do Banco Mundial) e a fazerem actividades recreativas com esses meninos e meninas:





A assistencia humanitaria da ONU esta de ferias em Darwin?

Hoje de manha o Nuno Matias, da FUP, tres colegas do ME, a Marta, a Ana e a Susana, e eu, andamos a distribuir pao, agua e chupa-chupas as criancas em lugares onde ha populacao refugiada aqui em Dili. Ha outros grupos de cooperantes portugueses a fazer o mesmo, e outros que com grande profissionalismo mantem o funcionamento de instituicoes cruciais neste momento, como a Alfandega (para entrada de produtos tao necessarios).

Enquanto isto, nao se percebe muito bem onde estao os aparelhos de assistencia humanitaria do Programa Alimentar Mundial, do ACNUR, da UNICEF... Estao todos de ferias em Darwin?