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Quarta-feira, Abril 30, 2008

AMAM - Asociasión de Mujeres Anti-Mutilación

A AMAM - Asociasión de Mujeres Anti-Mutilación é uma ONG com sede em Barcelona, liderada por Mama Samateh Saidy, uma mulher nascida na Gâmbia que mora há mais de duas décadas na Catalunha. A AMAM leva a cabo campanhas contra a mutilação genital feminina. Estas fotos são de uma dessas campanhas:





[Fotos encontradas no blogue dO Jumento.]

Domingo, Março 30, 2008

Tradição cruel

O vídeo mostra uma mulher acusada de ser bruxa na Índia e que por isso foi amarrada a uma árvore e espancada. Cortaram-lhe também bocados do cabelo. Em Timor coisas deste género também acontecem. Há tradições que têm que ser mudadas.




Quinta-feira, Março 27, 2008

Mutilação genital feminina na Guiné e na Indonésia

O semanário português Expresso dá a notícia da divisão dos deputados do Parlamento guineense em relação à aprovação de uma lei para proibir a mutilação genital feminina no país. Fernando Gomes, fundador e antigo presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, é um dos parlamentares que tenta fazer passar a lei, contra a resistência dos que não querem mexer com a tradição. Em Portugal e noutros Estados europeus com comunidades imigrantes provenientes de países onde se mutilam ainda os órgãos genitais das raparigas é completamente proibido realizar tal prática. Esperemos que os dirigentes políticos da Guiné-Bissau tenham a coragem de pelo menos dar os instrumentos legais àquelas que se empenham na luta contra este flagelo. Mesmo com aprovação da lei ainda haverá um longo caminho a percorrer para mudar as mentalidades e os costumes.

A Organização Mundial de Saúde estabelece uma tipologia dos tipos de mutilação que vão dos menos radicais, que podem limitar-se à realização de um pequeníssimo corte ritual no clítoris só até fazer sair uma gota de sangue, até outros que incluem a remoção do capuz do clítoris, ou do capuz e do próprio clítoris, ou a amputação completa destes e dos lábios menores, até aos casos mais graves, da chamada infibulação, em que após a ablação os lábios maiores são cosidos quase em todo o comprimento deixando apenas um pequeno orifício para passagem da urina e do sangue mentrual.

Também na Indonésia se mantém ainda a tradição da mutilação genital. De acordo com um estudo de que se deu notícia no jornal Kompas, citado no blogue Indonesia Matters, 90% das mulheres indonésias são circuncidadas. O mesmo blogue aponta para um artigo do New York Times, de Janeiro passado, onde se fala num valor ainda mais elevado, 96%. Este jornal inclui fotografias de uma sessão de mutilação em massa (mais de 200 numa manhã) realizada em Bandung pela Fundação Assalaam, cujo responsável pelos serviços sociais diz que “há três ‘benefícios’ para as raparigas: um, estabiliza a libido delas; dois, vai fazer a mulher ficar mais bonita aos olhos do marido; e três, dá-lhes equilíbrio psicológico”.

Os direitos humanos são universais e há que continuar a trabalhar para que cheguem também a estas vítimas da tradição.

Domingo, Março 16, 2008

Culturas mestiças, misticismos mestiços também

Em Timor existem diversos movimentos de natureza mais ou menos mística, como por exemplo a Sagrada Família e os Kolimau 2000, que normalmente incorporam elementos católicos com outros das tradições religiosas animistas locais. Tal fenómeno acontece também noutros lugares onde a história da ocupação colonial criou culturas nacionais que, como a de Timor-Leste, são mestiças.

No fotoblogue My Sarisari Store, um dos meus favoritos sobre as Filipinas, encontrei uma colecção muito interessante de fotografias de grupos místicos locais, incluindo Rizalistas, que transformaram o escritor e intelectual nacionalista José Rizal, fuzilado pelos espanhóis, numa figura sagrada. Uns consideram-no um santo, outros um profeta, alguns ainda uma reencarnação de Jesus Cristo. As fotografias mostram lugares onde a população diz ter havido aparições de Cristo, anting-antings (amuletos), peregrinos, curandeiros… Os timorenses reconhecerão conceitos que, tal como na sua terra, unem a raiz austronésica com o superestrato de uma língua neo-latina ibérica, como "inang miserecordia".

Nas Filipinas existe também em certos meios o costume de inserir pequenos objectos no corpo (“sona ai-moruk”, em tétum) para ficar mais forte ou invulnerável, como fazem em Timor grupos como os Sete-Sete. O malikmata de que fala o senhor no vídeo abaixo parece ser semelhante ao poder de matan-helik dos timorenses.



P.S. - Não tendo nada a ver já com misticismos, deixo aqui um link para um slideshow sobre cocos nas Filipinas. A minha mulher ao vê-lo disse imediatamente: - Mas isto parece Timor!

P.P.S. - Futu-manu (luta de galos) nas Filipinas. O galódromo de Bidau ainda não é tão sofisticado como o deles, que até tem bancada em anfiteatro, mas também é jeitoso.

E mais um P.S. - Se o vídeo de cima não funcionar tente esta versão:



Sábado, Março 08, 2008

Duas gerações de emigrantes

Duas gerações de emigrantes filipinos na América num vídeo muito bem conseguido.
Qualquer dia começam a aparecer uns telediscos deste género feitos por timorenses em Portugal ou na Austrália, ou talvez da nova vaga de emigração na Inglaterra e Irlanda...

Quarta-feira, Novembro 07, 2007

Ainda a praxe

Domingo, Outubro 14, 2007

É tempo de praxe

Todos os anos por esta época as universidades portuguesas enchem-se de estudantes que fazem coisas ridículas sob orientação dos seus colegas mais velhos. Esta semana cruzei-me em Aveiro com um longa bicha de caloiros que vinham da ria acartando nas mãos, debaixo do sol, sacos plásticos cheios de lodo. Presumo que a intenção fosse levar aquela porcaria para a Universidade. Em Coimbra, ao pé da escadaria monumental, passei por um estudante com o traje académico que era escoltado ao caminhar por quatro colegas recém-chegados à capital da cultura universitária que o rodeavam de braços estendidos no ar agarrando a capa dele sobre a sua insigne cabeça para que esta não apanhasse sol de mais. Suponho que teria medo que o pequeno cérebro derretesse.
Chamam a isto a praxe, e a justificação dada para que os colegas mais novos se tenham de lhe submeter é a necessidade de “integração”. Só há integração para quem não fizer ondas e aceitar com humildade os tratos de polé. Os caloiros são mandados fazer figura de urso para se poderem integrar, com a promessa de que um dia também poderão ser superiores prepotentes e terão enfim o direito de mandar uma nova geração de inferiores (caloiros/lamas/lodos) fazer por sua vez figuras tristes. É a apologia da humilhação como estratégia pedagógica.
Dizem os praxistas que é bom como aprendizagem para a vida, como preparação para o mundo. Aprende-se assim a respeitar a hierarquia, preparam-se os jovens para um modelo de relações profissionais baseado não no respeito mútuo, mas nas pequeninas e mesquinhas maneiras quotidianas de lembrar quem é o superior. Um modelo onde pouco conta o mérito, onde as ideias novas ou diferentes são malvistas, no qual importante é saber lamber as botas de algum cacique. Aprende-se a obedecer sem questionar. Para que se perpetue uma cultura que promove o medo de ser o destravado da língua que comete a heresia de dizer que o rei vai nu. E que é saneado pela ousadia. A praxe é um reflexo do triste país que temos, portugalzinho no seu pior.

Quarta-feira, Maio 09, 2007

Ou às vezes a tradição ainda é o que era...



(Bali - Foto de autor desconhecido)

Fotos abaixo: Recentemente (2003) num templo da religião hindu (maioritária em Báli) num lugar simpático chamado Ubud. Os balineses levam a cabo as suas cerimónias religiosas em templos onde por vezes há estátuas como estas. Parece haver alguma diferença em relação ao omnipresente discurso sobre o pecado na tradição judaico-cristã...

Sexta-feira, Maio 04, 2007

A tradição já não é o que era...



Este post é motivado por um comentário de um leitor no post anterior.


Como era a tradição balinesa...



















Como era a tradição timorense....






A vergonha do corpo é uma tradição ocidental trazida para Timor e para Báli pelas estruturas dos poderes coloniais.
Mesmo entre os javaneses, maioritariamente muçulmanos, a disseminação do uso do jilbab é um fenómeno muito recente (pós queda do regime de Suharto), e um desvio em relação ao islamismo sincrético e moderado tradicionalmente aí praticado.

Segunda-feira, Abril 23, 2007

Isto é tudo uma questão de imagem

Báli vende uma imagem de paz e amor, harmonia e graciosidade que seduz milhares de turistas do mundo inteiro. Há na ilha uma cultura de bem receber que se manifesta por exemplo na limpeza e elegância simples que existe habitualmente mesmo nos warung mais modestos, e na forma como as pessoas são tolerantes com hábitos diferentes dos seus, o que permite que australianas aos montes circulem pelas ruas de Kuta em biquíni sem que ninguém lhes atire pedras.




Em Timor há ainda muito trabalho a fazer, quer na educação para a tolerância dentro das comunidades, quer ao nível do funcionamento das estruturas do Estado. O turista que se afoite a comprar um bilhete da Merpati para vir visitar “a mais jovem nação do mundo” será recebido no interior do Aeroporto Internacional Nicolau Lobato por este quarto de banho deprimente, entupido e com o autoclismo avariado. Será muito difícil manter um quarto de banho decente a funcionar?

Quarta-feira, Janeiro 17, 2007

Tradição

As autoridades locais decidiram mandar pintar passadeiras em várias ruas do centro de Díli. O problema é que se esqueceram de fazer uma campanha de educação rodoviária na televisão e nos jornais para ensinar às pessoas para que servem as ditas. Se os peões descobrirem antes dos condutores a utilidade das passadeiras vai ser uma tragédia. E parece-me que a hecatombe vai começar pelos peões estrangeiros, que - pelo menos na maioria - já sabem qual é o objectivo de uma passadeira. Já estou a imaginar as próximas primeiras páginas do STL: “Durante o dia de hoje morreram mais cinco malais enquanto estavam a atravessar a estrada por cima daquelas riscas brancas que o Governo mandou pintar”.

As regras de trânsito aqui são calmamente ignoradas pela maior parte dos timorenses. No cruzamento de Colmera quem vem do supermercado Fitun Maubara encontra um sinal de STOP. São muito poucos os condutores que aí param, sendo habitual que parem antes os que vêm na estrada de sentido único que vem dos lados do BNU. Também no cruzamento do banco australiano ANZ é normal que os condutores que chegam vindos da rua da Escola Paulo VI prossigam a sua marcha na maior das despreocupações, desrespeitando o sinal de “aproximação de estrada com prioridade” que encontram no caminho. Aí param os que vem da direcção do “galódromo”, apesar de a lei dizer que têm prioridade. Num caso e noutro os sinais são completamente ignorados e o que funciona é a tradição.

Ainda a propósito de tradição, tenho falado com vários timorenses manifestando o meu horror pelo crime hediondo de há alguns dias em Maubara, onde três mulheres da mesma família foram queimadas, assassinadas por serem consideradas bruxas (buan). A maior parte das pessoas reage como se fosse uma coisa natural: “então, mas elas eram buan”. Houve uma pessoa que me disse com toda a calma que alguns populares já tinham tentado queimá-las antes, nos tempos da UNTAET, mas a CIVPOL tinha interferido, impedindo o normal desenrolar da acção do povo. Na ocasião alguém tinha chegado a decepar uma orelha a uma das bruxas mas quando os polícias da ONU iam levá-la para o hospital viram que a orelha já tinha nascido novamente, o que teria causado grande surpresa a esses malais. Depois de várias conversas deste género, encontrei alguém que se solidarizou com o meu horror. “Não era preciso tê-las queimado”, explicou, “bastava ter-lhes pregado um prego na testa”!

Quarta-feira, Janeiro 10, 2007

Quando a ignorancia e a tradicao matam

EM MAUBARA
Vizinhos mataram três feiticeiras
Três mulheres foram mortas sábado em Maubara, 40 quilómetros a oeste de Díli, acusadas de feitiçaria pelos vizinhos, crime que está a ser investigado pela Polícia da ONU (UNPOL).Segundo a porta-voz da UNPOL, comissária Mónica Rodrigues, o crime está a ser averiguado por uma equipa de investigação criminal da ONU, não havendo ainda informações disponíveis sobre o móbil do crime.As autoridades policiais timorenses locais disseram que as três mulheres eram da mesma família, tinham 70, 50 e 25 anos, e que foram mortas e queimadas por populares que as acusaram de serem bruxas.A comissária Mónica Rodrigues acrescentou que também no fim-de-semana, na zona de Delta 4, no bairro de Comoro, na parte ocidental da capital timorense, um morador encontrou uma granada, tendo efectivos da GNR sido enviados para o local, confirmando tratar-se de um engenho explosivo de fragmentação, para uso militar, ainda intacto. A UNPOL está também a investigar a morte de um homem, cujo corpo apresentava várias marcas de ferimentos. O crime registou-se sábado na aldeia de Naigidal, distrito de Covalima, sudoeste de Díli.Segundo a UNPOL, na capital timorense continua a registar -se uma situação "relativamente calma, com alguns incidentes esporádicos, mas sem a intensidade das últimas semanas".
Jornal de Noticias
Terça-feira, 9 de Janeiro de 2007
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E triste o quao cruel pode ser a ignorancia! Choremos!...