Um blog em português - e de vez em quando em tétum e em tocodede - sobre os devaneios de um professor e tradutor ilhavense a morar em Timor.
Sobre temas timorenses e do Oriente em geral, e sobre outras coisas de vez em quando...
Kini rasanya aneh bahwa aku begitu terpisah dari persoalan-persoalan itu, yang selama ini menjadi bagian hidup. Aku belum juga nyambung dengan lingkungan ini, (...). Rasanya aku spesies dari dunia lain.
[Ayu Utami – Saman, cet ke-22. Jakarta, Gramedia, 2003, p. 168 (cet ke-1: 1998)]
É uma sensação estranha estar tão distante dos problemas que durante todo este tempo se tornaram parte da minha vida. Também ainda não me integrei neste ambiente (...). Sinto-me como um peixe fora de água.
[Ayu Utami – Saman, cet ke-22. Jakarta, Gramedia, 2003, p. 168 (1ºed. 1998) – traduzido para português por JP Esperança]
Ao longo dos anos em que fui activista da causa timorense e durante o tempo em que morei em Timor era comum ouvir portugueses falarem da Indonésia como se fosse um bicho papão muçulmano monolítico e fundamentalista. Na verdade, a Indonésia é um país extraordinariamente complexo, cheio de diversidade, onde forças modernizadoras e conservadoras coexistem às vezes em harmonia e outras vezes em choque. E falar em conservadores na maior parte das regiões do país não é de maneira nenhuma sinónimo de falar em fundamentalistas muçulmanos – o islamismo indonésio é tradicionalmente tolerante e moldou-se à cultura pré-islâmica local (talvez na senda de Sunan Kalijaga, apontado como o mais sincrético dos Wali Songo). Muitos indonésios ficam ofendidos em serem comparados com certas sociedades do Médio Oriente que não deixam as mulheres conduzirem carros e coisas do género, e pedem que não confundamos a religião muçulmana com as tradições dos povos de língua árabe. Um assunto que une, no entanto, os conservadores de diversas correntes é a condenação das novas tendências da música dangdut. A maior parte dos indonésios parece não ligar a essas opiniões. Extremamente popular como entretenimento de massas, com concertos a que assistem às vezes milhares de pessoas (a maior parte homens, mas não apenas), o dangdut tem vindo a tornar-se cada vez mais sexualizado, com as intérpretes a executarem movimentos cada vez mais explícitos. Que eu saiba a pioneira desta abordagem mais radical foi Inul Daratista, há uns anos atrás, quando eu estava em Timor ainda há pouco tempo (e lá vendem-se muitos VCDs da Inul...), mas agora há uma verdadeira legião de seguidoras. Assisti uma vez a um concerto de rua na Jalan Malioboro, em Yogyakarta, em que algumas adolescentes tentavam também fazer uma aproximação a este estilo. A jovem Mela Anjani é a bonita cantora do vídeo abaixo:
Aqui temos o teledisco da mesma canção, "Dialah Di Hati", com a letra para karaoke e com capoeiristas, e com a própria Siti Nurhaliza a tentar gingar...