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Segunda-feira, Julho 07, 2008

De bacalhoeiros e outros plebeus

Do conto “Charo A’Loura” (um dos meus preferidos do autor):

«Bem, pois neste filme, Capitães intrépidos, Spencer Tracy fazia de pescador na Terra Nova. (…) E aí entre Spencer Tracy, que no filme se chamava Manuel e era português. Pois bem, esse Manuel, pouco a pouco, vai fazendo o rapaz entrar na razão. Com poucas palavras fá-lo descobrir um mundo desconhecido. O verdadeiro sentido da coragem e do trabalho. Aqueles homens, rudes e sem estudos, reaparecem aos olhos do menino como heróis. Manuel era para ele uma espécie de Ulisses que pescava bacalhau (...)»

Manuel RIVAS – Alma, Maldita Alma. Lisboa, Dom Quixote, 2000, p. 59



Terça-feira, Maio 20, 2008

Raízes

"«Continuaj a armar-te em carapau de corrida e lebas uma trancada qui até andas de querena, qui é p’ra escarmentares!»
Mas
opois chegou o catano do belhote gafanhão e mandou-oj apertarem o bacalhau e fazerem as pazes que senão qui oj atiraba à iágua. "

Uma das poucas coisas boas neste exílio temporário na terra natal é a re-imersão nas minhas raízes dialectais…

Segunda-feira, Julho 24, 2006

Timor-Leste - violência em Díli não travou boda

Timor-Leste - violência em Díli não travou boda

CORREIO DA MANHÃ
2006-07-23 - 00:00:00
Timor-Leste - violência em Díli não travou boda
Amor foi mais forte que medo da guerra

O título de García Márquez, ‘O Amor nos Tempos de Cólera’ – que este jovem professor de 33 anos toma de empréstimo – caracteriza bem a boda de um jovem casal, ele português, natural de Ílhavo, e ela timorense, de Liquiçá, no passado dia 10 de Junho.
Enquanto em Portugal se comemorava o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, João Paulo Esperança e Fernanda selavam o seu amor numa pequena Igreja em Liquiçá, uma cidade na costa norte de Timor-Leste. É mesmo caso para dizer que o amor vence todos os ódios e disputas. O clima de tensão não foi impeditivo para o casal manter os planos de casamento. Mesmo com padrinhos de última hora, sem convites impressos, sem banda de música e com a ausência de muitos convidados, a cerimónia decorreu dentro da normalidade possível. “O comércio em Díli estava fechado e as pessoas confinadas às suas casas ou a campos de deslocados, enquanto grupos armados andavam aos tiros em Díli”, recorda.“Para mim é a data em que celebrei a minha união com Fernanda, a mulher maravilhosa que encheu de felicidade a minha vida”, confessa João Paulo Esperança, num pequeno texto, no seu blogue, onde ao longo de vários meses deu conta da sua estadia na Terra do Crocodilo. A crise político-militar que abalou Timor alterou por completo os planos do casamento, que apenas se concretizou devido à persistência dos noivos, que não se intimidaram pelo poder das armas e de notícias avassaladoras de ódio e morte que rondavam as suas vidas. Os padrinhos iniciais eram dois timorenses crescidos no exílio, na Austrália e Portugal, mas que perante a revolta, fugiram para o estrangeiro, como fizeram muitos dos timorenses com passaportes de Portugal ou da Austrália. Os tios da noiva foram os padrinhos alternativos. A cerimónia contou apenas com uma ínfima parte dos convidados, e para contornar a ausência de um convite, o casal optou por formalizá-lo via sms. Tradicionalmente as cerimónias religiosas de casamento realizam-se à tarde e são precedidas de um banquete mas, com medo da noite, os noivos optaram por uma missa seguida de um almoço para família e amigos próximos. Um mês depois do enlace, João e Fernanda enfrentam o futuro “de olhos postos no horizonte, no sol que se vislumbra lá ao longe, para lá das nuvens escuras que ainda persistem no céu azul de Timor”. E como o apelido Esperança também significa preserverança e confiança, é com esse sentimento que os dois jovens enfrentam o futuro.
SOLTAS
PROFESSOR
João Paulo Esperança é professor e está há cinco anos a leccionar em Timor. É docente na Universidade Nacional de Timor Lorosae, actualmente, no âmbito de um programa de cooperação da FUP - Fundação das Universidades Portuguesas. Aos 33 anos dá aulas de Linguística. Foi em Timor que conheceu Fernanda, o amor da sua vida.
PAIS ANSIOSOS
A residir em Ílhavo, terra que viu nascer e crescer João Paulo há 33 anos, João Esperança e a esposa contam os dias que faltam para reencontrar o filho, e finalmente, conhecer a nora. “Apenas falei com ela ao telefone e tem uma voz muito meiga”, refere. “Queremos muito conhecer a mulher que está a fazer o meu filho feliz”, diz.
RISCOS
João Paulo optou por ficar em Timor-Leste, apesar da conturbada situação que o País enfrentou, mas não pensou duas vezes em permanecer junto da noiva, amigos e alunos. “Estava consciente dos riscos”, afirma. Nos primeiros dias de confronto aceso, João Paulo Esperança chegou a dar aulas ao som de tiros.

Iolanda Vilar, Lamego

Sábado, Fevereiro 25, 2006

No antigamente na minha vida





Segunda-feira, Janeiro 09, 2006

praia da Barra

Na praia da Barra em Ilhavo (Portugal)