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segunda-feira, julho 24, 2006

Timor-Leste - violência em Díli não travou boda

Timor-Leste - violência em Díli não travou boda

CORREIO DA MANHÃ
2006-07-23 - 00:00:00
Timor-Leste - violência em Díli não travou boda
Amor foi mais forte que medo da guerra

O título de García Márquez, ‘O Amor nos Tempos de Cólera’ – que este jovem professor de 33 anos toma de empréstimo – caracteriza bem a boda de um jovem casal, ele português, natural de Ílhavo, e ela timorense, de Liquiçá, no passado dia 10 de Junho.
Enquanto em Portugal se comemorava o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, João Paulo Esperança e Fernanda selavam o seu amor numa pequena Igreja em Liquiçá, uma cidade na costa norte de Timor-Leste. É mesmo caso para dizer que o amor vence todos os ódios e disputas. O clima de tensão não foi impeditivo para o casal manter os planos de casamento. Mesmo com padrinhos de última hora, sem convites impressos, sem banda de música e com a ausência de muitos convidados, a cerimónia decorreu dentro da normalidade possível. “O comércio em Díli estava fechado e as pessoas confinadas às suas casas ou a campos de deslocados, enquanto grupos armados andavam aos tiros em Díli”, recorda.“Para mim é a data em que celebrei a minha união com Fernanda, a mulher maravilhosa que encheu de felicidade a minha vida”, confessa João Paulo Esperança, num pequeno texto, no seu blogue, onde ao longo de vários meses deu conta da sua estadia na Terra do Crocodilo. A crise político-militar que abalou Timor alterou por completo os planos do casamento, que apenas se concretizou devido à persistência dos noivos, que não se intimidaram pelo poder das armas e de notícias avassaladoras de ódio e morte que rondavam as suas vidas. Os padrinhos iniciais eram dois timorenses crescidos no exílio, na Austrália e Portugal, mas que perante a revolta, fugiram para o estrangeiro, como fizeram muitos dos timorenses com passaportes de Portugal ou da Austrália. Os tios da noiva foram os padrinhos alternativos. A cerimónia contou apenas com uma ínfima parte dos convidados, e para contornar a ausência de um convite, o casal optou por formalizá-lo via sms. Tradicionalmente as cerimónias religiosas de casamento realizam-se à tarde e são precedidas de um banquete mas, com medo da noite, os noivos optaram por uma missa seguida de um almoço para família e amigos próximos. Um mês depois do enlace, João e Fernanda enfrentam o futuro “de olhos postos no horizonte, no sol que se vislumbra lá ao longe, para lá das nuvens escuras que ainda persistem no céu azul de Timor”. E como o apelido Esperança também significa preserverança e confiança, é com esse sentimento que os dois jovens enfrentam o futuro.
SOLTAS
PROFESSOR
João Paulo Esperança é professor e está há cinco anos a leccionar em Timor. É docente na Universidade Nacional de Timor Lorosae, actualmente, no âmbito de um programa de cooperação da FUP - Fundação das Universidades Portuguesas. Aos 33 anos dá aulas de Linguística. Foi em Timor que conheceu Fernanda, o amor da sua vida.
PAIS ANSIOSOS
A residir em Ílhavo, terra que viu nascer e crescer João Paulo há 33 anos, João Esperança e a esposa contam os dias que faltam para reencontrar o filho, e finalmente, conhecer a nora. “Apenas falei com ela ao telefone e tem uma voz muito meiga”, refere. “Queremos muito conhecer a mulher que está a fazer o meu filho feliz”, diz.
RISCOS
João Paulo optou por ficar em Timor-Leste, apesar da conturbada situação que o País enfrentou, mas não pensou duas vezes em permanecer junto da noiva, amigos e alunos. “Estava consciente dos riscos”, afirma. Nos primeiros dias de confronto aceso, João Paulo Esperança chegou a dar aulas ao som de tiros.

Iolanda Vilar, Lamego

quinta-feira, junho 01, 2006

A ajudar a medica da Cooperacao Portuguesa - hoje

Professores portugueses da FUP e do ME a ajudar a medica da Cooperacao Portuguesa a dar desparasitantes de administracao oral a criancas refugiadas:









Professores portugueses em Dili hoje - 2





Professores portugueses em Dili hoje

Em varios lugares onde a populacao se tem concentrado procurando refugio a tendencia agora esta a ser passar la a noite (onde se sentem seguros) e durante o dia voltar para as suas casas, ir levantar sacos de arroz onde estes estao a ser distribuidos, ou fazer pela vida pescando e vendendo o peixe na rua, fazendo venda ambulante de tangerinas, etc...
Assim durante o dia o numero de refugiados diminui, mas ha quem fique mesmo assim, alguns porque ja nao tem casa, nem nada...
As fotografias abaixo mostram professores portugueses da Fundacao das Universidades Portuguesas e do Ministerio da Educacao a distribuirem comida, agua e chupa-chupas a criancas refugiadas (na Igreja Evangelica, na Igreja de Motael, no jardim do Banco Mundial) e a fazerem actividades recreativas com esses meninos e meninas:





A assistencia humanitaria da ONU esta de ferias em Darwin?

Hoje de manha o Nuno Matias, da FUP, tres colegas do ME, a Marta, a Ana e a Susana, e eu, andamos a distribuir pao, agua e chupa-chupas as criancas em lugares onde ha populacao refugiada aqui em Dili. Ha outros grupos de cooperantes portugueses a fazer o mesmo, e outros que com grande profissionalismo mantem o funcionamento de instituicoes cruciais neste momento, como a Alfandega (para entrada de produtos tao necessarios).

Enquanto isto, nao se percebe muito bem onde estao os aparelhos de assistencia humanitaria do Programa Alimentar Mundial, do ACNUR, da UNICEF... Estao todos de ferias em Darwin?

segunda-feira, maio 29, 2006

Dias de orgulho

Critiquei algumas vezes no passado a atitude de muitos portugueses em Timor, nomeadamente por nao se esforcarem minimamente por aprender tetum. Pois hoje posso dizer com sinceridade que sinto um grande orgulho por ser portugues em Timor e testemunhar aqui a serenidade com que a comunidade portuguesa tem encarado a situacao tensa dos ultimos dias, e a forma como tem manifestado a sua solidariedade com o povo timorense recusando-se a abandonar o pais, para poder retomar o trabalho o mais brevemente possivel.
Um obrigado especial ao Victor e ao Joao, coordenadores do projecto no qual trabalho, porque tem gerido a situacao com grande profissionalismo.
Um obrigado especial para o meu pai tambem, por me terem acordado a telefonar la de Portugal quando aqui eram seis da manha a perguntar: Entao esses medrosos vao fugir? Tu nao vais fugir, pois nao?!?
Um obrigado mais especial ainda para a minha noiva, que comigo decidiu ontem a noite (quando se perspectivava uma evacuacao) que ficariamos, porque ha um amanha. E vai ser um dia de sol.