segunda-feira, julho 03, 2006

Xenofobia em Timor

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3 comentários:

Praça Stephens disse...

Caro João Paulo, boa tarde

Temos o mesmo nome, somos quase da mesma idade e, talvez, um fascínio
semelhante pela diáspora ( o meu é marcadamente contemplativo o teu,
como se vê, actuante). Desejo que tudo corra bem aí num lugar tão
difícil.
Um grande abraço

João Paulo Pedrosa

Manoel das Couves disse...

E o que é que as televisões, as rádio e os jornais nos contam de Timor?
Se eles nem conhecem Timor...
Os correspondentes da RTP, da RDP e da Lusa... nunca saíram do distrito de Dili. Quando muito arriscam ir até Aileu. E é assim desde há quatro anos. A única vez que viu imagens de Baucau foi para mostrar a chegada do contingente da GNR a Timor.
Ninguem (dos públicos aos privados) nos conta o que se passa em Timor... falam-nos apenas do que acontece nas ruas de Dili.
E quando vê uma imagens das tais montanhas... lá estão eles a falar de uma coisa que fica a... 25 quilómetros de Dili.
Alguma vez ouviu falar de Soibada, Viqueque ou Manatuto??? E Manatuto é a sede do maior distrito de Timor... e está a cerca de 60 quilómetros por uma estrada à beira mar... é pouco mais uma hora para lá chegar...
Há vida em Timor fora de uma capital que, à custa da guerra, concentrou refugiados, desalojados, desempregados, etc. etc. etc. Não é aí que estão os campos, os arrozais, as manadas de búfalos, etc. etc. Mas lá está concentrada a administração e a intriga política... e os jornalistas não arredam pé.
E não são apenas os jornalistas que fazem isto. A própria Embaixada de Portugal tem ajudado à festa... Seria interessante - em relação ao pessoal diplomático colocado em Dili - saber o que é que eles já conheceram de Timor fora de Dili (além de algumas praias paradisíacas...).
Dou-lhe um exemplo em jeito de pergunta:
Quem organizou o programa de deslocação do então 1º Ministro António Guterres (aquando da sua visita a Timor) e o fez voar de helicóptero até Baucau, saberia - quando o aparelho estava a voar sobre Manatuto - que estava a sobrevoar um distrito em que toda a assistência médica humanitária à populações era assegurada por voluntários de uma organização portuguesa (a AMI)?
Se calhar, se tivessem dito isso ao 1º Ministro, ele talvez conseguisse arranjar 5 minutos no programa de recepções e outros actos festivos para visitar o hospital que os portugueses tinham criado e posto em funcionamento.
Mas isto é apenas um exemplo de uma mentalidade que contaminou também os senhores jornalistas...

Manoel das Couves
Abanação

Arthur Cavalheiro disse...

Pior aqui, no Brasil, onde a maior parte da população não faz a mínima idéia de onde fica o Timor-Lorosae, tampouco quantos problemas enfrentaram para se livrar da Indonésia.

Entristece-me, muito, o fato de nossa cultura brasileira não se desenvolver de forma própria e ater-se às raizes de outras culturas. O índio brasileiro recebe um dia para ele como homenagem, mas nossos costumes são todos importados. Dizem que o Samba é brasileiro... pois é, veio de um Carnaval de Veneza, isturado com ritmos africanos... não vejo nada de brasileiro... Assim como os arraiais de festa junina. Oras, não foram os portugueses que instituíram essas celebrações? E a feijoada, que surgiu também dos africanos que aqui aportaram?

Muitos exemplos eu poderia dar (e darei, caso queiram!). Porém, o que realmente poderia unir o Brasil ao resto do mundo seria seu idioma, uma derivação do português falado em Portugal e suas ex-colônias. Perceba: o mundo lusófono já esteve em todos os continentes e capenga para não desaparecer em vários lugares. E que cultura tão rica temos nos falares crioulos, papiás e qualquer outra língua descendente?

Tento estudar o Papiá Kristang (Cristang), mas onde estão as fontes? Indigno-me ao saber que muitos letrados não supõem sequer que isso seja um dialeto português.

Também, vivo num país que as pessoas prezam apenas o seu p´roprio egoísmo. Quando que o governo brasileiro disse que iria mandar forças de segurança junto às Nações Unidas para ajudar a nação Timorense? Mas mandam para o Haiti, que nem é tão importante para nós, a não ser galgar o posto dentro do Conselho de Segurança. Oras, mas não seria mais sábio e digno, não só ajudar uma nação que vem da mesma descendência como aproveitar para fazer um intercâmbio de idéias, comércio e cultura? Um entreposto para ambos poderem iniciar-se em continentes diferentes, uma porta de entrada?

Começo a aprender o Tetum, por respeito a uma nação que acompanhei nas suas batalhas (lógico, assistindo pela BBC, pois aqui no Brasil, muito pouco se falava!) e dar crédito ao Excelentíssimo Senhor Xanana Gusmão, que fez a apresentação de seu idioma num livro de frases... editado por australianos (sem comentários.).

Talvez só nos reste sermos salvos pela Fundação Calouste Goulbenkian, que deve ter acervos de Papiá Kristang e de Batticaloa em suas bibliotecas.

Enquanto isso, temo pela lusofonia, que aqui parece perder espaço para mais e mais anglicismos.

Espero que o português seja sempre preservado em Timor Leste, tanto quanto o Tetum. Vocês aí têm uma história própria. A começar pela história sobre o surgimento da ilha, das costas de um crocodilo...

A busca continua. A única fonte online de Paiá-Cristang está fora do ar. Se alguém tiver algum conhecimento deste idioma e gramática, por favor, me avisem.

Arthur Martins Mendes Cavalheiro
talk2martinsmendes@gmail.com