quinta-feira, julho 16, 2009

Após uma década de apoio à reintrodução da língua portuguesa em Timor

Isto são as fotografias das prateleiras de livros sobre línguas numa das principais livrarias da capital timorense. Temos:
- 1 Dicionário de inglês-indonésio
- 1 Dicionário de indonésio-inglês
- 1 Dicionário de sueco-indonésio
- 2 Dicionários distintos de alemão-indonésio,
- 1 Dicionário de indonésio-alemão
- 1 Dicionário de alemão-indonésio e indonésio-alemão
- 1 Dicionário de italiano-indonésio
- 1 Dicionário de tétum-indonésio e indonésio-tétum (publicado pela Gramedia – que é uma livraria/editora do tipo Fnac na Indonésia - de acordo com as normas oficiais em vigor para o tétum)
- 1 Dicionário de coreano-indonésio e indonésio-coreano
- 1 Dicionário de francês-indonésio e indonésio-francês
- 1 Dicionários de francês-indonésio,
- 1 Dicionário de indonésio-espanhol
- 1 Dicionário de espanhol-indonésio
- diversos dicionários indonésios de termos técnicos de biologia, química, física, medicina, economia, sociologia, política moderna, expressões idiomáticas, etc.

Não existem no mercado dicionários de indonésio-português, nem de português-indonésio, nem dicionários de português-tétum, nem dicionários de tétum(contemporâneo e oficial)-português. Após uma década de projectos de apoio à reintrodução da língua portuguesa em Timor, é impressão minha ou falta aqui alguma coisa?

13 comentários:

Anónimo disse...

Falta alguma coisa, não há dúvida...

E falas só dos dicionários porque não tens a noção do tipo de formação "específica" que os profs do PRLP têm vindo a receber...

E falas só dos dicionários porque não conheces os programas de ensino da LP em TL nem as sugestões metodológicas para a sua aplicação exigidas pela coordenação científica e pedagógica do PRLP...

E falas só dos dicionários porque não fazes ideia do tipo de instrumentos usados para garantir uma inevitável e esmagadora "avaliação" positiva da actividade do PRLP deste ano...

Falta alguma coisa, não há dúvida.

Abraço

Aestas disse...

Falta mesmo! e muito!! Muito bem captada a foto, o status quaestionis... como tb no post da Lusofonia e TV... que raio... tudo isso se sabe e nada se faz!???!!! fogo...

Fafá disse...

olá João Paulo! Parabéns pelo blog. Estou aprendendo muito sobre Timor lendo o que vc nos conta. Obrigada!
Trabalho como produtora na Unidade Técnica do I Programa de Fomento à Produção e Teledifusão do Documentário da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – DOCTV CPLP, sediada na TVE Bahia. Estaremos precisando de um tradutor de tetum para o portugues, pois o vencedor em Timor Leste, o Victor de Sousa Pereira, não fala portugues e teremos uma oficina em setembro com os 9 premiados do nosso programa. Pode me ajudar a localizar alguem disponivel para viajar até Moçambique e que, de preferencia, tenha algum conhecimento em produção audiovisual?
Podemos conversar melhor por email, me passe seu endereço que me explico melhor.
Obrigada pela atenção, e espero seu retorno.

Ken Westmoreland disse...

João Paulo,

Já escrevi acerca disso no blogue Uma Lulik. Quando li que houve agora um dicionário sueco-indonésio, fiquei zangado.

Mas o que fez Portugal? Alguem me deu o pretexto patético que teria sido possível para compilar um dicionário português-indonésio por causa da falta de relações diplomáticas entre Portugal e a Indonésia.

Teria sido possível para chamar a língua 'malaio' em vez de 'indonésio' para fazê-la mais aceitável ao público português, mas o Brasil sempre manteve relações diplomáticas com a Indonésia.

O que é incrível é que o Instituto Camões está a ensinar o português em Jacarta, sem dicionários português-indonésio nem indonésio-português.

Com amigos como o Instituto Camões, a língua de Camões não precisa de inimigos!

Anónimo disse...

Existe um dicionário Indonésio-Português compilado pelo Prof. Geoffrey Hull. Está pronto para impressão pelo menos desde 2004. O Instituto Camões, a Fundação Gulbenkian, a Fundação Oriente, contactados para o efeito, não se mostraram interessados. A Lidel declarou que não havia em Timor-Leste mercado para tal dicionário.

Está em preparação, pelo menos desde 2004, um dicionário Tétum-Português baseado numa tradução/adaptação do "Standard Tetum-English Dictionary" do Prof. Geoffrey Hull. O trabalho de tradução, inicialmente financiado pelo Instituto Camões, está parado há bastante tempo por falta de verba e interesse.

Lusofonia? Reintrodução da língua portuguesa? ....

Margarida Az disse...

Realmente, o panorama é mesmo mau ...

Anónimo disse...

meu caro JP

realmente só há uma palavra para tudo isto: VERGONHA......

e o drama é que isto vem desde o CATL do melícias.... na altura o que importava era 'folclore'... agora é o que se vê...

um abraço amigo do
st

Anónimo disse...

Será que os dicionarios (tetum-portugues-tetum)foram oferecidos pela cooperação portuguesa em todo o territorio e por isso nenhum timorense precisa de compra-lo?!

ehehehe

João Paulo Esperança disse...

Talvez não seja bem assim...
Não há dicionários recentes de português-tétum. Há um do Padre Sebastião Aparício da Silva publicado em 1889, mas está fora do mercado [ehehehe] e a cooperação portuguesa não distribuiu nenhum.
Deve ter notado que eu dizia:
"nem dicionários de tétum(contemporâneo e oficial)-português".
O dicionário que foi distribuído em grandes quantidades pela cooperação portuguesa é de tétum-português e é da autoria de Luís Costa. Mesmo esse teve dificuldades na fase de elaboração para encontrar apoios, talvez a cooperação portuguesa na época tivesse pouca esperança na libertação de Timor. De qualquer forma, trata-se de uma obra interessante mas com muitas limitações. Não segue a ortografia oficial, é demasiado purista, procura consagrar um basilecto que só é usado por velhinhas nas montanhas, não dá conta de terminologia do mundo moderno, e foi feito "para malai ver" e não tendo em conta as necessidades do utilizador tetumófono...

Ken Westmoreland disse...

Yohanes Manhitu (o autor do dicionário indonésio-tétum) seria uma boa pessoa para contactar acerca de um dicionário indonésio-português, porque teria contactos com Gramedia.

Maria Irmler em Jacarta já me escreveu acerca disto:

A Gramedia já me pediu, várias vezes, para trabalhar num didicionário. Porém o tempo é pouco, não consigo ter disponibilidade para essa tarefa. Mas, se pudesse fazê-lo, faria apenas indonésio-português e vice-versa.

O mesmo se passa em relação a materiais didácticos. Existem muitos materiais espanhóis, é verdade. Eles podem ser tomados como inspiração e modelo, também é verdade. Mas continua, ainda, a faltar o tempo e as pessoas para iniciarem essa tarefa!

Concordo consigo, seria muito importante ter telenovelas e filmes falados em português de Portugal (ou do Brasil), com legendas em indonésio! Os indonésios consomem cada vez mais material audio-visual!

Moe disse...

Olá João Paulo! Muitos parabens por teu blog! Estava a procurar sites em Português para me preparar para um exame oral e escrito em Português quando deparei-me com este blog que realmente é muito fixe.

Sou filipino mas apaixono-me pela Lusofonia. Isso quer dizer que também gosto do Timor-Leste. Ali, qual é a percentagem dos Timorenses que falam Português; quer como língua materna ou segunda língua?

Aiano disse...

já agora onde fica essa livraria? , é que eu gostava muito de comprar uns dicionários.

João Paulo Esperança disse...

Em Colmera, logo a seguir à Harvey World Travel e em frente a umas lojas de chineses RPC.