Um blog em português - e de vez em quando em tétum e em tocodede - sobre os devaneios de um professor e tradutor ilhavense a morar em Timor. Sobre temas timorenses e do Oriente em geral, e sobre outras coisas de vez em quando...
segunda-feira, agosto 07, 2006
Xanana há seis anos
Um texto de há seis anos que nos ajuda a perceber a raiz de alguns problemas:
Xanana, as bandeiras e o povo de Ainaro
Reportagem de Adelino Gomes publicada na revista “Pública” de 23 de Janeiro de 2000
“Ainaro arvora os de olhar vivo.”
Ruy Cinatti, “Para Uma Corografia Emotiva de Timor” (1946-1972)
Já passou mais de uma hora, mas há ainda gente a entrar no vasto salão do “pré-seminário” S. Luís Gonzaga, no centro de Ainaro. Empurradas pela multidão, as crianças sentam-se tão à frente que podem tocar-lhe, se quiserem. O ritual da recepção seguiu o esquema consagrado: honras militares prestadas pelos mais velhos, armados de catanas e flechas, os braços e os tornozelos enfeitados de colares, braceletes, adornos de prata; versos da exaltação da luta e do líder recitados por uma criança (muitas vezes, como foi o caso hoje, em uniforme de escuteiro); relatório das actividades políticas da região pelo responsável local; discurso do “Presidente do CNRT”, Xanana Gusmão.
O povo é agora convidado a falar das suas dificuldades, a levantar dúvidas, a pedir esclarecimentos. Xanana puxa de mais um cigarro. Percorre a assistência com o olhar, à espera da primeira pergunta, que tarda.
No seu longo discurso, fizera uma viagem pela história dos 24 anos de ocupação, ressaltando o papel desempenhado pelas populações na resistência. Detivera-se na transição e nos desafios da independência (“atenção que não a temos ainda. Ela paira no ar. Mas precisamos de a construir. A ocupação durou 24 anos. O CNRT [Conselho Nacional da Resistência Timorense] dá 25 anos para a reconstrução. E vai provar que pode construir um país”). Termina insistindo na supremacia do poder do povo sobre os governantes: “Não é o Presidente que vai governar; não é o ministro que vai governar. É o povo. Se o presidente roubar, vai para a cadeia. Se o ministro roubar, tiramo-lo e metemo-lo na cadeia.” Como numa espécie de preparação para o momento seguinte, explica o que quer dizer a palavra “democracia”. E acentuou a necessidade da livre crítica: “No tempo dos indonésios dizíamos que alguma coisa estava mal e eles cortavam-nos os dedos. Agora, se está mal, devemos dizer que está mal.” A primeira intervenção pertence a um homem que diz chamar-se Armando Fernandes e que se queixa da falta de comida, mas cuja maior preocupação se centra em questões políticas. Quer saber, definitivamente, que bandeira devem os timorenses respeitar mais: a da RDTL República Democrática de Timor-Leste (que a Fretilin hasteou na proclamação unilateral de independência, em 28 de Novembro de 1975) ou a do CNRT, em que os timorenses votaram no referendo de 30 de Agosto? O homem não deixa dúvidas quanto ao que pensa, ao caracterizar a bandeira da RDTL como “aquela pela qual os nossos irmãos, os nossos amigos, os nossos guerrilheiros morreram ao longo destes 24 anos”.
Xanana pede que outros façam mais perguntas. Levanta-se uma mulher, vestida de preto. Senhora de uma notável facilidade de expressão, começa por desejar Boas Festas ao líder para logo a seguir perguntar, “com todo o respeito”, qual a bandeira que o povo deve honrar: “A da RDTL, que içámos durante a luta”, ou a do CNRT?
O terceiro interveniente pergunta para onde vai Timor, “se cada um começa a puxar a brasa à sua sardinha?”. Já se adivinha mesmo o que ele pretende: ouvir de Xanana uma palavra sobre qual a bandeira que o povo deve respeitar mais...
O líder timorense, que começara há minutos a remexer-se na cadeira, levanta-se e arranca para uma resposta que durará quase uma hora. Ainda na noite anterior, em conversa informal com o PÚBLICO, a caminho precisamente desta cidade, Xanana mostrara-se convencido da insignificância do novo partido que adoptou o nome e a bandeira da efémera República Democtrática de Timor-Leste (RDTL). “É um pequeno grupo de radicais”, comentara, displicente.
Constituído por figuras conhecidas mas minoritárias da antiga Fretilin, o grupo tornou-se muito falado em Díli por ter feito uma aliança aparentemente contranatura como o PNT (Partido Nacionalista Timorense, de Abílio Araújo, o antigo presidente da Fretilin que mais tarde veio a defender a tese de uma autonomia alargada no seio da Indonésia) e por uma razão à margem do debate político: um dos seus membros esbofeteou em público o dirigente da Fretilin, Mari Alkatiri, mal este regressou a Timor-Leste.
A sucessão fulminante de perguntas sobre a bandeira parece demonstrar, contudo, uma identificação dos “radicais” com o povo e aconselha Xanana a uma resposta firme e convincente.
“Temos de voltar atrás”, começa, recordando as condições em que, pressionada pela Indonésia que já ocupava militarmente boa parte da zona fronteiriça e isolada de Portugal, que fazia orelhas moucas aos seus pedidos de negociação, a Fretilin decidiu proclamar unilateralmente a independência. “A RDTL foi uma decisão política para parar a invasão em Atabai. Tomámo-la em casa do Xavier [do Amaral, ao tempo presidente da Fretilin].”
“U-ni-la-te-ral-men-te””, martela por várias vezes. “Se a comunidade internacional a tivesse reconhecido, a ONU tinha mandado tropas [quando a Indonésia invadiu o território]. Ora o que aconteceu foi que a ONU aprovou uma resolução recomhecendo Portugal como potência administrante. Se a ONU e Portugal tivessem reconhecido a RDTL, não precisaríamos de um referendo. Por causa do referendo é que veio a Interfet. Por causa do referendo é que vem agora a força de manutenção de paz.”
Xanana detém-se no impasse a que a resistência chegou no início da década de 80, quando, do Comité Central que enfrentou as legiões de Suharto, apenas ele e Ma’Huno restavam no mato. Conta o que lhe disse em 1982 o “saudoso bispo” D. Martinho Lopes (a quem o Vaticano viria a afastar da diocese de Díli por o considerar demasiado próximo da resistência): “Filho, larga o marxismo. Temos de agarrar o povo todo.” Revela os apoios que iam surgindo à luta contra a ocupação indonésia das mais inesperadas figuras e filiações partidárias. “Os padres apoiavam; Guilherme Gonçalves, ninguém sabe, mas muitos documentos saíram de Jacarta através dele; a UDT queria ajudar”, mas o “comunismo” da Fretilin constituía um obstáculo intransponível a uma aliança. Diz que estes foram os fundamentos do processo por si liderado de despartidarização das Falintil e de criação de uma estrutura política mais abrangente – o Conselho Nacional da Resistência Maubere (CNRM). E explica que tamanha era a necessidade de alargar cada vez mais a base de apoio da resistência que rapidamente se decidiu eliminar da sigla a letra M (de maubere) substituindo-a pela letra T (de timorense).
Volta então ao tema da bandeira. “Não foi só a Fretilin que fez a guerra. Também a fizeram a Igreja, a UDT, outros partidos. Porque é que dizemos que as Falintil são do povo? Porque saíram da Fretilin e passaram a abranger toda a gente.” Por isso a sua bandeira foi adoptada pelo CNRT. Insiste que a RDTL foi uma decisão “unilateral” da Fretilin. “Muitos dizem que derramámos o sangue pela bandeira. É verdade. Mas o nosso objectivo é mais do que a bandeira: é a independência.”
Senta-se e fica a aguardar uma nova ronda de perguntas. Uma mulher e um homem levantam-se, chegam à frente e falam. A dúvida que os atormenta resume-se no essencial em saber qual das duas bandeiras (a da RDTL ou do CNRT) deve ser mais respeitada?
Xanana não se dá por achado e inicia um novo discurso explicativo, agora mais brutal. “Em 1977, a Fretilin decidiu adoptar o marxismo-leninismo. O povo não foi ouvido. Matou-se muita gente.” Bate repetidamente na mesa. “O sangue foi derramado pela bandeira ou pelo significado da bandeira? O significado é a nossa independência. Eu respeito a bandeira da RDTL. Não podemos apagar o dia 28 de Novembro da História. Mas também o 11 de Agosto [data do golpe da UDT]. E o 20 de Agosto [data do contragolpe da Fretilin]. Da História faz parte o bem e o mal. Quem quiser tem direito a continuar agarrado ao 28 de Novembro. Para mim, a data mais importante é a [do referendo] de 30 de Agosto.”
Cala-se, acende novo cigarro, dá uns goles no café que as mulheres vieram distribuir pelos convidados. Sucedem-se no uso da palavra outros elementos da assistência, todos na casa dos 40 anos. Martinho quer saber qual a bandeira mais importante; António mistura tétum com bahasa para perguntar no essencial o mesmo – RDTL ou CNRT?
Xanana parece à beira de um ataque de nervos. A bandeira da transição é a bandeira do CNRT, que é a bandeira das Falintil, que é a bandeira da unidade nacional, diz, em resumo. Mas o discurso agora desbrava outro caminho: “Não é preciso pensar já na bandeira da independência. Porque estamos ainda com fome, ainda estamos doentes.” Depois das eleições, quando houver uma Assembleia Constituinte, então haverá um concurso para a bandeira. Conta uma história passada durante o período em que as milícias quiseram obrigar toda a gente a hastear uma bandeira indonésia em casa. Para irritação dos jovens, um velho, no Oecussi, cedeu às pressões e pendurou a bandeira indonésia numa árvore sagrada. Resposta do velho aos protestos dos jovens: “Vocês são cultos mas parvos. É preciso sabermos viver. Depois, no referendo, eu vou votar na independência. E nessa altura o pano da bandeira indonésia nem para fazer cuecas me vai servir.”
O povo ri. Xanana mal goza o efeito, disparando logo outra história, de sinal contrário, mas com o mesmo objectivo táctico de desdramatizar a importância da bandeira, que ameaça transformar-se nestas quase quatro horas que leva já a sessão de esclarecimento no tema fetiche de toda a vida política de Timor. Antigo soldado de 2ª linha quando Timor era uma colónia de Portugal, um velho recusou-se a levantar a bandeira indonésia. “Porquê?”, quis saber um militar indonésio. “Porque no tempo dos portugueses ensinaram-me que nem a sombra dela nós podíamos pisar. Mas agora, com vocês, até no curral dos porcos se põem as bandeiras...”
A sessão termina com os vivas da praxe a Ka[i] Rala Xanana Gusmão e a Timor-Leste. O líder timorense sai de semblante mais carregado do que é habitual. Decide ali mesmo fazer uma visita surpresa a uma povoação das redondezas, Soro Crai, onde há dez anos o povo escavou um buraco de quatro metros e ali o manteve escondido da tropa indonésia, durante mais de um mês.
O jipe que a solidariedade japonesa lhe ofereceu e a bordo do qual tem vindo a percorrer o território toma o caminho de Maubisse. Antes do desvio para a aldeia, numa casa isolada do lado esquerdo de quem sai de Ainaro, um pano vermelho e negro flutua no topo de um comprido mastro. “Olha, olha, a bandeira da RDTL”, diz um dos membros da comitiva. Está desvendado o mistério das perguntas todas iguais de toda a gente durante toda a manhã. O pequeno grupo de radicais promete obrigar Xanana a responder ainda por muito tempo à pergunta de Armando Fernandes e de mais uma dezena de homens e mulheres de Ainaro: qual é a bandeira que os timorenses devem respeitar mais – a do CNRT, ou a da RDTL, pela qual milhares derramaram sangue ao longo de um quarto de século?
Xanana, as bandeiras e o povo de Ainaro
Reportagem de Adelino Gomes publicada na revista “Pública” de 23 de Janeiro de 2000
“Ainaro arvora os de olhar vivo.”
Ruy Cinatti, “Para Uma Corografia Emotiva de Timor” (1946-1972)
Já passou mais de uma hora, mas há ainda gente a entrar no vasto salão do “pré-seminário” S. Luís Gonzaga, no centro de Ainaro. Empurradas pela multidão, as crianças sentam-se tão à frente que podem tocar-lhe, se quiserem. O ritual da recepção seguiu o esquema consagrado: honras militares prestadas pelos mais velhos, armados de catanas e flechas, os braços e os tornozelos enfeitados de colares, braceletes, adornos de prata; versos da exaltação da luta e do líder recitados por uma criança (muitas vezes, como foi o caso hoje, em uniforme de escuteiro); relatório das actividades políticas da região pelo responsável local; discurso do “Presidente do CNRT”, Xanana Gusmão.
O povo é agora convidado a falar das suas dificuldades, a levantar dúvidas, a pedir esclarecimentos. Xanana puxa de mais um cigarro. Percorre a assistência com o olhar, à espera da primeira pergunta, que tarda.
No seu longo discurso, fizera uma viagem pela história dos 24 anos de ocupação, ressaltando o papel desempenhado pelas populações na resistência. Detivera-se na transição e nos desafios da independência (“atenção que não a temos ainda. Ela paira no ar. Mas precisamos de a construir. A ocupação durou 24 anos. O CNRT [Conselho Nacional da Resistência Timorense] dá 25 anos para a reconstrução. E vai provar que pode construir um país”). Termina insistindo na supremacia do poder do povo sobre os governantes: “Não é o Presidente que vai governar; não é o ministro que vai governar. É o povo. Se o presidente roubar, vai para a cadeia. Se o ministro roubar, tiramo-lo e metemo-lo na cadeia.” Como numa espécie de preparação para o momento seguinte, explica o que quer dizer a palavra “democracia”. E acentuou a necessidade da livre crítica: “No tempo dos indonésios dizíamos que alguma coisa estava mal e eles cortavam-nos os dedos. Agora, se está mal, devemos dizer que está mal.” A primeira intervenção pertence a um homem que diz chamar-se Armando Fernandes e que se queixa da falta de comida, mas cuja maior preocupação se centra em questões políticas. Quer saber, definitivamente, que bandeira devem os timorenses respeitar mais: a da RDTL República Democrática de Timor-Leste (que a Fretilin hasteou na proclamação unilateral de independência, em 28 de Novembro de 1975) ou a do CNRT, em que os timorenses votaram no referendo de 30 de Agosto? O homem não deixa dúvidas quanto ao que pensa, ao caracterizar a bandeira da RDTL como “aquela pela qual os nossos irmãos, os nossos amigos, os nossos guerrilheiros morreram ao longo destes 24 anos”.
Xanana pede que outros façam mais perguntas. Levanta-se uma mulher, vestida de preto. Senhora de uma notável facilidade de expressão, começa por desejar Boas Festas ao líder para logo a seguir perguntar, “com todo o respeito”, qual a bandeira que o povo deve honrar: “A da RDTL, que içámos durante a luta”, ou a do CNRT?
O terceiro interveniente pergunta para onde vai Timor, “se cada um começa a puxar a brasa à sua sardinha?”. Já se adivinha mesmo o que ele pretende: ouvir de Xanana uma palavra sobre qual a bandeira que o povo deve respeitar mais...
O líder timorense, que começara há minutos a remexer-se na cadeira, levanta-se e arranca para uma resposta que durará quase uma hora. Ainda na noite anterior, em conversa informal com o PÚBLICO, a caminho precisamente desta cidade, Xanana mostrara-se convencido da insignificância do novo partido que adoptou o nome e a bandeira da efémera República Democtrática de Timor-Leste (RDTL). “É um pequeno grupo de radicais”, comentara, displicente.
Constituído por figuras conhecidas mas minoritárias da antiga Fretilin, o grupo tornou-se muito falado em Díli por ter feito uma aliança aparentemente contranatura como o PNT (Partido Nacionalista Timorense, de Abílio Araújo, o antigo presidente da Fretilin que mais tarde veio a defender a tese de uma autonomia alargada no seio da Indonésia) e por uma razão à margem do debate político: um dos seus membros esbofeteou em público o dirigente da Fretilin, Mari Alkatiri, mal este regressou a Timor-Leste.
A sucessão fulminante de perguntas sobre a bandeira parece demonstrar, contudo, uma identificação dos “radicais” com o povo e aconselha Xanana a uma resposta firme e convincente.
“Temos de voltar atrás”, começa, recordando as condições em que, pressionada pela Indonésia que já ocupava militarmente boa parte da zona fronteiriça e isolada de Portugal, que fazia orelhas moucas aos seus pedidos de negociação, a Fretilin decidiu proclamar unilateralmente a independência. “A RDTL foi uma decisão política para parar a invasão em Atabai. Tomámo-la em casa do Xavier [do Amaral, ao tempo presidente da Fretilin].”
“U-ni-la-te-ral-men-te””, martela por várias vezes. “Se a comunidade internacional a tivesse reconhecido, a ONU tinha mandado tropas [quando a Indonésia invadiu o território]. Ora o que aconteceu foi que a ONU aprovou uma resolução recomhecendo Portugal como potência administrante. Se a ONU e Portugal tivessem reconhecido a RDTL, não precisaríamos de um referendo. Por causa do referendo é que veio a Interfet. Por causa do referendo é que vem agora a força de manutenção de paz.”
Xanana detém-se no impasse a que a resistência chegou no início da década de 80, quando, do Comité Central que enfrentou as legiões de Suharto, apenas ele e Ma’Huno restavam no mato. Conta o que lhe disse em 1982 o “saudoso bispo” D. Martinho Lopes (a quem o Vaticano viria a afastar da diocese de Díli por o considerar demasiado próximo da resistência): “Filho, larga o marxismo. Temos de agarrar o povo todo.” Revela os apoios que iam surgindo à luta contra a ocupação indonésia das mais inesperadas figuras e filiações partidárias. “Os padres apoiavam; Guilherme Gonçalves, ninguém sabe, mas muitos documentos saíram de Jacarta através dele; a UDT queria ajudar”, mas o “comunismo” da Fretilin constituía um obstáculo intransponível a uma aliança. Diz que estes foram os fundamentos do processo por si liderado de despartidarização das Falintil e de criação de uma estrutura política mais abrangente – o Conselho Nacional da Resistência Maubere (CNRM). E explica que tamanha era a necessidade de alargar cada vez mais a base de apoio da resistência que rapidamente se decidiu eliminar da sigla a letra M (de maubere) substituindo-a pela letra T (de timorense).
Volta então ao tema da bandeira. “Não foi só a Fretilin que fez a guerra. Também a fizeram a Igreja, a UDT, outros partidos. Porque é que dizemos que as Falintil são do povo? Porque saíram da Fretilin e passaram a abranger toda a gente.” Por isso a sua bandeira foi adoptada pelo CNRT. Insiste que a RDTL foi uma decisão “unilateral” da Fretilin. “Muitos dizem que derramámos o sangue pela bandeira. É verdade. Mas o nosso objectivo é mais do que a bandeira: é a independência.”
Senta-se e fica a aguardar uma nova ronda de perguntas. Uma mulher e um homem levantam-se, chegam à frente e falam. A dúvida que os atormenta resume-se no essencial em saber qual das duas bandeiras (a da RDTL ou do CNRT) deve ser mais respeitada?
Xanana não se dá por achado e inicia um novo discurso explicativo, agora mais brutal. “Em 1977, a Fretilin decidiu adoptar o marxismo-leninismo. O povo não foi ouvido. Matou-se muita gente.” Bate repetidamente na mesa. “O sangue foi derramado pela bandeira ou pelo significado da bandeira? O significado é a nossa independência. Eu respeito a bandeira da RDTL. Não podemos apagar o dia 28 de Novembro da História. Mas também o 11 de Agosto [data do golpe da UDT]. E o 20 de Agosto [data do contragolpe da Fretilin]. Da História faz parte o bem e o mal. Quem quiser tem direito a continuar agarrado ao 28 de Novembro. Para mim, a data mais importante é a [do referendo] de 30 de Agosto.”
Cala-se, acende novo cigarro, dá uns goles no café que as mulheres vieram distribuir pelos convidados. Sucedem-se no uso da palavra outros elementos da assistência, todos na casa dos 40 anos. Martinho quer saber qual a bandeira mais importante; António mistura tétum com bahasa para perguntar no essencial o mesmo – RDTL ou CNRT?
Xanana parece à beira de um ataque de nervos. A bandeira da transição é a bandeira do CNRT, que é a bandeira das Falintil, que é a bandeira da unidade nacional, diz, em resumo. Mas o discurso agora desbrava outro caminho: “Não é preciso pensar já na bandeira da independência. Porque estamos ainda com fome, ainda estamos doentes.” Depois das eleições, quando houver uma Assembleia Constituinte, então haverá um concurso para a bandeira. Conta uma história passada durante o período em que as milícias quiseram obrigar toda a gente a hastear uma bandeira indonésia em casa. Para irritação dos jovens, um velho, no Oecussi, cedeu às pressões e pendurou a bandeira indonésia numa árvore sagrada. Resposta do velho aos protestos dos jovens: “Vocês são cultos mas parvos. É preciso sabermos viver. Depois, no referendo, eu vou votar na independência. E nessa altura o pano da bandeira indonésia nem para fazer cuecas me vai servir.”
O povo ri. Xanana mal goza o efeito, disparando logo outra história, de sinal contrário, mas com o mesmo objectivo táctico de desdramatizar a importância da bandeira, que ameaça transformar-se nestas quase quatro horas que leva já a sessão de esclarecimento no tema fetiche de toda a vida política de Timor. Antigo soldado de 2ª linha quando Timor era uma colónia de Portugal, um velho recusou-se a levantar a bandeira indonésia. “Porquê?”, quis saber um militar indonésio. “Porque no tempo dos portugueses ensinaram-me que nem a sombra dela nós podíamos pisar. Mas agora, com vocês, até no curral dos porcos se põem as bandeiras...”
A sessão termina com os vivas da praxe a Ka[i] Rala Xanana Gusmão e a Timor-Leste. O líder timorense sai de semblante mais carregado do que é habitual. Decide ali mesmo fazer uma visita surpresa a uma povoação das redondezas, Soro Crai, onde há dez anos o povo escavou um buraco de quatro metros e ali o manteve escondido da tropa indonésia, durante mais de um mês.
O jipe que a solidariedade japonesa lhe ofereceu e a bordo do qual tem vindo a percorrer o território toma o caminho de Maubisse. Antes do desvio para a aldeia, numa casa isolada do lado esquerdo de quem sai de Ainaro, um pano vermelho e negro flutua no topo de um comprido mastro. “Olha, olha, a bandeira da RDTL”, diz um dos membros da comitiva. Está desvendado o mistério das perguntas todas iguais de toda a gente durante toda a manhã. O pequeno grupo de radicais promete obrigar Xanana a responder ainda por muito tempo à pergunta de Armando Fernandes e de mais uma dezena de homens e mulheres de Ainaro: qual é a bandeira que os timorenses devem respeitar mais – a do CNRT, ou a da RDTL, pela qual milhares derramaram sangue ao longo de um quarto de século?
Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
5:39 da tarde
2 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
bandeira da RDTL,
CNRT,
CPD-RDTL,
Falintil,
liberdade,
mauberismo,
RDTL,
Xanana Gusmão
Há medos e medos
Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
5:38 da tarde
1 comentário:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
baku besi,
Besi Merah Putih,
GNR,
Liquiçá,
medo,
violência de rua
as bocas
As bocas da Dona “Margarida” estao aqui e noutros comentarios do mesmo blog...
Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
5:29 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
Margarida,
Timor on-line
domingo, agosto 06, 2006
Os cães ladram mas a caravana passa
Fui acusado num blog de ser neo-colonialista e adversário do poder popular por causa desta minha frase, aí citada: “Aqueles que não vêem uma única coisa positiva na experiência colonial deverão considerar a colonização de Timor Oriental pelos portugueses como exemplar, já que primou pela ausência e pela pouca interferência nas estruturas sociais e culturais timorenses.” No mesmo blog “acusavam-me” ainda de ser um teórico da formação de elites. Analisemos então estas “acusações”, num espírito construtivo para ajudar alguns espíritos mais confundidos a verem a luz.
Quando se debate o colonialismo aparecem frequentemente os zelotes convencidos de que são donos da verdade, fanáticos dispostos a passar por cima de todos os factos que dificultem a adequação das suas teorias e grelhas de análise. Há uns de um lado a defender o nacionalismo serôdio das potências coloniais e a sua missão civilizadora atribuída directamente por Deus e “o fardo do homem branco”, e há os que estão do outro lado e que defendem a pureza igualitária imaculada dos povos oprimidos e a sua cultura superior própria de um Éden onde não havia injustiça antes da chegada do pérfido europeu. Estes são os teóricos d”o remorso do homem branco”, como explica Pascal Bruckner.
Vejamos o que dizem sobre esta questão dois académicos prestigiados da área dos estudos timorenses, Geoffrey Stephen Hull, Ph.D, da University of Western Sydney, e Adérito José Guterres Correia, M.A., da Universidade Nacional Timor Lorosa’e e sub-director do Instituto Nacional de Linguística, num livro que ambos escreveram e que recomendo a todos os cooperantes que trabalham com seriedade em Timor ou por Timor:
“Nu'udar ita hatene, prosesu istóriku ida-ne'ebé ita bolu naran kolonializmu iha aspetu barak. Ema polítiku sira temi beibeik kona-ba aspetu aat ka negativu kolonializmu nian, n.e. nasaun ida hadau nasaun seluk, hanehan populasaun mahorik hodi susu rain ne'e nia bokur no rikusoin tomak. Maibé ema matenek sira rekoñese mós kolonializmu nia aspetu di'ak ka pozitivu oioin, liuliu troka kulturál. Kontaktu ho ema raiseluk sira fó mós ba ema rai-na'in sira leet atu aprende buat barak, la'ós de'it hadi'a sira-nia teknolojia, maibé mós leet atu haluan no haburas sira-nia matenek.
Liuhosi kolonializmu portugés iha Timór, hanesan kolonializmu olandés iha rai-Indonézia, ema mahorik sira iha Nusa-Lubun Malaiu tama ba kontaktu ho kultura rai-Europa nian no mós ho matenek internasionál. Lia-tetun no lia-malaiu simu hosi lia-portugés ka lia-olandés termu tékniku, abstratu no modernu rihun ba rihun. Tan ne'e, lia-malaiu no lia-tetun hetan sorte atubele fahe lisuk rikusoin intelektuál boot ne'ebé naklekar hosi rai-Europa ba mundu tomak.” (página 95)
O livro chama-se “Kursu Gramátika Tetun – Ba Profesór, Tradutór, Jornalista no Estudante-Universidade Sira” e foi publicado em Díli, em 2005, pelo Instituto Nacional de Linguística (sairam duas edições, estou a citar a que tem prefácio do então Primeiro-Ministro, Dr. Mari Alkatiri).
Vou traduzir o excerto, para aqueles malais teóricos do poder popular que em Timor só falam com as elites e cujo contacto com o povo se limita a “Mana, kafé ida, mas tem que ser curto, escaldado e bem tirado!”.
“Como sabemos, o processo histórico a que chamamos colonialismo tem muitos aspectos. Os políticos mencionam muitas vezes os aspectos maus ou negativos do colonialismo, como a ocupação de uma nação por outra, e o espezinhamento dos seus habitantes para sugar todos os recursos e riquezas dessa terra. Mas as pessoas inteligentes também reconhecem aspectos bons ou positivos do colonialismo, principalmente ao nível das trocas culturais. Os contactos com gente de outras terras permitiram também às populações autóctones aprenderem muitas coisas, não apenas melhorando a sua tecnologia, mas dando-lhes também oportunidade de alargar os seus horizontes intelectuais e culturais.
Através do colonialismo português em Timor, bem como do colonialismo holandês na Indonésia, os habitantes do Arquipélago Malaio entraram em contacto com a cultura europeia e com a ciência internacional. A língua tétum e a língua malaia receberam do português e do holandês milhares de termos técnicos, abstractos e modernos. Por isso, o malaio e o tétum tiveram sorte em poderam partilhar riquezas intelectuais importantes que se espalharam da Europa para o mundo inteiro.” [o sublinhado é meu].
Em relação ao outro assunto, a ideia de ter algumas escolas de qualidade para formar elites não é obviamente minha, é muito antiga. Penso que a educação devia chegar a todos, mas não construo castelos no ar, porque vivo no Timor real. Ainda anteontem em Liquiçá um professor do ensino pré-secundário (7º ao 9º ano) me dizia que não tinham professores suficientes na escola dele para ensinar em português (apesar de serem essas as instruções oficiais) e que os poucos que tinha havido eram de lorosa’e e tinham fugido para as suas regiões de origem com medo de ataques. De resto, a Dona “margarida” [a tal senhora que me fez as acusações], se morar agora em Díli, ou vier a morar, vai pôr os seus filhos na Escola Portuguesa (para elites) ou continuará adepta de uma educação igual para toda a gente e de maneira coerente matriculará as suas crianças numa escola como a 28 de Novembro? E dou o exemplo da Escola 28 de Novembro por duas razões: 1) tem um nome revolucionário; 2) os seus filhos poderão talvez, com sorte, vir a ter a oportunidade de ver as massas populares em acção, e participar até nos acontecimentos, já que essa escola tem no seu palmarés ter sido o ponto de partida dos motins infanto-juvenis de 4 de Dezembro de 2002. Agora sem ironia, não há nada que distinga especialmente esta escola, e os jovens delinquentes pirómanos poderiam ter surgido de outra qualquer, como mostra a última vaga de incêndios nestes meses recentes. Timor tem uma percentagem muitíssimo grande da população constituída por crianças e jovens, que na maioria vão para a escola sem outra perspectiva que não seja vir a conseguir um “padrinho” que arranje um lugar na função pública ou então um emprego como “segurança”, eufemismo local para indivíduos contratados para dormir em frente à porta dos malais e endinheirados. Quase não há sector privado, faltam cá ainda “capitalistas”, “burgueses” e outros “inimigos das classes populares” que possam finalmente dinamizar a economia e arranjar mercado de trabalho para esta malta toda, recrutando mão-de-obra usando como critério o mérito individual do candidato. Há demasiados jovens cuja única forma de sobressair perante os seus pares é “armarem-se em galo de combate”.
Existem por outro lado muitos malais internacionalistas que ganham muito, compram nos supermercados produtos importados (até a hortaliça que comem vem da Austrália), mandam a maior do dinheiro que ganham para as suas contas bancárias nos países de origem, e são paladinos do poder popular e do anti-neo-colonialismo!
O corpo docente das escolas timorenses tem pouca formação, há grande falta de livros, a maior parte das pessoas fala ou compreende pelo menos algum português mas não o suficiente para ler nessa língua, os hábitos de leitura são de resto quase inexistentes, em qualquer idioma... O aluno médio termina a escola secundária com uma deficiente preparação de base que não lhe permite frequentar as universidades portuguesas, por exemplo. Por isso é que me parece não apenas importante, mas crucial, para o futuro do país que surjam algumas escolas de qualidade superior para a formação dos quadros que irão tomar conta do país daqui por uns anos. Neste momento há demasiadas instituições e estruturas do Estado que dependem ainda do trabalho de assessores internacionais para funcionarem, se não tivermos algumas escolas de excelência estaremos pior daqui por vinte anos.
Para as pessoas que andam à procura de cartões partidários para decidir se uma ideia é válida ou não, permito-me invocar aqui uma personalidade que certamente não irão atacar. Conheci na Guiné-Bissau quadros guineenses que deviam a sua educação e o seu sucesso como intelectuais aos esforços de Amílcar Cabral, que, há mais de três décadas, andava às vezes pelas tabancas da Guiné a procurar crianças com melhores resultados escolares para pedir aos pais delas que o deixassem mandá-las para uma escola-piloto numa base do seu movimento na Guiné-Conacri, para serem formadas e poderem servir no futuro o seu país. Alguns desses quadros eram provenientes de famílias muito humildes de camponeses ou vaqueiros (os seus irmãos continuam ainda a viver nas tabancas dos antepassados) e nunca teriam podido explorar todo o seu potencial se não tivessem tido a oportunidade de entrar numa escola de qualidade.
Não vão ser as massas de camponeses analfabetos que irão tomar conta das universidades, dos ministérios, dos bancos, das empresas, das companhias de telecomunicações, electricidade, água... Também não vão poder ser muitos dos alunos que actualmente chegam ao ensino superior em Timor. Há que deixar de ter medo das palavras, o país precisa de elites, de indivíduos bem formados – por muito que isso seja difícil de perceber para uns quantos líricos teóricos do poder das massas populares que andam por aí. No romance “Mayombe”, do escritor angolano Pepetela, há um personagem, chamado Mundo Novo, que também defende esse tipo de ideias. Diz ele:
“(...) Como se fosse possível fazer-se uma Revolução só com homens interesseiros, egoístas! Eu não sou egoísta, o marxismo-leninismo mostrou-me que o homem como indivíduo não é nada, só as massas constroem a história. Se fosse egoísta, agora estaria na Europa, como tantos outros, trabalhando e ganhando bem. Porque vim lutar? Porque sou desinteressado. Os operários e os camponeses são desinteressados, são a vanguarda do povo, vanguarda pura, que não transporta com ela o pecado original da burguesia de que os intelectuais só muito dificilmente se podem libertar. Eu libertei-me, graças ao marxismo.(...)”.
Na época os “intelectuais revolucionários desinteressados” tinham que abdicar dos empregos bem pagos na Europa, felizmente agora para os “malais desinteressados adeptos do poder das massas” existem ajudas de custo, e bar do Hotel Timor, e salários milionários na ONU ou na cooperação bilateral, e viagens a Auckland, Hong Kong, Bali, etc... Eu ganho mais do que a maior parte dos timorenses (e menos do que a grande maioria dos malais), mas não sou hipócrita. Enfim, na sequência das reflexões e debates no livro há um outro personagem, Sem Medo, que mais à frente diz:
“(...) É que, nos nossos países, tudo repousa num núcleo restrito, porque há falta de quadros, por vezes num só homem. Como contestar no interior dum grupo restrito? Porque é demagogia dizer que o proletariado tomará o poder. Quem toma o poder é um pequeno grupo de homens, na melhor das hipóteses, representando o proletariado ou querendo representá-lo. A mentira começa quando se diz que o proletariado tomou o poder. Para fazer parte da equipa dirigente, é preciso ter uma razoável formação política e cultural. O operário que a isso acede passou muitos anos ou na organização ou estudando. Deixa de ser proletário, é um intelectual. Mas nós todos temos medo de chamar as coisas pelos seus nomes e, sobretudo, esse nome de intelectual. Tu, Comissário, és um camponês? Porque o teu pai foi camponês, tu és camponês? Estudaste um pouco, leste muito, há anos que fazes um trabalho político, és um camponês? Não, és um intelectual. Negá-lo é demagogia, é populismo. (...) Mas começa-se a mentir ao povo, o qual bem vê que não controla nada o Partido nem o Estado e é o princípio da desconfiança, à qual se sucederá a desmobilização. (...) Como todos os do teu grupo, pensas que se não pode dizer a verdade ao povo, senão ele desmobiliza-se.(...)”
Sou da opinião que – enquanto o português não é dominado por muitos alunos – o romance de Pepetela “A geração da utopia” devia ser traduzido para tétum e tornado leitura obrigatória nas escolas todas do país.
Quando se debate o colonialismo aparecem frequentemente os zelotes convencidos de que são donos da verdade, fanáticos dispostos a passar por cima de todos os factos que dificultem a adequação das suas teorias e grelhas de análise. Há uns de um lado a defender o nacionalismo serôdio das potências coloniais e a sua missão civilizadora atribuída directamente por Deus e “o fardo do homem branco”, e há os que estão do outro lado e que defendem a pureza igualitária imaculada dos povos oprimidos e a sua cultura superior própria de um Éden onde não havia injustiça antes da chegada do pérfido europeu. Estes são os teóricos d”o remorso do homem branco”, como explica Pascal Bruckner.
Vejamos o que dizem sobre esta questão dois académicos prestigiados da área dos estudos timorenses, Geoffrey Stephen Hull, Ph.D, da University of Western Sydney, e Adérito José Guterres Correia, M.A., da Universidade Nacional Timor Lorosa’e e sub-director do Instituto Nacional de Linguística, num livro que ambos escreveram e que recomendo a todos os cooperantes que trabalham com seriedade em Timor ou por Timor:
“Nu'udar ita hatene, prosesu istóriku ida-ne'ebé ita bolu naran kolonializmu iha aspetu barak. Ema polítiku sira temi beibeik kona-ba aspetu aat ka negativu kolonializmu nian, n.e. nasaun ida hadau nasaun seluk, hanehan populasaun mahorik hodi susu rain ne'e nia bokur no rikusoin tomak. Maibé ema matenek sira rekoñese mós kolonializmu nia aspetu di'ak ka pozitivu oioin, liuliu troka kulturál. Kontaktu ho ema raiseluk sira fó mós ba ema rai-na'in sira leet atu aprende buat barak, la'ós de'it hadi'a sira-nia teknolojia, maibé mós leet atu haluan no haburas sira-nia matenek.
Liuhosi kolonializmu portugés iha Timór, hanesan kolonializmu olandés iha rai-Indonézia, ema mahorik sira iha Nusa-Lubun Malaiu tama ba kontaktu ho kultura rai-Europa nian no mós ho matenek internasionál. Lia-tetun no lia-malaiu simu hosi lia-portugés ka lia-olandés termu tékniku, abstratu no modernu rihun ba rihun. Tan ne'e, lia-malaiu no lia-tetun hetan sorte atubele fahe lisuk rikusoin intelektuál boot ne'ebé naklekar hosi rai-Europa ba mundu tomak.” (página 95)
O livro chama-se “Kursu Gramátika Tetun – Ba Profesór, Tradutór, Jornalista no Estudante-Universidade Sira” e foi publicado em Díli, em 2005, pelo Instituto Nacional de Linguística (sairam duas edições, estou a citar a que tem prefácio do então Primeiro-Ministro, Dr. Mari Alkatiri).
Vou traduzir o excerto, para aqueles malais teóricos do poder popular que em Timor só falam com as elites e cujo contacto com o povo se limita a “Mana, kafé ida, mas tem que ser curto, escaldado e bem tirado!”.
“Como sabemos, o processo histórico a que chamamos colonialismo tem muitos aspectos. Os políticos mencionam muitas vezes os aspectos maus ou negativos do colonialismo, como a ocupação de uma nação por outra, e o espezinhamento dos seus habitantes para sugar todos os recursos e riquezas dessa terra. Mas as pessoas inteligentes também reconhecem aspectos bons ou positivos do colonialismo, principalmente ao nível das trocas culturais. Os contactos com gente de outras terras permitiram também às populações autóctones aprenderem muitas coisas, não apenas melhorando a sua tecnologia, mas dando-lhes também oportunidade de alargar os seus horizontes intelectuais e culturais.
Através do colonialismo português em Timor, bem como do colonialismo holandês na Indonésia, os habitantes do Arquipélago Malaio entraram em contacto com a cultura europeia e com a ciência internacional. A língua tétum e a língua malaia receberam do português e do holandês milhares de termos técnicos, abstractos e modernos. Por isso, o malaio e o tétum tiveram sorte em poderam partilhar riquezas intelectuais importantes que se espalharam da Europa para o mundo inteiro.” [o sublinhado é meu].
Em relação ao outro assunto, a ideia de ter algumas escolas de qualidade para formar elites não é obviamente minha, é muito antiga. Penso que a educação devia chegar a todos, mas não construo castelos no ar, porque vivo no Timor real. Ainda anteontem em Liquiçá um professor do ensino pré-secundário (7º ao 9º ano) me dizia que não tinham professores suficientes na escola dele para ensinar em português (apesar de serem essas as instruções oficiais) e que os poucos que tinha havido eram de lorosa’e e tinham fugido para as suas regiões de origem com medo de ataques. De resto, a Dona “margarida” [a tal senhora que me fez as acusações], se morar agora em Díli, ou vier a morar, vai pôr os seus filhos na Escola Portuguesa (para elites) ou continuará adepta de uma educação igual para toda a gente e de maneira coerente matriculará as suas crianças numa escola como a 28 de Novembro? E dou o exemplo da Escola 28 de Novembro por duas razões: 1) tem um nome revolucionário; 2) os seus filhos poderão talvez, com sorte, vir a ter a oportunidade de ver as massas populares em acção, e participar até nos acontecimentos, já que essa escola tem no seu palmarés ter sido o ponto de partida dos motins infanto-juvenis de 4 de Dezembro de 2002. Agora sem ironia, não há nada que distinga especialmente esta escola, e os jovens delinquentes pirómanos poderiam ter surgido de outra qualquer, como mostra a última vaga de incêndios nestes meses recentes. Timor tem uma percentagem muitíssimo grande da população constituída por crianças e jovens, que na maioria vão para a escola sem outra perspectiva que não seja vir a conseguir um “padrinho” que arranje um lugar na função pública ou então um emprego como “segurança”, eufemismo local para indivíduos contratados para dormir em frente à porta dos malais e endinheirados. Quase não há sector privado, faltam cá ainda “capitalistas”, “burgueses” e outros “inimigos das classes populares” que possam finalmente dinamizar a economia e arranjar mercado de trabalho para esta malta toda, recrutando mão-de-obra usando como critério o mérito individual do candidato. Há demasiados jovens cuja única forma de sobressair perante os seus pares é “armarem-se em galo de combate”.
Existem por outro lado muitos malais internacionalistas que ganham muito, compram nos supermercados produtos importados (até a hortaliça que comem vem da Austrália), mandam a maior do dinheiro que ganham para as suas contas bancárias nos países de origem, e são paladinos do poder popular e do anti-neo-colonialismo!
O corpo docente das escolas timorenses tem pouca formação, há grande falta de livros, a maior parte das pessoas fala ou compreende pelo menos algum português mas não o suficiente para ler nessa língua, os hábitos de leitura são de resto quase inexistentes, em qualquer idioma... O aluno médio termina a escola secundária com uma deficiente preparação de base que não lhe permite frequentar as universidades portuguesas, por exemplo. Por isso é que me parece não apenas importante, mas crucial, para o futuro do país que surjam algumas escolas de qualidade superior para a formação dos quadros que irão tomar conta do país daqui por uns anos. Neste momento há demasiadas instituições e estruturas do Estado que dependem ainda do trabalho de assessores internacionais para funcionarem, se não tivermos algumas escolas de excelência estaremos pior daqui por vinte anos.
Para as pessoas que andam à procura de cartões partidários para decidir se uma ideia é válida ou não, permito-me invocar aqui uma personalidade que certamente não irão atacar. Conheci na Guiné-Bissau quadros guineenses que deviam a sua educação e o seu sucesso como intelectuais aos esforços de Amílcar Cabral, que, há mais de três décadas, andava às vezes pelas tabancas da Guiné a procurar crianças com melhores resultados escolares para pedir aos pais delas que o deixassem mandá-las para uma escola-piloto numa base do seu movimento na Guiné-Conacri, para serem formadas e poderem servir no futuro o seu país. Alguns desses quadros eram provenientes de famílias muito humildes de camponeses ou vaqueiros (os seus irmãos continuam ainda a viver nas tabancas dos antepassados) e nunca teriam podido explorar todo o seu potencial se não tivessem tido a oportunidade de entrar numa escola de qualidade.
Não vão ser as massas de camponeses analfabetos que irão tomar conta das universidades, dos ministérios, dos bancos, das empresas, das companhias de telecomunicações, electricidade, água... Também não vão poder ser muitos dos alunos que actualmente chegam ao ensino superior em Timor. Há que deixar de ter medo das palavras, o país precisa de elites, de indivíduos bem formados – por muito que isso seja difícil de perceber para uns quantos líricos teóricos do poder das massas populares que andam por aí. No romance “Mayombe”, do escritor angolano Pepetela, há um personagem, chamado Mundo Novo, que também defende esse tipo de ideias. Diz ele:
“(...) Como se fosse possível fazer-se uma Revolução só com homens interesseiros, egoístas! Eu não sou egoísta, o marxismo-leninismo mostrou-me que o homem como indivíduo não é nada, só as massas constroem a história. Se fosse egoísta, agora estaria na Europa, como tantos outros, trabalhando e ganhando bem. Porque vim lutar? Porque sou desinteressado. Os operários e os camponeses são desinteressados, são a vanguarda do povo, vanguarda pura, que não transporta com ela o pecado original da burguesia de que os intelectuais só muito dificilmente se podem libertar. Eu libertei-me, graças ao marxismo.(...)”.
Na época os “intelectuais revolucionários desinteressados” tinham que abdicar dos empregos bem pagos na Europa, felizmente agora para os “malais desinteressados adeptos do poder das massas” existem ajudas de custo, e bar do Hotel Timor, e salários milionários na ONU ou na cooperação bilateral, e viagens a Auckland, Hong Kong, Bali, etc... Eu ganho mais do que a maior parte dos timorenses (e menos do que a grande maioria dos malais), mas não sou hipócrita. Enfim, na sequência das reflexões e debates no livro há um outro personagem, Sem Medo, que mais à frente diz:
“(...) É que, nos nossos países, tudo repousa num núcleo restrito, porque há falta de quadros, por vezes num só homem. Como contestar no interior dum grupo restrito? Porque é demagogia dizer que o proletariado tomará o poder. Quem toma o poder é um pequeno grupo de homens, na melhor das hipóteses, representando o proletariado ou querendo representá-lo. A mentira começa quando se diz que o proletariado tomou o poder. Para fazer parte da equipa dirigente, é preciso ter uma razoável formação política e cultural. O operário que a isso acede passou muitos anos ou na organização ou estudando. Deixa de ser proletário, é um intelectual. Mas nós todos temos medo de chamar as coisas pelos seus nomes e, sobretudo, esse nome de intelectual. Tu, Comissário, és um camponês? Porque o teu pai foi camponês, tu és camponês? Estudaste um pouco, leste muito, há anos que fazes um trabalho político, és um camponês? Não, és um intelectual. Negá-lo é demagogia, é populismo. (...) Mas começa-se a mentir ao povo, o qual bem vê que não controla nada o Partido nem o Estado e é o princípio da desconfiança, à qual se sucederá a desmobilização. (...) Como todos os do teu grupo, pensas que se não pode dizer a verdade ao povo, senão ele desmobiliza-se.(...)”
Sou da opinião que – enquanto o português não é dominado por muitos alunos – o romance de Pepetela “A geração da utopia” devia ser traduzido para tétum e tornado leitura obrigatória nas escolas todas do país.
Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
2:20 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
28 de Novembro,
Amílcar Cabral,
colonialismo,
cooperantes,
cultura timorense,
elites,
malai,
Margarida,
motim,
Pepetela,
revolução,
Timor on-line,
Timor-Leste,
violência de rua
segunda-feira, julho 24, 2006
Timor-Leste - violência em Díli não travou boda
Timor-Leste - violência em Díli não travou boda
CORREIO DA MANHÃ
2006-07-23 - 00:00:00
Timor-Leste - violência em Díli não travou boda
Amor foi mais forte que medo da guerra
Iolanda Vilar, Lamego
CORREIO DA MANHÃ
2006-07-23 - 00:00:00
Timor-Leste - violência em Díli não travou boda
Amor foi mais forte que medo da guerra
O título de García Márquez, ‘O Amor nos Tempos de Cólera’ – que este jovem professor de 33 anos toma de empréstimo – caracteriza bem a boda de um jovem casal, ele português, natural de Ílhavo, e ela timorense, de Liquiçá, no passado dia 10 de Junho.
Enquanto em Portugal se comemorava o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, João Paulo Esperança e Fernanda selavam o seu amor numa pequena Igreja em Liquiçá, uma cidade na costa norte de Timor-Leste. É mesmo caso para dizer que o amor vence todos os ódios e disputas. O clima de tensão não foi impeditivo para o casal manter os planos de casamento. Mesmo com padrinhos de última hora, sem convites impressos, sem banda de música e com a ausência de muitos convidados, a cerimónia decorreu dentro da normalidade possível. “O comércio em Díli estava fechado e as pessoas confinadas às suas casas ou a campos de deslocados, enquanto grupos armados andavam aos tiros em Díli”, recorda.“Para mim é a data em que celebrei a minha união com Fernanda, a mulher maravilhosa que encheu de felicidade a minha vida”, confessa João Paulo Esperança, num pequeno texto, no seu blogue, onde ao longo de vários meses deu conta da sua estadia na Terra do Crocodilo. A crise político-militar que abalou Timor alterou por completo os planos do casamento, que apenas se concretizou devido à persistência dos noivos, que não se intimidaram pelo poder das armas e de notícias avassaladoras de ódio e morte que rondavam as suas vidas. Os padrinhos iniciais eram dois timorenses crescidos no exílio, na Austrália e Portugal, mas que perante a revolta, fugiram para o estrangeiro, como fizeram muitos dos timorenses com passaportes de Portugal ou da Austrália. Os tios da noiva foram os padrinhos alternativos. A cerimónia contou apenas com uma ínfima parte dos convidados, e para contornar a ausência de um convite, o casal optou por formalizá-lo via sms. Tradicionalmente as cerimónias religiosas de casamento realizam-se à tarde e são precedidas de um banquete mas, com medo da noite, os noivos optaram por uma missa seguida de um almoço para família e amigos próximos. Um mês depois do enlace, João e Fernanda enfrentam o futuro “de olhos postos no horizonte, no sol que se vislumbra lá ao longe, para lá das nuvens escuras que ainda persistem no céu azul de Timor”. E como o apelido Esperança também significa preserverança e confiança, é com esse sentimento que os dois jovens enfrentam o futuro.
SOLTAS
PROFESSOR
João Paulo Esperança é professor e está há cinco anos a leccionar em Timor. É docente na Universidade Nacional de Timor Lorosae, actualmente, no âmbito de um programa de cooperação da FUP - Fundação das Universidades Portuguesas. Aos 33 anos dá aulas de Linguística. Foi em Timor que conheceu Fernanda, o amor da sua vida.
PAIS ANSIOSOS
A residir em Ílhavo, terra que viu nascer e crescer João Paulo há 33 anos, João Esperança e a esposa contam os dias que faltam para reencontrar o filho, e finalmente, conhecer a nora. “Apenas falei com ela ao telefone e tem uma voz muito meiga”, refere. “Queremos muito conhecer a mulher que está a fazer o meu filho feliz”, diz.
RISCOS
João Paulo optou por ficar em Timor-Leste, apesar da conturbada situação que o País enfrentou, mas não pensou duas vezes em permanecer junto da noiva, amigos e alunos. “Estava consciente dos riscos”, afirma. Nos primeiros dias de confronto aceso, João Paulo Esperança chegou a dar aulas ao som de tiros.
Iolanda Vilar, Lamego
Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
5:28 da tarde
2 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
amor,
casamento,
FUP,
Ílhavo,
Liquiçá,
Timor-Leste,
UNTL,
violência de rua
sexta-feira, julho 07, 2006
quinta-feira, julho 06, 2006
nós
Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
2:24 da tarde
4 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
amor,
casamento,
Hakka East Timorese,
Liquiçá,
Timor-Leste
Amizade
Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
1:55 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
amizade,
juventude timorense
Jogo do Pau
Fotografias de brincadeiras a tentar recordar os movimentos básicos do Jogo do Pau no jardim da casa que alugámos aqui em Díli. Isto foi antes de eu cortar o cabelo...


Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
12:51 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
Betó,
Díli,
jogo do pau
terça-feira, julho 04, 2006
Boa educação
Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
1:04 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
CJPAV,
FDTL,
juventude timorense,
PNTL,
Timor-Leste
segunda-feira, julho 03, 2006
Xenofobia em Timor
Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
12:44 da tarde
3 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
Díli,
juventude timorense,
loromonu,
lorosa'e,
Perumnas,
Timor-Leste,
violência de rua
Felicidade no aconchego do meu lar
Num serão calmo, a ver televisão com a minha esposa no aconchego do meu lar...
Díli não é só violência, ainda que seja actualmente um lugar algo inusitado para passar uma lua-de-mel...
Díli não é só violência, ainda que seja actualmente um lugar algo inusitado para passar uma lua-de-mel...


Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
11:18 da manhã
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
Betó,
Díli,
lua-de-mel
sábado, julho 01, 2006
quarta-feira, junho 28, 2006
kaben
Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
6:44 da tarde
2 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
casamento,
Fernanda Correia,
Hakka,
Hakka East Timorese,
hakka girls,
João Paulo Esperança,
Liquiçá,
sino-timorense,
Timor-Leste
terça-feira, junho 13, 2006
terça-feira, junho 06, 2006
Futuro risonho
Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
11:52 da manhã
16 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
João Paulo Esperança,
sino-timorense
segunda-feira, junho 05, 2006
Sinál balu rekuperasaun nian
Ha'u foin haree iha telejornál RTTL nian reportajen ida ne'ebé sira filma ohin ke hatudu sala balu nakonu ho labarik iha Eskola S. José iha Balide. Responsavel ida husi eskola ne'e esplika katak nia ta'uk, hanesan estudante sira no ema hotu-hotu, maibé nia hanoin katak di'ak liu pasa tempu iha atividade pozitiva duké iha de'it atitude negativa. Nia hatutan katak objetivu ida husi eskola maka hanorin labarik sira ne'ebé atu sai na'i-ulun nasaun nian aban-bainrua no katak na'i-ulun sira labele ta'uk-teen.
Sinál ida katak iha-ne'e mós “maski iha kalan triste liu/ iha tempu atan nian/ sempre iha ema ruma ne’ebé reziste/ sempre iha ema ruma ne’ebé dehan lae” (hanesan uluk poeta portugés Manuel Alegre hakerek no Adriano Correia de Oliveira hananu). Timoroan barak lakohi pasa fulan hirak oinmai tuur hela iha estrada ninin de'it hodi haree karreta-blindadu australianu sira-nian liu bá-mai.
Sinál ida katak iha-ne'e mós “maski iha kalan triste liu/ iha tempu atan nian/ sempre iha ema ruma ne’ebé reziste/ sempre iha ema ruma ne’ebé dehan lae” (hanesan uluk poeta portugés Manuel Alegre hakerek no Adriano Correia de Oliveira hananu). Timoroan barak lakohi pasa fulan hirak oinmai tuur hela iha estrada ninin de'it hodi haree karreta-blindadu australianu sira-nian liu bá-mai.
Chegou a GNR
A GNR ja esta em Timor, o comercio comeca a ter confianca para voltar a funcionar (o City Cafe ja voltou a actividade, p.ex.), passei ha bocadinho nos correios de motorizada e tinham ja a porta aberta, os colegas que trabalham como consultores no Parlamento ja voltaram ao trabalho... Os alunos perguntam-nos quando recomecam as aulas... Isto esta a voltar a funcionar...
Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
12:16 da tarde
1 comentário:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
City Café,
cooperantes,
GNR,
Timor-Leste,
violência de rua
sexta-feira, junho 02, 2006
Ainda ha policia timorense em Dili afinal
Timor-Leste: Multidão pilha armazéns do governo em Díli
Díli, 02 Jun (Lusa) - Cerca de mil pessoas pilharam hoje armazéns do go verno na capital timorense, roubando computadores, cadeiras, partes de automóvei s e até instrumentos musicais, que carregaram em camiões.
Perante a ausência de tropas da força multinacional, a multidão começou o saque na manhã de hoje, quando esperava a distribuição de arroz e descobriu q ue o armazém onde estava guardado fora esvaziado durante a noite.
Esta manha quando vinha do supermercado Landmark com colegas (eu fui comprar mantimentos para levar para casa da minha noiva e o grupo foi comprar caixas de agua para entregarmos aos refugiados), na estrada que vem de Comoro, entre o heliporto e as bombas de gasolina, vi uns tres carros da policia timorense que estavam a interceptar uma carrinha de caixa aberta carregada de material de escritorio aparentemente roubado.
Um sinal de que ha quem trabalhe para repor a lei e a ordem nas ruas de Dili... Parabens aos policias timorenses envolvidos na operacao, pelo espirito patriotico e por permanecerem fieis aos compromisso que assumiram de proteger as pessoas e os seus bens. Sinais de esperanca em tempos conturbados...
Díli, 02 Jun (Lusa) - Cerca de mil pessoas pilharam hoje armazéns do go verno na capital timorense, roubando computadores, cadeiras, partes de automóvei s e até instrumentos musicais, que carregaram em camiões.
Perante a ausência de tropas da força multinacional, a multidão começou o saque na manhã de hoje, quando esperava a distribuição de arroz e descobriu q ue o armazém onde estava guardado fora esvaziado durante a noite.
Esta manha quando vinha do supermercado Landmark com colegas (eu fui comprar mantimentos para levar para casa da minha noiva e o grupo foi comprar caixas de agua para entregarmos aos refugiados), na estrada que vem de Comoro, entre o heliporto e as bombas de gasolina, vi uns tres carros da policia timorense que estavam a interceptar uma carrinha de caixa aberta carregada de material de escritorio aparentemente roubado.
Um sinal de que ha quem trabalhe para repor a lei e a ordem nas ruas de Dili... Parabens aos policias timorenses envolvidos na operacao, pelo espirito patriotico e por permanecerem fieis aos compromisso que assumiram de proteger as pessoas e os seus bens. Sinais de esperanca em tempos conturbados...
Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
12:43 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
motim,
PNTL,
Timor-Leste,
violência de rua
quinta-feira, junho 01, 2006
A ajudar a medica da Cooperacao Portuguesa - hoje
Professores portugueses da FUP e do ME a ajudar a medica da Cooperacao Portuguesa a dar desparasitantes de administracao oral a criancas refugiadas:








Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
7:16 da tarde
2 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
cooperantes,
deslocados,
FUP
Professores portugueses em Dili hoje - 2
Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
7:08 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
cooperantes,
deslocados,
FUP
Professores portugueses em Dili hoje
Em varios lugares onde a populacao se tem concentrado procurando refugio a tendencia agora esta a ser passar la a noite (onde se sentem seguros) e durante o dia voltar para as suas casas, ir levantar sacos de arroz onde estes estao a ser distribuidos, ou fazer pela vida pescando e vendendo o peixe na rua, fazendo venda ambulante de tangerinas, etc...
Assim durante o dia o numero de refugiados diminui, mas ha quem fique mesmo assim, alguns porque ja nao tem casa, nem nada...
As fotografias abaixo mostram professores portugueses da Fundacao das Universidades Portuguesas e do Ministerio da Educacao a distribuirem comida, agua e chupa-chupas a criancas refugiadas (na Igreja Evangelica, na Igreja de Motael, no jardim do Banco Mundial) e a fazerem actividades recreativas com esses meninos e meninas:


Assim durante o dia o numero de refugiados diminui, mas ha quem fique mesmo assim, alguns porque ja nao tem casa, nem nada...
As fotografias abaixo mostram professores portugueses da Fundacao das Universidades Portuguesas e do Ministerio da Educacao a distribuirem comida, agua e chupa-chupas a criancas refugiadas (na Igreja Evangelica, na Igreja de Motael, no jardim do Banco Mundial) e a fazerem actividades recreativas com esses meninos e meninas:


Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
6:52 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
cooperantes,
deslocados,
Díli,
FUP,
Ministério da Educação português
A assistencia humanitaria da ONU esta de ferias em Darwin?
Hoje de manha o Nuno Matias, da FUP, tres colegas do ME, a Marta, a Ana e a Susana, e eu, andamos a distribuir pao, agua e chupa-chupas as criancas em lugares onde ha populacao refugiada aqui em Dili. Ha outros grupos de cooperantes portugueses a fazer o mesmo, e outros que com grande profissionalismo mantem o funcionamento de instituicoes cruciais neste momento, como a Alfandega (para entrada de produtos tao necessarios).
Enquanto isto, nao se percebe muito bem onde estao os aparelhos de assistencia humanitaria do Programa Alimentar Mundial, do ACNUR, da UNICEF... Estao todos de ferias em Darwin?
Enquanto isto, nao se percebe muito bem onde estao os aparelhos de assistencia humanitaria do Programa Alimentar Mundial, do ACNUR, da UNICEF... Estao todos de ferias em Darwin?
Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
1:50 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
cooperantes,
deslocados,
Díli,
FUP,
Ministério da Educação português
quarta-feira, maio 31, 2006
SNESup errou
Lisboa, 30 Mai (Lusa) - O Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup) pediu hoje ao Governo que alerte os professores portugueses em Timor-Leste para o "perigo que correm", defendendo que os docentes "não têm a percepção exacta do risco" de permanecer no país.
Sou professor do Ensino Superior em Dili e nao passei procuracao ao Sindicato Nacional do Ensino Superior para - la em Lisboa! - decidir se eu tenho ou nao percepcao exacta do risco que corro. Estou consciente de que ha riscos em pernanecer, mas nao me lembro de o SNESup fazer comunicados destes aquando dos motins recentes na Franca ou durante as decadas que durou a guerra civil angolana, por exemplo, em que havia uma situacao de guerra real - coisa bem diferente do que esta a acontecer em Dili neste momento. A Cooperacao Portuguesa tem ajudado os docentes que partiram nos ultimos dias (por os seus contratos terem terminado ou por terem decidido partir por vontade propria) fornecendo transporte seguro ate ao aeroporto e tratando de questoes relativas a antecipacao de datas dos bilhetes. Ninguem esta ca contra a sua vontade, mas por opcao propria, porque acreditamos no que estamos a fazer.
Sou professor do Ensino Superior em Dili e nao passei procuracao ao Sindicato Nacional do Ensino Superior para - la em Lisboa! - decidir se eu tenho ou nao percepcao exacta do risco que corro. Estou consciente de que ha riscos em pernanecer, mas nao me lembro de o SNESup fazer comunicados destes aquando dos motins recentes na Franca ou durante as decadas que durou a guerra civil angolana, por exemplo, em que havia uma situacao de guerra real - coisa bem diferente do que esta a acontecer em Dili neste momento. A Cooperacao Portuguesa tem ajudado os docentes que partiram nos ultimos dias (por os seus contratos terem terminado ou por terem decidido partir por vontade propria) fornecendo transporte seguro ate ao aeroporto e tratando de questoes relativas a antecipacao de datas dos bilhetes. Ninguem esta ca contra a sua vontade, mas por opcao propria, porque acreditamos no que estamos a fazer.
Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
7:02 da tarde
4 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
Bairro da Cooperação,
cooperantes,
motim,
Timor-Leste,
violência de rua
segunda-feira, maio 29, 2006
Dias de orgulho
Critiquei algumas vezes no passado a atitude de muitos portugueses em Timor, nomeadamente por nao se esforcarem minimamente por aprender tetum. Pois hoje posso dizer com sinceridade que sinto um grande orgulho por ser portugues em Timor e testemunhar aqui a serenidade com que a comunidade portuguesa tem encarado a situacao tensa dos ultimos dias, e a forma como tem manifestado a sua solidariedade com o povo timorense recusando-se a abandonar o pais, para poder retomar o trabalho o mais brevemente possivel.
Um obrigado especial ao Victor e ao Joao, coordenadores do projecto no qual trabalho, porque tem gerido a situacao com grande profissionalismo.
Um obrigado especial para o meu pai tambem, por me terem acordado a telefonar la de Portugal quando aqui eram seis da manha a perguntar: Entao esses medrosos vao fugir? Tu nao vais fugir, pois nao?!?
Um obrigado mais especial ainda para a minha noiva, que comigo decidiu ontem a noite (quando se perspectivava uma evacuacao) que ficariamos, porque ha um amanha. E vai ser um dia de sol.
Um obrigado especial ao Victor e ao Joao, coordenadores do projecto no qual trabalho, porque tem gerido a situacao com grande profissionalismo.
Um obrigado especial para o meu pai tambem, por me terem acordado a telefonar la de Portugal quando aqui eram seis da manha a perguntar: Entao esses medrosos vao fugir? Tu nao vais fugir, pois nao?!?
Um obrigado mais especial ainda para a minha noiva, que comigo decidiu ontem a noite (quando se perspectivava uma evacuacao) que ficariamos, porque ha um amanha. E vai ser um dia de sol.
Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
2:31 da tarde
7 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
cooperantes,
FUP,
João Mota,
Timor-Leste,
violência de rua,
Vitor Ambrósio
Ainda ha esperanca
Encontrei agora mesmo isto no blog Timor-online:
Lisboa, 28 Mai (Lusa) - O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) negou hoje ter ordenado o regresso a Portugal dos professores portugueses colocados em Timor-Leste, ao abrigo da cooperação bilateral."Não há qualquer decisão conjunta do MNE e do Ministério da Educação sobre o regresso dos professores portugueses que se encontram em Timor-Leste", assegurou o porta-voz do ministro, António Carneiro Jacinto, em declarações à Lusa.Vários docentes colocados em Timor-Leste revelaram hoje à Agência Lusa, em Díli, que havia uma decisão conjunta dos dois ministérios naquele sentido e que lhes foi transmitido hoje que deveriam regressar terça ou quarta-feira a Lisboa, devido à impossibilidade de se concluir formalmente o ano lectivo em curso.Esta informação foi também transmitida hoje a professores que se encontram colocados fora de Díli, nomeadamente na zona leste do país, que receberam a indicação de que deviam regressar à capital timorense já na segunda-feira para embarcarem terça ou quarta-feira para Darwin (Austrália), de onde seguiriam depois para Portugal.Contudo, o porta-voz do MNE garantiu que "a evacuação, designadamente dos professores portugueses, só se verificará se, e quando o Governo português o entender"."Se alguém quiser abandonar Timor-Leste poderá fazê-lo pelos seus próprios meios, através, nomeadamente, dos voos regulares australianos", adiantou Carneiro Jacinto.O porta-voz do MNE disse ainda que as aulas em Timor-Leste "estão suspensas temporariamente por razões de segurança", desde que começaram os confrontos.Portugal mantém cerca de 150 portugueses em Timor-Leste, no quadro da cooperação bilateral para a formação de professores e no âmbito do projecto de reintrodução da língua portuguesa, e do projecto de cooperação da Fundação das Universidades Portuguesas com a Universidade Nacional Timor LoroSa'e.Em relação ao projecto de reintrodução da língua portuguesa, em que os professores estavam a formar docentes timorenses, os exames estavam marcados para Julho.EL/AG.
Lisboa, 28 Mai (Lusa) - O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) negou hoje ter ordenado o regresso a Portugal dos professores portugueses colocados em Timor-Leste, ao abrigo da cooperação bilateral."Não há qualquer decisão conjunta do MNE e do Ministério da Educação sobre o regresso dos professores portugueses que se encontram em Timor-Leste", assegurou o porta-voz do ministro, António Carneiro Jacinto, em declarações à Lusa.Vários docentes colocados em Timor-Leste revelaram hoje à Agência Lusa, em Díli, que havia uma decisão conjunta dos dois ministérios naquele sentido e que lhes foi transmitido hoje que deveriam regressar terça ou quarta-feira a Lisboa, devido à impossibilidade de se concluir formalmente o ano lectivo em curso.Esta informação foi também transmitida hoje a professores que se encontram colocados fora de Díli, nomeadamente na zona leste do país, que receberam a indicação de que deviam regressar à capital timorense já na segunda-feira para embarcarem terça ou quarta-feira para Darwin (Austrália), de onde seguiriam depois para Portugal.Contudo, o porta-voz do MNE garantiu que "a evacuação, designadamente dos professores portugueses, só se verificará se, e quando o Governo português o entender"."Se alguém quiser abandonar Timor-Leste poderá fazê-lo pelos seus próprios meios, através, nomeadamente, dos voos regulares australianos", adiantou Carneiro Jacinto.O porta-voz do MNE disse ainda que as aulas em Timor-Leste "estão suspensas temporariamente por razões de segurança", desde que começaram os confrontos.Portugal mantém cerca de 150 portugueses em Timor-Leste, no quadro da cooperação bilateral para a formação de professores e no âmbito do projecto de reintrodução da língua portuguesa, e do projecto de cooperação da Fundação das Universidades Portuguesas com a Universidade Nacional Timor LoroSa'e.Em relação ao projecto de reintrodução da língua portuguesa, em que os professores estavam a formar docentes timorenses, os exames estavam marcados para Julho.EL/AG.
Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
8:59 da manhã
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
FUGA
Em 1975 os portugueses fugiram e abandonaram os timorenses a sua sorte...
Em 1999 a Unamet fugiu e abandonou os timorenses a sua sorte...
Em 2006 os portugueses vao fugir na proxima terca-feira...
Eu fico.
Em 1999 a Unamet fugiu e abandonou os timorenses a sua sorte...
Em 2006 os portugueses vao fugir na proxima terca-feira...
Eu fico.
Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
8:55 da manhã
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
cooperantes,
Timor-Leste
domingo, maio 28, 2006
Tivemos a bocado uma reuniao no Bairro da Cooperacao. Da reuniao destacam-se duas coisas:
1 - ha quem fique especialmente antipatico em situacoes de tensao (e nao devia...)
2 - Os portugueses presentes sao quase unanimes (a julgar pelas conversas pelo jardim apos a reuniao) em nao querer abandonar os timorenses com quem trabalham, a quem dao aulas... O pessoal esta confiante em que as coisas melhorem em breve, para que haja um futuro para Timor e para os timorenses.
Os alunos com quem vou contactando telefonicamente repetem a mesma pergunta: quando chegam os GNRs? Os timorenses ja viveram situacoes de instabilidade, com bandidos impunes a solta pelas ruas, em que a actuacao dos agentes anti-motim da GNR foi decisiva para parar a actuacao dos gatunos e arruaceiros e para restaurar a confianca perdida das pessoas. Repetem-se os relatos de situacoes em que tropas australianas assistiram a accao de incendiarios e saqueadores de lojas ou casas sem os deterem. As pessoas perguntam-nos: quando chegam os GNR? So podemos responder-lhes que "em breve".
Tambem nos perguntam se os portugueses vao embora com a ansiedade de quem pensa que quando isso acontecer tal sera o sinal de que vai tudo rebentar definitavente no pais e nas suas vidas. Temos-lhes dito que os portugueses nao vao embora, que estamos so a espera que as coisas fiquem um pouco mais calmas para retomarmos as aulas, tenho esperanca de poder continuar a dizer o mesmo. Espero que nao haja evacuacao dos cidadaos portugueses, como gostariam os australianos se calhar, a nossa presenca faz uma diferenca para os timorenses.
1 - ha quem fique especialmente antipatico em situacoes de tensao (e nao devia...)
2 - Os portugueses presentes sao quase unanimes (a julgar pelas conversas pelo jardim apos a reuniao) em nao querer abandonar os timorenses com quem trabalham, a quem dao aulas... O pessoal esta confiante em que as coisas melhorem em breve, para que haja um futuro para Timor e para os timorenses.
Os alunos com quem vou contactando telefonicamente repetem a mesma pergunta: quando chegam os GNRs? Os timorenses ja viveram situacoes de instabilidade, com bandidos impunes a solta pelas ruas, em que a actuacao dos agentes anti-motim da GNR foi decisiva para parar a actuacao dos gatunos e arruaceiros e para restaurar a confianca perdida das pessoas. Repetem-se os relatos de situacoes em que tropas australianas assistiram a accao de incendiarios e saqueadores de lojas ou casas sem os deterem. As pessoas perguntam-nos: quando chegam os GNR? So podemos responder-lhes que "em breve".
Tambem nos perguntam se os portugueses vao embora com a ansiedade de quem pensa que quando isso acontecer tal sera o sinal de que vai tudo rebentar definitavente no pais e nas suas vidas. Temos-lhes dito que os portugueses nao vao embora, que estamos so a espera que as coisas fiquem um pouco mais calmas para retomarmos as aulas, tenho esperanca de poder continuar a dizer o mesmo. Espero que nao haja evacuacao dos cidadaos portugueses, como gostariam os australianos se calhar, a nossa presenca faz uma diferenca para os timorenses.
Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
6:56 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
Bairro da Cooperação,
GNR,
violência de rua
Se deixássemos de conseguir rir deixaríamos de ser humanos
Uma vez li um livro sobre o campo de Extermínio de Treblinka, escrito por um judeu. O campo de Treblinka era um campo construído pelos nazis na II Guerra Mundial, que funcionava como fábrica cujo objectivo era exterminar judeus. Faziam-no metodicamente, friamente, com eficiência (na II Guerra Mundial os nazis mataram cerca de seis milhões de judeus). No campo funcionava uma brigada de prisioneiros judeus cuja tarefa era transportar diariamente pilhas de cadáveres das câmaras de gás para os fornos crematórios, esses prisioneiros viviam em condições sub-humanas e sabiam que só estariam vivos enquanto tivessem forças para desempenhar a sua tarefa macabra. Fiquei impressionado por ler que nessas condições de vida terríveis eles contavam anedotas e brincavam sobre coisas como o peso dos cadáveres que transportavam. Depois compreendi, eles riam para continuarem humanos. Despojados de quase tudo, restavam-lhes como últimos resquícios de humanidade a esperança e o riso.
Vem isto a propósito de um incidente que me aconteceu hoje. Fui beber um café no Hotel Timor, ao lado do Bairro da Cooperação, e quando cheguei estava prestes a começar uma conferência de imprensa do Primeiro Ministro. Aproximei-me de uma amiga que comentou que o início da conferência de imprensa estava com algum atraso e eu respondi casualmente algo do género “O Primeiro Ministro ainda se deve estar a pôr bonito”. Foi um comentário completamente inocente, sem quaiquer segundas intenções, sem qualquer tom malicioso, mas uma senhora timorense que estava ali ao lado – sem dúvida perturbada pela tensão dos últimos dias – respondeu com um ar muito indignado qualquer coisa como “Não lhe admito que fale assim do Primeiro Ministro do meu país, eu também não falo assim do Primeiro Ministro do deu país”. É sabido o cuidado que o Primeiro Ministro português José Sócrates tem com a imagem (pagando até a assessores que aconselham sobre isso), pelo que um comentário desse género até lhe serviria como uma luva. Acabei por conseguir explicar à senhora que não tinha qualquer intenção de desrespeitá-la, nem desrespeitar Timor, nem desrespeitar os líderes do país, e ela aceitou as minhas desculpas por tê-la ofendido sem intenção.
Mas desse incidente sem importância pode compreender-se algo da situação actual do país, de como toda a gente anda uma pilha de nervos, da intolerância que grassa no ar, e também de como qualquer pequena faiscazinha pode despoletar situações graves. Há bandos de jovens armados com catanas, fisgas e paus, que andam de um lado para o outro, uns a deambular em busca de casas para roubar ou pessoas nascidas numa área geográfica diferente a quem bater, outros a patrulhar os seus bairros para se protegerem dos assaltantes. Não é preciso muito para que haja situações de violência. Os bandidos da cidade aproveitam para roubar o que podem. As tropas australianas já se vêem pela cidade, usando também blindados e helicópteros, mas não se fazem ainda patrulhas suficientes para sossegar completamente a população. Aguarda-se com ansiedade a chegada dos GNR, mais vocacionados para dispensar e deter bandos de malfeitores e ladrões como os que actuam pela cidade neste momento. Muita da população está refugiada em sítios como o aeroporto, recintos junto de Embaixadas, o porto, lugares da Igreja...Eu vou-me casar dentro de dias com uma moça timorense, aguardo o evoluir da situação para saber se vou fazer uma festa que dure toda a noite como é tradição em Timor ou se vou casar semi-clandestinamente com disparos como música de fundo. Já aluguei uma casa para morar com a minha mulher depois do casamento, e já me mudei para lá e levei para lá quase todos os meus pertences há umas duas semanas, mas nas últimas duas noites voltei a vir dormir ao meu quarto no Bairro da Cooperação por causa da insegurança em Díli. Agora a rotina diária inclui comprar cartões de telemóvel para telefonar a perguntar se ainda não me queimaram a casa, e para saber se os muitos amigos espalhados pela cidade, nas suas casas ou refugiados em diversos sítios (protegidos pelos australianos ou pertencentes à Igreja), estão todos bem.
Na quinta-feira antes de rebentar o tiroteio entre as FDTL e a PNTL no centro da cidade, estive na Faculdade às oito da manhã porque tinha uma aula combinada com os meus alunos. Estava lá uma dúzia deles, moços e moças. Não dei matéria, estivemos a conversar sobre a situação. Alguns tinham dormido na montanha devido aos ataques aos seus bairros e tinham vindo de longe, a pé, para as aulas, porque ter aulas ajudava a ter uma sensação de normalidade, de que ainda não estava tudo perdido. Conversámos amenamente em tétum, alguns contavam anedotas sobre as aventuras e desventuras que lhes tinham acontecido a fugir das milícias em 1999, outros gozavam com o seu próprio medo em situações perigosas que lhes tinham acontecido nos últimos dias. Mostravam um sentido de humor saudável, ao contrário da senhora do hotel. Ríamos e havia nisso um efeito de catarse, e tínhamos esperança.
Hoje de manhã, às 8 horas, tinha um exame marcado com eles. A Faculdade é aqui perto, fui lá para pôr um papel afixado na porta a dizer que o exame fica adiado para quando a situação estiver mais calma, escrevi no papel que talvez na próxima semana. Temia que houvesse alunos a aparecer para o exame e não me sentia bem por lhes gorar as expectativas sem sequer uma palavra. Havia de facto um estudante à minha espera. Enquanto conversávamos apareceu um grupo de uns vinte rapazes, todos com catanas (um trazia duas!), fisgas e paus, falando macassai entre si, alguns não teriam mais de 15 ou 16 anos. Tinham o ar de procurar casas para roubar ou incendiar, ou gente a quem bater. Não nos incomodaram, mas o moço ficou assustado. Ele é de uma região do ocidente. Acabou por me pedir que o levasse a casa, em Bebono, na minha motorizada. Fi-lo, era por causa do meu exame que ele ali estava, tinha-se arriscado corajosamente para vir fazer a prova, se lhe acontecesse alguma coisa no regresso eu ficaria com isso na consciência. No percurso pela marginal vi mesmo à minha frente dois rufias com facas a derrubarem um indivíduo de uma motorizada e a roubá-la.
Tenho ficado aqui pelo Bairro da Cooperação e Hotel Timor depois disso, se cada um de nós decidisse andar a passear por aí pela cidade isso daria um monte de trabalho extra aos senhores que andam a zelar pela nossa segurança, que têm coisas mais importantes para fazer do que servir de babysitters a “Indiana Jones de fim-de-semana” como nós. E isto leva-me de volta ao tema do humor. Todos nós fazemos figuras ridículas de vez em quando, nos últimos dias talvez com maior frequência do que o habitual. Não ter informação credível que nos permita compreender correctamente quem são “os maus” e quem são “os bons”, ou o porquê de haver timorenses activamente empenhados em destruir o país e a liberdade que foi conquistada com tanto sofrimento, leva-nos a procurar avidamente cada nova informaçãozinha e por vezes a ser inadvertidamente porta-vozes dos boatos mais mirabolantes, ou de uma das quinhentas teorias da conspiração que tentam encontrar algum sentido em tudo isto.
Independentemente de todas estas considerações parece-me que há duas coisas em que este país deveria investir: educação para a tolerância e sentido de humor. E ambas estão ligadas. Não é que não exista sentido de humor, os meus alunos que gozavam com o seu próprio medo têm-no bem apurado, mas faz falta aqui um programa televisivo como o “Contra Informação” da televisão portuguesa, no qual se usam bonecos que são caricaturas dos líderes de Portugal e onde estes são gozados pelas suas atitudes, decisões e tiques. Um líder político democrático, de qualquer país, tem muito a ganhar se o seu povo compreender que um dirigente político não tem natureza divina e portanto “pode invocar-se o nome dele em vão”. Este é um dos tijolos base da democracia. Isto promove a tolerância também. E Timor-Leste é ainda um país muito intolerante. Vivo aqui há cinco anos, e há cinco anos que ouço diariamente nos táxis, nas ruas, nas lojas, timorenses que criticam o facto de um país católico ter um Primeiro Ministro muçulmano. Aproveito sempre para dar um sermão sobre a tolerância (os meus alunos já ouviram esse sermão milhentas vezes), religiosa e não-religiosa, digo-lhes que os cidadãos devem esforçar-se por avaliar o desempenho dos seus líderes políticos pelas decisões que estes tomam, pelas políticas que seguem, e nunca pela religião que têm ou não têm. Muitos timorenses ficavam espantadíssimos por me ouvirem dizer que Presidentes da República portugueses como Mário Soares e Jorge Sampaio não eram católicos.
Mas os meus alunos sabem rir de si mesmos e isso deixa-me feliz. Amo esta terra e caminho de olhos postos no futuro, procurando também saber rir de mim mesmo, e rir da vida, que às vezes “é madrasta”. E mantenho a esperança.
Díli, 27 de Maio de 2006, 20.00h
Vem isto a propósito de um incidente que me aconteceu hoje. Fui beber um café no Hotel Timor, ao lado do Bairro da Cooperação, e quando cheguei estava prestes a começar uma conferência de imprensa do Primeiro Ministro. Aproximei-me de uma amiga que comentou que o início da conferência de imprensa estava com algum atraso e eu respondi casualmente algo do género “O Primeiro Ministro ainda se deve estar a pôr bonito”. Foi um comentário completamente inocente, sem quaiquer segundas intenções, sem qualquer tom malicioso, mas uma senhora timorense que estava ali ao lado – sem dúvida perturbada pela tensão dos últimos dias – respondeu com um ar muito indignado qualquer coisa como “Não lhe admito que fale assim do Primeiro Ministro do meu país, eu também não falo assim do Primeiro Ministro do deu país”. É sabido o cuidado que o Primeiro Ministro português José Sócrates tem com a imagem (pagando até a assessores que aconselham sobre isso), pelo que um comentário desse género até lhe serviria como uma luva. Acabei por conseguir explicar à senhora que não tinha qualquer intenção de desrespeitá-la, nem desrespeitar Timor, nem desrespeitar os líderes do país, e ela aceitou as minhas desculpas por tê-la ofendido sem intenção.
Mas desse incidente sem importância pode compreender-se algo da situação actual do país, de como toda a gente anda uma pilha de nervos, da intolerância que grassa no ar, e também de como qualquer pequena faiscazinha pode despoletar situações graves. Há bandos de jovens armados com catanas, fisgas e paus, que andam de um lado para o outro, uns a deambular em busca de casas para roubar ou pessoas nascidas numa área geográfica diferente a quem bater, outros a patrulhar os seus bairros para se protegerem dos assaltantes. Não é preciso muito para que haja situações de violência. Os bandidos da cidade aproveitam para roubar o que podem. As tropas australianas já se vêem pela cidade, usando também blindados e helicópteros, mas não se fazem ainda patrulhas suficientes para sossegar completamente a população. Aguarda-se com ansiedade a chegada dos GNR, mais vocacionados para dispensar e deter bandos de malfeitores e ladrões como os que actuam pela cidade neste momento. Muita da população está refugiada em sítios como o aeroporto, recintos junto de Embaixadas, o porto, lugares da Igreja...Eu vou-me casar dentro de dias com uma moça timorense, aguardo o evoluir da situação para saber se vou fazer uma festa que dure toda a noite como é tradição em Timor ou se vou casar semi-clandestinamente com disparos como música de fundo. Já aluguei uma casa para morar com a minha mulher depois do casamento, e já me mudei para lá e levei para lá quase todos os meus pertences há umas duas semanas, mas nas últimas duas noites voltei a vir dormir ao meu quarto no Bairro da Cooperação por causa da insegurança em Díli. Agora a rotina diária inclui comprar cartões de telemóvel para telefonar a perguntar se ainda não me queimaram a casa, e para saber se os muitos amigos espalhados pela cidade, nas suas casas ou refugiados em diversos sítios (protegidos pelos australianos ou pertencentes à Igreja), estão todos bem.
Na quinta-feira antes de rebentar o tiroteio entre as FDTL e a PNTL no centro da cidade, estive na Faculdade às oito da manhã porque tinha uma aula combinada com os meus alunos. Estava lá uma dúzia deles, moços e moças. Não dei matéria, estivemos a conversar sobre a situação. Alguns tinham dormido na montanha devido aos ataques aos seus bairros e tinham vindo de longe, a pé, para as aulas, porque ter aulas ajudava a ter uma sensação de normalidade, de que ainda não estava tudo perdido. Conversámos amenamente em tétum, alguns contavam anedotas sobre as aventuras e desventuras que lhes tinham acontecido a fugir das milícias em 1999, outros gozavam com o seu próprio medo em situações perigosas que lhes tinham acontecido nos últimos dias. Mostravam um sentido de humor saudável, ao contrário da senhora do hotel. Ríamos e havia nisso um efeito de catarse, e tínhamos esperança.
Hoje de manhã, às 8 horas, tinha um exame marcado com eles. A Faculdade é aqui perto, fui lá para pôr um papel afixado na porta a dizer que o exame fica adiado para quando a situação estiver mais calma, escrevi no papel que talvez na próxima semana. Temia que houvesse alunos a aparecer para o exame e não me sentia bem por lhes gorar as expectativas sem sequer uma palavra. Havia de facto um estudante à minha espera. Enquanto conversávamos apareceu um grupo de uns vinte rapazes, todos com catanas (um trazia duas!), fisgas e paus, falando macassai entre si, alguns não teriam mais de 15 ou 16 anos. Tinham o ar de procurar casas para roubar ou incendiar, ou gente a quem bater. Não nos incomodaram, mas o moço ficou assustado. Ele é de uma região do ocidente. Acabou por me pedir que o levasse a casa, em Bebono, na minha motorizada. Fi-lo, era por causa do meu exame que ele ali estava, tinha-se arriscado corajosamente para vir fazer a prova, se lhe acontecesse alguma coisa no regresso eu ficaria com isso na consciência. No percurso pela marginal vi mesmo à minha frente dois rufias com facas a derrubarem um indivíduo de uma motorizada e a roubá-la.
Tenho ficado aqui pelo Bairro da Cooperação e Hotel Timor depois disso, se cada um de nós decidisse andar a passear por aí pela cidade isso daria um monte de trabalho extra aos senhores que andam a zelar pela nossa segurança, que têm coisas mais importantes para fazer do que servir de babysitters a “Indiana Jones de fim-de-semana” como nós. E isto leva-me de volta ao tema do humor. Todos nós fazemos figuras ridículas de vez em quando, nos últimos dias talvez com maior frequência do que o habitual. Não ter informação credível que nos permita compreender correctamente quem são “os maus” e quem são “os bons”, ou o porquê de haver timorenses activamente empenhados em destruir o país e a liberdade que foi conquistada com tanto sofrimento, leva-nos a procurar avidamente cada nova informaçãozinha e por vezes a ser inadvertidamente porta-vozes dos boatos mais mirabolantes, ou de uma das quinhentas teorias da conspiração que tentam encontrar algum sentido em tudo isto.
Independentemente de todas estas considerações parece-me que há duas coisas em que este país deveria investir: educação para a tolerância e sentido de humor. E ambas estão ligadas. Não é que não exista sentido de humor, os meus alunos que gozavam com o seu próprio medo têm-no bem apurado, mas faz falta aqui um programa televisivo como o “Contra Informação” da televisão portuguesa, no qual se usam bonecos que são caricaturas dos líderes de Portugal e onde estes são gozados pelas suas atitudes, decisões e tiques. Um líder político democrático, de qualquer país, tem muito a ganhar se o seu povo compreender que um dirigente político não tem natureza divina e portanto “pode invocar-se o nome dele em vão”. Este é um dos tijolos base da democracia. Isto promove a tolerância também. E Timor-Leste é ainda um país muito intolerante. Vivo aqui há cinco anos, e há cinco anos que ouço diariamente nos táxis, nas ruas, nas lojas, timorenses que criticam o facto de um país católico ter um Primeiro Ministro muçulmano. Aproveito sempre para dar um sermão sobre a tolerância (os meus alunos já ouviram esse sermão milhentas vezes), religiosa e não-religiosa, digo-lhes que os cidadãos devem esforçar-se por avaliar o desempenho dos seus líderes políticos pelas decisões que estes tomam, pelas políticas que seguem, e nunca pela religião que têm ou não têm. Muitos timorenses ficavam espantadíssimos por me ouvirem dizer que Presidentes da República portugueses como Mário Soares e Jorge Sampaio não eram católicos.
Mas os meus alunos sabem rir de si mesmos e isso deixa-me feliz. Amo esta terra e caminho de olhos postos no futuro, procurando também saber rir de mim mesmo, e rir da vida, que às vezes “é madrasta”. E mantenho a esperança.
Díli, 27 de Maio de 2006, 20.00h
Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
2:45 da tarde
5 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
Bairro da Cooperação,
Contra Informação,
FDTL,
GNR,
Hotel Timor,
juventude timorense,
PNTL,
sentido de humor,
violência de rua
sexta-feira, maio 26, 2006
Barbarie em Timor
Fotos da barbarie em Dili.
Choremos
Choremos
Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
2:29 da tarde
2 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
quarta-feira, maio 24, 2006
A primeira vez
Acabo de dar um teste à meia-dúzia de alunos que apareceram, enquanto numa colina ali próxima o ruído do tiroteio em rajadas soava como milho quando se fazem falocas.
Há sempre uma primeira vez para tudo…
Ha’u foin fó teste ida ba alunu balu de’it ne’ebé mosu, enkuantu iha laletek ida ne’ebé besik tiru-rajada tarutu hanesan batar sona.
Sempre iha dala uluk ba buat hotu-hotu…
Há sempre uma primeira vez para tudo…
Ha’u foin fó teste ida ba alunu balu de’it ne’ebé mosu, enkuantu iha laletek ida ne’ebé besik tiru-rajada tarutu hanesan batar sona.
Sempre iha dala uluk ba buat hotu-hotu…
Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
3:36 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
ensino,
FDTL,
PNTL,
UNTL,
violência de rua
terça-feira, maio 09, 2006
Moe
Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
6:05 da tarde
2 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
loromonu,
lorosa'e,
violência de rua
sábado, fevereiro 25, 2006
No antigamente na minha vida 2
Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
6:20 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
Amadora,
antigamente,
escultura,
eu
No antigamente na minha vida
Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
6:08 da tarde
1 comentário:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
Alemanha,
antigamente,
eu,
Ílhavo,
infância
domingo, fevereiro 05, 2006
Peneer meselo laa Literatura kidia-laa Timór

Este texto em tocodede foi publicado no “Várzea de Letras”, edição de Dezembro de 2005.
Este é possivelmente o primeiro texto publicado em tocodede na história desta língua, que se fala em Liquiçá e Maubara, e a ortografia usada é, naturamente, ainda provisória. Num pequeno manual sobre este idioma, a publicar no futuro próximo, pensamos poder desenvolver mais a nossa reflexão sobre esta questão. A tradução que agora publicamos baseia-se no dialecto desta língua falado na vila de Liquiçá.
Iso-kede’e kal testu iso-muno mane publika los bo’ahuu tokodede pesa-muno rata agora. Atu bo’a tokodede her Likisá los Maubara, maibé her tradusaun mane kami publika tilu kami dara dialetu vila Likisá ni’i pe bo’ahuu kede’e. Ortografia mane kami uza heki provizóriu, i kami nurat ke kami heki lebo dezenvolve pita kami-ni’i reflesaun kidia-laa asuntu iso-kede’e her manuál bruma mane kami heki publika daramai.
Peneer meselo laa Literatura kidia-laa Timór
Testu pe João Paulo T. Esperança, tradusaun laa bo’a-huu tokodede pe João Paulo T. Esperança, Fernanda Alves Correia i Cesaltina Campos
Versaun orijinál los bo’ahuu-portugés publika bali sé los parte ru her
Várzea de Letras, Suplemento Literário mensal do jornal Semanário, nº 3 [4] e nº 4 [5], Junho e Julho de 2004
tradusaun laa tetun pe João Paulo T. Esperança, Clara Viegas da Silva, Icha Bossa i Irta Araújo; Publika bali sé her Várzea de Letras, Suplemento Literário mensal do jornal Semanário, nº 8, Setembro de 2004
Versaun orijinál publika mós her Portugál her:
Esperança, João Paulo T. - Um brevíssimo olhar sobre a Literatura de Timor, in: «Mealibra – Revista de Cultura», Viana do Castelo (Portugal), Centro Cultural do Alto Minho, série 3 (16), Verão 2005, p. 131-134
Versaun ru (portugés i tetun) inklui mós her koletánea:
O que é a lusofonia/ Saida maka luzofonia / J. P. Esperança et al . – Díli: Instituto Camões, 2005 . – VIII+163 p. [koletánea bilinge – portugés i tetun – los testu oeoe]
Texto de João Paulo T. Esperança, traduzido para tocodede por João Paulo T. Esperança, Fernanda Alves Correia e Cesaltina Campos
O texto original em português foi publicado em duas partes no
Várzea de Letras, Suplemento Literário mensal do jornal Semanário, nº 3 [4] e nº 4 [5], Junho e Julho de 2004
A versão em tétum foi publicada no Várzea de Letras, Suplemento Literário mensal do jornal Semanário, nº 8, Setembro de 2004
A versão original foi também publicada em Portugal em:
Esperança, João Paulo T. - Um brevíssimo olhar sobre a Literatura de Timor, in: «Mealibra – Revista de Cultura», Viana do Castelo (Portugal), Centro Cultural do Alto Minho, série 3 (16), Verão 2005, p. 131-134
Ambas as versões (port. e tétum) foram incluídas na colectânea:
O que é a lusofonia/ Saida maka luzofonia / J. P. Esperança et al . – Díli: Instituto Camões, 2005 . – VIII+163 p. [colectânea bilingue – português e tétum – de textos vários]
Molok lapar selo, kami heki esplika pita-heta ke kami dima literatura “kidia-laa Timór” i teloos literatura “Timór ni’i”? Kede’e pita kami teloos bo’a mesa kidia-laa kerodór timorana, maibé heki inklui informasaun seri pe lapar seri-mane ke dia leti lee pe malae ro’o mane bua Timór megees asuntu literáriu. Kami heki tet estuda her-kede’e kidia-laa rekolla literatura orál los tradisionál, asuntu iso-kede’e kami heki lui laa oportunidade selo. Maski megees kede’e, kami manara dima ke rekolla tetdún nour pe ro’o-mane atu punu bali sé ke merese klasifikasaun iso-kede’e. Rekolla mane punu dara kritériu siénsia ni’i dia prinsípiu báziku dale “testu” iso sempre dia versaun nour, i versaun iso-iso heki eto rejistu mane loba i dara riko heta ke informante ro’o dale. Dara lobaloba tenke dia rejistu los ni’i bo’a-huu orijinál. Daramai ke lebo punu análize mane loba. Livru iso mane kuaze dara métodu iso-kede’e ke Textos em Teto da Literatura Oral Timorense, mane publika her 1961 pe Amu-Luli Artur Basílio de Sá (1), maski mestre-eskola Paulo Quintão los Marçal Andrade kero i punu testu sonotor los tetun-terik luhuir ro’o-ni’i. Kami mós heki dima kompilasaun (tet dia aparatu krítiku) The book of the Story Teller (2), mane sai her Austrália her 1995, i só ni’i títulu los prefásiu mesa ke kero los inglés, i istória ro’o kero nahati los tetun i tet tuli bo’a-huu los espresaun oeoe mane ibo-lama ro’o uza aipíl ro’o konta istória. Nourdesi pe “koletánea” ro’o selo pe arte verbál timorana ro’o-si’i afinál likis laa testu maizomenus literáriu mane, maski ni’i ramut her tradisaun, sai sé lapar heu iso, rekriasaun her tuku-huu selo.
Molok portugés ro’o rata mai Timór, aipíl sékulu XVI komesa, povu ro’o selo mai sé vizita kiti-ni’i tasi-ibo odi ala kai-kameli, desidesi atu-Xina, atu-malaiu los atu-Java. Pita povu ro’o Timór ni’i her tempu kono’o tet pana’a kero heki, malae ro’o-kede’e ke komesa kero apontamentu seri kidia-laa raesoro kede’e los atu rai-ubo. Maibé portugés ro’o ke komesa peni dinia her-kede’e, desidesi amu-luli katóliku ro’o, sékulu seri molok okupasaun koloniál lobaloba tama her rae iso-kede’e. Helehele tere monografia, livru-memórias, disionáriu, livru los orasaun her bo’a-huu oeoe Timór ni’i, pe kerodór megees amu-luli, militár, administradór, atu sole-rae i deportadu ro’o. Iso mane famozu desi ke A ilha Verde e Vermelha de Timor, pe Alberto Osório de Castro, mane publika primeira vés her revista Seara Nova, her hula-Juñu 1928 los hula-Juñu 1929, i depois, megees livru, pe Agência Geral das Colónias, her 1943. Heni tilutilu publika hali pe Livros Cotovia (3). Kede’e livru kidia-laa viajen, tet megees baibain, kero los proza poétika, benu los informasaun nour kidia-laa raesoro kede’e, ni’i hoho-los-rae los ni’i atu ro’o. Livru bruma pe Paulo Braga, A Ilha dos Homens Nus (4), peri kiti-ni’i atensaun pita kerodór matani Ataúru peneer (rekria?) pe u-ni’i mat idealista: sosiedade tradisionál libertária iso, tet dia esplorasaun pe atu laa atu, mane atu punu mesa “domin-livre”. Tempu kolonializmu ni’i punu tere mós fiksaun oe iso mane agora kede’e tilu kiti posi gala “literatura koloniál”, mane dara definisaun klásika pe Pires Laranjeira ke iso-mane “kero i publika, kuaze ma’omege, pe portugés ro’o mane glelu hali laa Portugál, uza pontudevista pe ezotizmu, evazionizmu, luiduu rasa ro’o selo (megees atu-meta), ne-apoiu laa ideia los prátika kolonialista, mane peneer laa mundu i laa situasaun oeoe darapé malae-buti ro’o-si mat, los personajen importante desi mós malae-buti ma’o, seri kolonu seri atu sole-rae, los, aipíl atu-meta tama her istória, narradór peneer meselo laa ro’o, matani ro’o megees lapar iso estrañu, folklóriku, hui, i tet konsidera ro’o megees atu los kultura riko, los ro’o-si psikolojia, sentimentus i gunutar” (5). Her Timór, reprezentante bloi iso pe jéneru iso-kede’e ke Caiúru, pe Grácio Ribeiro (6). Novela los estilu autobiográfiku, konta aventura oeoe pe joven komunista iso mane eto deportasaun mai Timór pita punu atividade polítika saka rejime faxista her Portugál, mane her-kede’e punsole istória-domin iso los u-ni’i nona gala Caiúru. Maski u matani simpatia laa atu mane eto kondenasaun laa serbisu rihu i laa revoltozu ro’o pe Manufahi, i u sente orgullu pita u tet bonu u-ni’i ausiliár ro’o, tet megees u-ni’i kamarada ro’o mane sep bonu kriadu, maibé u-ni’i situasaun bloi desi megees atu-buti punu u bligu u-ni’i ideolojia polítika, i u mós komesa punu megees atu-a’e iso mane lebo deside kidia-laa atu bruma rai-ubu ro’o-si vida. Livru iso-kede’e dokumentu sosiolójiku interesante loba, mane matani aspetu oeoe pe sosiedade her tempu kono’o, porezemplu pelheta ke u ala nona iso – mane u-ni’i tunugu baratu desi duké kuda iso mane u mós ala. Nona ro’o sai megees asuntu mane tere molumolu her literatura kero pe atu-metrópole ro’o, kal pita nona ro’o megees parte pe sosiedade her-kede’e mane ro’o segi desi, i hine-losa seri-kede’e sai megees janela laa mundu Timór ni’i laa ro’o-si “meki-mane” malae. Grácio Ribeiro heki kero pita kidia-laa deportadu ro’o-si mori her romanse iso mane u heki publika depois (7).
Tama sé laa korrente literatura pós-koloniál, los krítika huru laa kolonializmu ni punhuu kalao, kami dima Corpo colonial (8), “romanse femininu loba, mane konta daa Alitia ni’i, alferes milisianu ni’i hee mane dara u-ni’i mekei-mane mai Timór, kolónia mane kroo rata atu nour bligu bali, hati mane hunu koloniál tet rata i militár ro’o-si’i inimigu a’e ke tédiu mesa (signifika ro’o somoli pita ro’o tet dia lapar iso odi punu i ro’o-ni’i mori aer-aer ni’i tet rame). Kiti lebo dale kede’e livru iso susar par lee, mane interrompe molumolu ni istória los monólogu filozófiku manaru ka diálogu mane tet megees realidade kidia-laa kestaun ezistensiál oeoe, maibé matani mós quadru interesante iso kidia-laa tropa ro’o-si’i hee mane peni her raesoro kede’e her Ázia los Oseania ni’i talaa i mós kidia-laa kondisaun hine ni’i. Kede’e mós romanse iso kidia-laa tuli esperansa, traisaun los mori mane tet kontente i tet kompletu.”(9) U-ni’i istória bo’a kidia-laa pel-heta ke protagonista sai segi laa Manucodiata, hine-losa prostituta timorana mane Alitia ni’i mekei-mane laa molumolu los u, i livru kede’e mós matani situasaun heu iso her relasaun pe metropolitanu ro’o los hine seri her-kede’e: “Muno, malae-buti ro’o nee barlake odi ala nona ro’o. Depoizde tropa ro’o mai ro’o nee mesa osa odi suri lapeta” (Ruas, 1981:16). Livru iso mane kontráriu loba laa literatura koloniál ke Uma deusa no “inferno” de Timor, pe Francisco A. Gomes (10). Livru iso-kede’e tama laa estilu iso mane kiti lebo posi gala “literatura arrependimentu ni’i”, leti mesa odi punduu lapar ma’omege mane Portugál ni’i i dia mós personajen timorana nour (desidesi hine) revolusionáriu los atu nour ke dara ro’o, maibé anakróniku (signifika tet dara realidade loba tempu kono’o ni’i), u naa inventa i tet peneer laa situasaun istórika i sosiál lobaloba her tempu mane u-ni’i asaun sole. Hali glelu hali laa asuntu muno, kiti eto A nona do Pinto Brás (Novela Timorense) (11). Kede’e novela bruma iso mane punsole ni’i istória her too seri lemori molok administrasaun koloniál portugés ma’o, mane ni’i kerodór matani koñesimentu lobaloba kidia-laa kultura los Istória Timór ni’i, maski her istória kede’e kiti kuaze eto mesa pontudevista pe tropa ro’o kidia-laa heta ke akontese – kiti tet dun biban odi pana’a lapar iso kidia-laa Joaquina Mêtan seni-loba, pelmane ke u peneer laa mundu kede’e, u-ni’i sentimentus ka relasaun sosiál ro’o; kiti koñese mesa u-ni’i mori megees malae ni nona iso. Filipe Ferreira ke asina livru kede’e, maibé estilu kero ni’i punu kami nee-sai ipóteze dale kede’e gala-literáriu mane Istoriadór Luís Filipe F. R. Thomaz loi. Istoriadór kede’e famozu i atu-pana’a kidia-laa Istória Timór ni’i los prezensa portugés ro’o-si’i her Ázia.
Daramai kiti kitiku tama laa mundu poezia ni’i, agora pe kerodór timorana ro’o. Pe ro’o-kede’e iso mane lebo importante desi ke Fernando Sylvan. Kede’e gala literáriu pe Abílio Leopoldo Motta-Ferreira. Maski u laa peni dinia her Portugál aipíl heki anrana, u-ni’i lara nunka sai kroo pe u-ni’i rae-ina, mane sai molumolu asuntu laa u-ni’i poezia, putu los tema universál desi megees bua-sa’e domin ka hine iso-mane u hadomi. Intelektuál tunuu, durante too nour u sai Prezidente Sociedade da Língua Portuguesa ni’i. U-ni’i knaar poétiku kuaze ma’o-mege posi putu her livru A Voz Fagueira de Oan Tímor (12). U mate her aer-Natál her too 1993. Daramai dia testu bruma iso, mane Luís Cardoso (“Takas”) publika her momentu kono’o her Kaibauk – Boletim de Informação Timorense (13):
“Fernando Sylvan
ka Bo’a-huu Monok ro’o
Lema’o
(maibé só lema’o)
manu-am ro’o
heki luta tet los lapar-hati
Kede’e poema mane u dedika laa Xanana Gusmão. Fernando Sylvan poeta iso mane sente dale u tenke nee-sai riko bo’a-huu, maibé só bo’a-huu ro’o mane presiza. Pita silénsiu tet signifika tet dia bo’a-huu ka bo’a-huu ma’o. Maibé, her aer-25 hula-Dezembru, aipíl atu ma’o-mege leti bo’a-huu oeoe odi mese’e Anana ni’i Mori, Fernando Sylvan tenega bali. I u-ni’i isi-lolo bruma huku los silénsiu rihu mane, dala iso-kede’e, rihu megees bo’a-huu ro’o ma’o-mege putu.
Peni her keha, dezde tempu u heki anrana i depoizde dékada nour mane u kroo pe u-ni’i raesoro doben, punu u riko punu-bri los bo’a-huu raesoro seri mane pnitir tasi-a’e tenega los terus ni’i. U estuda tuku-huu portugés i uza u-ni’i kero megees “ai-suak (14)” odi keke manaru rata bo’a-huu ni’i nuba odi leti heta-iso ke punu-putu tuku-huu ma’o-mege, inklui mós tuku-huu pe u-ni’i tempu u heki kamasi.
Leemori, her aer laa mori ma’o-mege, Fernando Sylvan posi u-ni’i an blasi laa limu pe tuku-huu ro’o ma’o ni’i ina: tenega ka bo’a-huu monok.”
Sylvan inklui mós her koletánea pe poeta timorana ro’o Enterrem meu coração no Ramelau (15), mane publika her Luanda pe União de Escritores Angolanos, putu los José Alexandre Gusmão, Jorge Lautén, los ro’o seri pita mane kero tet dun sonotor, i tempu punu kiti bligu ro’o-si’i gala. Kazu ru her poezia Timór ni’i mane reprezenta loba literatura mane tama laa ideolojia polítika seri ni’i lara ke Borja da Costa (inklui mós her koletánea UEA ni’i), her “toki” revolusionária, i mós Jorge Barros Duarte (16), her “kmoo” reasionária. Kami dima bali sé José Alexandre Gusmão, mane atu koñese desi los gala Xanana, agora kede’e tilutilu Prezidente Repúblika ni’i, publika her 1998 Mar Meu – Poemas e pinturas (17), mane kero aipíl u dadur. Kerodór pe Mosambike Mia Couto dale her prefásiu: I her página seri-kede’e a konfirma: darapé mane iso u-ni’i limu ke kero Timór. Livru iso Xanana Gusmão ni’i tet megees livru baibain. Darapé u-ni’i letra kiti sente dale povu iso ketemo, nasaun iso, ke bo’a. Her-kono’o tetloos poezia mesa maibé di’a mós epopeia povu iso ni’i, eroízmu mane kiti manara ala hati, utopia mane kiti manara leti sai kiti-ni’i. (18) Edisaun iso-muno kede’e publika los bo’a-huu ru, los tradusaun laa bo’a-huu inglés pe Kirsty Sword i Ana Luísa Amaral; depois tere edisaun heu iso, mós los bo’a-huu ru, los tulun pe Instituto Camões, mane Luís Costa ke tradús laa tetun. João Aparício mós gala iso mane kiti tet lebo bligu, los livru-poezia ru mane publika bali sé pe Editorial Caminho, À janela de Timor (19) i Uma casa e duas vacas. Iso pita, los pseudónimu Kay Shaly Rakmabean, publika pe Real Associação de Braga, los títulu Versos do Oprimido (20). Lema’o masakre her Santa Krús, Abé Barreto aproveita u-ni’i prezensa her Kanadá los programa troka-ro’o laa estudante universitáriu ro’o, i u tugu azilu polítiku, depois u sai kantór-intervensaun putu los ativista kanadianu Aloz MacDonald. Abé publika her Olanda her 1995 Menari Mengelilingi Planet Bumi (Dansa legur Planeta Terra), poezia loa bo’ahuu-indonézia, i her 1996, her Austrália, Come with me singing in a choir (Mai los a kanta her koru iso). Dia mós kerodór losa timorana selo pita mane nee-sai ro’o-si’i sentimentus darapé poezia, seri publika bali sé livru, seri los poema bakabiar her jornál los boletin oeoe. Kami dima atu ru: Crisódio Araújo i Celso Oliveira. Poeta iso mane, lebo u atu-Portugál, maibé u segi loba laa Timór i laa timorana ro’o, u-ni’i kero sonotor loba, ke Ruy Cinatti. Poeta, agrónomu, antropólogu, botániku, u-ni’i knaar bluar i atu nour koñese bali sé, inklui livru seri-kede’e: Não Somos Deste Mundo (1941), Poemas Escolhidos (1951), O Livro do Nómada Meu Amigo (1966), Sete Septetos (1967), Borda d’Água (1970), Uma Sequência Timorense (1970), Cravo Singular (1974), Timor – Amor (1974), O A Fazer, Faz-se (1976), Poemas (1981), Manhã Imensa (1982), i Um Cancioneiro para Timor (1996).
Kerodór timorana tet nour punu knaar kero romanse. Ponte Pedrinha, pseudónimu literáriu Henrique Borges ni’i, kero Andanças de um Timorense, mane publika her 1998 pe Edições Colibri (21). Poeta mosambikanu José Craveirinha kero her prefásiu: “Tristeza a’e ke hananu sonotor megees kede’e puntere testu poku iso-kede’e. Poku i umilde maibé sinseru loba. Sinseru i A’e!” (22). Epizódiu importante her estrutura daledara kede’e aipíl kazál joven Kotená los Kêti-Kia tet respeita lisa antigu atu-ataúru ro’o-si’i, dara lisa iso-kede’e noiva her buta-kaben ni’i tet putu los u-ni’i noivu maibé ena hali los u-ni’i noivu ni’i tiu. Padre Jorge Barros Duarte mós daledara kidia-laa kostume iso-kede’e: “Meselo aer ru ka telu pe faze muno, noivu ni’i ina laa hia noiva her u-ni’i ina-ama ni’i soa i odi u laa noivu ni’i soa. Her faze iso-kede’e ke noivu ni’i am’mori roi tada noiva («koko» intimamente, n.k. “getu u-ni’i kai-hetu”).” (23). Her pozisaun klau desi, kiti eto Luís Cardoso, autór timorana mane kero sonotor desi ma’o-mege, publika bali sé romanse telu, selopé kolabora her jornál i revista oeoe. Crónica de uma travessia – A época do ai-dik-funam (24) daledara u-ni’i mori riko i akompaña mós Istória lemori Timór ni’i i bo’a kidia-laa daa oeoe mane autór los u-ni’i ama sole, her kiti-ni’i rae, her rae selo i mós daa her ro’o-si’i mori riko. Lapar seri-kede’e ma’o akontese her mundu luli mane her Timór mós uku Istória, ka atu ro’o-si’i nurat kidia-laa Istória. Olhos de Coruja, Olhos de Gato Bravo (25) tama desi pita laa mundu luli iso-kede’e, i u laa leti mitu fundamentál povu Timór ni’i, megees ro’o-si’i mane bo’a kidia-laa revolta Manufahi ni’i. Her A última morte do Coronel Santiago (26) u uza punbloi téknika daledara ni’i enkuantu u konta tilu punhuu pe personajen oeoe mane inklui mós kerodór iso alter ego pe autór, mane u-ni’i lara balasi laa personajen hine prinsipál pe autór ni’i romanse mori. Majia los luli pe fiar sobrenaturál Timór ni’i glabur los ironia típika pe Luís Cardoso, mane mós dima molumolu ambiente, livru los referénsias pe intelektuál seri pe toki moderna Europa ni’i.
Hehe koi iso pita pe área livru timorana ro’o-si’i, her livru ru mane kiti heki dima her-kede’e, i kiti lebo posi gala megees “literatura-denúnsia”. Saksi Mata (27) (Atu ke eto los mat), istória-bruma nour mane akontese her tempu mane Indonézia heki kedesi kiti-ni’i rae, kero pe Seno Gumira Ajidarma, kerodór importante lobaloba her jerasaun lemori literatura Indonézia ni’i. Ajidarma publika muno istória-bruma seri-kede’e her jornál oeoe her rae kono’o, lema’o atu-a’e ro’o punu u sai pe u-ni’i serbisu her revista Jakarta Jakarta pita u nee-sai notísia kidia-laa masakre her 12 Novembru 91. Editora bruma, Bentang Budaya, ke publika edisaun iso-muno megees livru her too 1994 ni’i lara. Timor Aid heki publika livru iso-kede’e her bo’ahuu-tetun, los tradusaun pe Triana Oliveira. João Paulo Esperança mós tradús tilutilu livru kede’e laa portugés, maibé tet heki dia editora. Livru iso pita mane peri kiti-ni’i atensaun ke A redundância da coragem (28) pe Timothy Mo, mane publika orijinalmente her bo’ahuu-inglés her 1991. Autór kede’e ni’i ina atu-Inglaterra los u-ni’i ama atu-Kantaun her Xina. U konsege konta lobaloba kidia-laa sociedade Timór ni’i her tempu mori her administrasaun portugeza, depois peleheta ke durante too seri populasaun nour peni her hoho-lau i hunu her kai-lara saka invazór, i daramai kidia-laa mori laa ro’o mane rende ka bapa ro’o kaptura. Lapar seri kede’e ma’o daledara pe narradór Adoph Ng ni’i bo’ahuu mane uza molumolu tia-tukuhuu; u atu-Xina timorana, omoseksuál los mane pe mundu a’e her keha mane sente nahati megees tetloos atu rae-ubu iso her u-ni’i rae pita u-ni’i ama kusuu u laa estuda her universidade her Toronto, her Kanadá.
Literatura mane kero pe timorana ro’o baibain uza mesa bo’ahuu-portugés, seni’it mesa ke tai. Ro’o peneer ke rezisténsia, identidade los nasionalidade mós darapé bo’ahuu-portugés. Kami fiar ke jerasaun agora kede’e tilu, mane komesa bali odi go’e a pe presaun kulturál mane eto durante too nour aipíl tenke dekór mesa Pancasila los bo’ahuu-indonézia, heki punteri tet agi mós literatura heu iso tibu her bo’ahuu-tetun. Kiti heki lee i peneer...
[1] Sá, Artur Basílio de [ed. krítiku] – Textos em Teto da Literatura Oral Timorense, vol.1, Lisboa, Junta de Investigação do Ultramar/ Centro de Estudos Políticos e Sociais, 1961
2 Pereira, Agio [kompiladór] – Timor: The book of the Story-Teller. Cabramatta (Austrália), Timorese Australian Council, 1995
3 Castro, Alberto Osório de – A ilha verde e vermelha de Timor. Lisboa, Livros Cotovia, 1996
4 Braga, Paulo – A ilha dos homens nus. Lisboa, Editorial Cosmos, 1936
5 Laranjeira, Pires – Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa. Lisboa, Universidade Aberta, 1995, p. 26. (Tradusaun pe testu bruma kede’e laa bo’ahuu- tokodede kami ke punu).
6 Ribeiro, Grácio – Caiúru. Lisboa, Colecção «Amanhã», 1939
7 Ribeiro, Grácio – Deportados. s.l., edisaun autór ni’i (?), 1972
8 Ruas, Joana – Corpo colonial. Coimbra, Centelha, 1981
9 Esperança, J.P. – Uma leitura lilás de Corpo colonial de Joana Ruas, in: «Revista Lilás», Amadora, (29), Dez. 2000, p. 15-29
10 Gomes, Francisco A. – Uma deusa no “inferno” de Timor. Braga, Ed. autór ni’i, 1980
11 Ferreira, Filipe – A nona do Pinto Brás (Novela Timorense). Lisboa, ERL-Editora de Revistas e Livros, 1992
12 Sylvan, Fernando – A voz fagueira de Oan Tímor. Lisboa, Colibri, 1993
13 “Takas”, Luís – Fernando Sylvan ou O Silêncio das Palavras. «Kaibauk – Boletim de Informação Timorense», Linda-a-Velha, 1(7), Jan-Fev 1994, p. 14 (Tradusaun pe testu bruma kede’e laa bo’ahuu- tokodede kami ke punu).
14 Kero los tetun her testu orijinál
15 União dos Escritores Angolanos – Enterrem meu coração no Ramelau – Poesia de Timor-Leste. Luanda, 1982
16 Duarte, Jorge Barros – Jeremíada. Odivelas, Pentaedro, 1988
17 Gusmão, Xanana – Mar Meu – Poemas e Pinturas / My Sea of Timor – Poems and Paintings. Porto, Granito, 1998
Gusmão, Xanana – Mar Meu – Poemas e Pinturas / Tasi Ha’un – Dadolin no Taturik. Porto, Granito/Instituto Camões, 2003
18 Tradusaun pe testu bruma kede’e laa bo’ahuu- tokodede kami ke punu.
19 Aparício, João – À janela de Timor. Lisboa, Caminho, 1999
20 Rakmabean, Kay Shaly – Versos do Oprimido. Braga, Real Associação de Braga, 1995
21 Pedrinha, Ponte – Andanças de um timorense. Lisboa, Colibri, 1998
22 Tradusaun pe fraze seri-kede’e laa bo’ahuu- tokodede kami ke punu.
23 Duarte, Jorge Barros – Timor – Ritos e Mitos Ataúros. Lisboa, ICALP, 1984, p. 49 (Tradusaun pe testu bruma kede’e laa bo’ahuu-tokodede kami ke punu).
24 Cardoso, Luís – Crónica de uma travessia – A época do ai-dik-funam. Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1997
25 Cardoso, Luís – Olhos de Coruja, Olhos de Gato Bravo. Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2001
26 Cardoso, Luís – A última morte do Coronel Santiago. Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2003
27 Ajidarma, Seno Gumira – Saksi Mata, cetakan keempat. Yogyakarta, Yayasan Bentang Budaya, 2002
28 Mo, Thimothy – A redundância da coragem. Lisboa, Puma Editora, 1992
Este é possivelmente o primeiro texto publicado em tocodede na história desta língua, que se fala em Liquiçá e Maubara, e a ortografia usada é, naturamente, ainda provisória. Num pequeno manual sobre este idioma, a publicar no futuro próximo, pensamos poder desenvolver mais a nossa reflexão sobre esta questão. A tradução que agora publicamos baseia-se no dialecto desta língua falado na vila de Liquiçá.
Iso-kede’e kal testu iso-muno mane publika los bo’ahuu tokodede pesa-muno rata agora. Atu bo’a tokodede her Likisá los Maubara, maibé her tradusaun mane kami publika tilu kami dara dialetu vila Likisá ni’i pe bo’ahuu kede’e. Ortografia mane kami uza heki provizóriu, i kami nurat ke kami heki lebo dezenvolve pita kami-ni’i reflesaun kidia-laa asuntu iso-kede’e her manuál bruma mane kami heki publika daramai.
Peneer meselo laa Literatura kidia-laa Timór
Testu pe João Paulo T. Esperança, tradusaun laa bo’a-huu tokodede pe João Paulo T. Esperança, Fernanda Alves Correia i Cesaltina Campos
Versaun orijinál los bo’ahuu-portugés publika bali sé los parte ru her
Várzea de Letras, Suplemento Literário mensal do jornal Semanário, nº 3 [4] e nº 4 [5], Junho e Julho de 2004
tradusaun laa tetun pe João Paulo T. Esperança, Clara Viegas da Silva, Icha Bossa i Irta Araújo; Publika bali sé her Várzea de Letras, Suplemento Literário mensal do jornal Semanário, nº 8, Setembro de 2004
Versaun orijinál publika mós her Portugál her:
Esperança, João Paulo T. - Um brevíssimo olhar sobre a Literatura de Timor, in: «Mealibra – Revista de Cultura», Viana do Castelo (Portugal), Centro Cultural do Alto Minho, série 3 (16), Verão 2005, p. 131-134
Versaun ru (portugés i tetun) inklui mós her koletánea:
O que é a lusofonia/ Saida maka luzofonia / J. P. Esperança et al . – Díli: Instituto Camões, 2005 . – VIII+163 p. [koletánea bilinge – portugés i tetun – los testu oeoe]
Texto de João Paulo T. Esperança, traduzido para tocodede por João Paulo T. Esperança, Fernanda Alves Correia e Cesaltina Campos
O texto original em português foi publicado em duas partes no
Várzea de Letras, Suplemento Literário mensal do jornal Semanário, nº 3 [4] e nº 4 [5], Junho e Julho de 2004
A versão em tétum foi publicada no Várzea de Letras, Suplemento Literário mensal do jornal Semanário, nº 8, Setembro de 2004
A versão original foi também publicada em Portugal em:
Esperança, João Paulo T. - Um brevíssimo olhar sobre a Literatura de Timor, in: «Mealibra – Revista de Cultura», Viana do Castelo (Portugal), Centro Cultural do Alto Minho, série 3 (16), Verão 2005, p. 131-134
Ambas as versões (port. e tétum) foram incluídas na colectânea:
O que é a lusofonia/ Saida maka luzofonia / J. P. Esperança et al . – Díli: Instituto Camões, 2005 . – VIII+163 p. [colectânea bilingue – português e tétum – de textos vários]
Molok lapar selo, kami heki esplika pita-heta ke kami dima literatura “kidia-laa Timór” i teloos literatura “Timór ni’i”? Kede’e pita kami teloos bo’a mesa kidia-laa kerodór timorana, maibé heki inklui informasaun seri pe lapar seri-mane ke dia leti lee pe malae ro’o mane bua Timór megees asuntu literáriu. Kami heki tet estuda her-kede’e kidia-laa rekolla literatura orál los tradisionál, asuntu iso-kede’e kami heki lui laa oportunidade selo. Maski megees kede’e, kami manara dima ke rekolla tetdún nour pe ro’o-mane atu punu bali sé ke merese klasifikasaun iso-kede’e. Rekolla mane punu dara kritériu siénsia ni’i dia prinsípiu báziku dale “testu” iso sempre dia versaun nour, i versaun iso-iso heki eto rejistu mane loba i dara riko heta ke informante ro’o dale. Dara lobaloba tenke dia rejistu los ni’i bo’a-huu orijinál. Daramai ke lebo punu análize mane loba. Livru iso mane kuaze dara métodu iso-kede’e ke Textos em Teto da Literatura Oral Timorense, mane publika her 1961 pe Amu-Luli Artur Basílio de Sá (1), maski mestre-eskola Paulo Quintão los Marçal Andrade kero i punu testu sonotor los tetun-terik luhuir ro’o-ni’i. Kami mós heki dima kompilasaun (tet dia aparatu krítiku) The book of the Story Teller (2), mane sai her Austrália her 1995, i só ni’i títulu los prefásiu mesa ke kero los inglés, i istória ro’o kero nahati los tetun i tet tuli bo’a-huu los espresaun oeoe mane ibo-lama ro’o uza aipíl ro’o konta istória. Nourdesi pe “koletánea” ro’o selo pe arte verbál timorana ro’o-si’i afinál likis laa testu maizomenus literáriu mane, maski ni’i ramut her tradisaun, sai sé lapar heu iso, rekriasaun her tuku-huu selo.
Molok portugés ro’o rata mai Timór, aipíl sékulu XVI komesa, povu ro’o selo mai sé vizita kiti-ni’i tasi-ibo odi ala kai-kameli, desidesi atu-Xina, atu-malaiu los atu-Java. Pita povu ro’o Timór ni’i her tempu kono’o tet pana’a kero heki, malae ro’o-kede’e ke komesa kero apontamentu seri kidia-laa raesoro kede’e los atu rai-ubo. Maibé portugés ro’o ke komesa peni dinia her-kede’e, desidesi amu-luli katóliku ro’o, sékulu seri molok okupasaun koloniál lobaloba tama her rae iso-kede’e. Helehele tere monografia, livru-memórias, disionáriu, livru los orasaun her bo’a-huu oeoe Timór ni’i, pe kerodór megees amu-luli, militár, administradór, atu sole-rae i deportadu ro’o. Iso mane famozu desi ke A ilha Verde e Vermelha de Timor, pe Alberto Osório de Castro, mane publika primeira vés her revista Seara Nova, her hula-Juñu 1928 los hula-Juñu 1929, i depois, megees livru, pe Agência Geral das Colónias, her 1943. Heni tilutilu publika hali pe Livros Cotovia (3). Kede’e livru kidia-laa viajen, tet megees baibain, kero los proza poétika, benu los informasaun nour kidia-laa raesoro kede’e, ni’i hoho-los-rae los ni’i atu ro’o. Livru bruma pe Paulo Braga, A Ilha dos Homens Nus (4), peri kiti-ni’i atensaun pita kerodór matani Ataúru peneer (rekria?) pe u-ni’i mat idealista: sosiedade tradisionál libertária iso, tet dia esplorasaun pe atu laa atu, mane atu punu mesa “domin-livre”. Tempu kolonializmu ni’i punu tere mós fiksaun oe iso mane agora kede’e tilu kiti posi gala “literatura koloniál”, mane dara definisaun klásika pe Pires Laranjeira ke iso-mane “kero i publika, kuaze ma’omege, pe portugés ro’o mane glelu hali laa Portugál, uza pontudevista pe ezotizmu, evazionizmu, luiduu rasa ro’o selo (megees atu-meta), ne-apoiu laa ideia los prátika kolonialista, mane peneer laa mundu i laa situasaun oeoe darapé malae-buti ro’o-si mat, los personajen importante desi mós malae-buti ma’o, seri kolonu seri atu sole-rae, los, aipíl atu-meta tama her istória, narradór peneer meselo laa ro’o, matani ro’o megees lapar iso estrañu, folklóriku, hui, i tet konsidera ro’o megees atu los kultura riko, los ro’o-si psikolojia, sentimentus i gunutar” (5). Her Timór, reprezentante bloi iso pe jéneru iso-kede’e ke Caiúru, pe Grácio Ribeiro (6). Novela los estilu autobiográfiku, konta aventura oeoe pe joven komunista iso mane eto deportasaun mai Timór pita punu atividade polítika saka rejime faxista her Portugál, mane her-kede’e punsole istória-domin iso los u-ni’i nona gala Caiúru. Maski u matani simpatia laa atu mane eto kondenasaun laa serbisu rihu i laa revoltozu ro’o pe Manufahi, i u sente orgullu pita u tet bonu u-ni’i ausiliár ro’o, tet megees u-ni’i kamarada ro’o mane sep bonu kriadu, maibé u-ni’i situasaun bloi desi megees atu-buti punu u bligu u-ni’i ideolojia polítika, i u mós komesa punu megees atu-a’e iso mane lebo deside kidia-laa atu bruma rai-ubu ro’o-si vida. Livru iso-kede’e dokumentu sosiolójiku interesante loba, mane matani aspetu oeoe pe sosiedade her tempu kono’o, porezemplu pelheta ke u ala nona iso – mane u-ni’i tunugu baratu desi duké kuda iso mane u mós ala. Nona ro’o sai megees asuntu mane tere molumolu her literatura kero pe atu-metrópole ro’o, kal pita nona ro’o megees parte pe sosiedade her-kede’e mane ro’o segi desi, i hine-losa seri-kede’e sai megees janela laa mundu Timór ni’i laa ro’o-si “meki-mane” malae. Grácio Ribeiro heki kero pita kidia-laa deportadu ro’o-si mori her romanse iso mane u heki publika depois (7).
Tama sé laa korrente literatura pós-koloniál, los krítika huru laa kolonializmu ni punhuu kalao, kami dima Corpo colonial (8), “romanse femininu loba, mane konta daa Alitia ni’i, alferes milisianu ni’i hee mane dara u-ni’i mekei-mane mai Timór, kolónia mane kroo rata atu nour bligu bali, hati mane hunu koloniál tet rata i militár ro’o-si’i inimigu a’e ke tédiu mesa (signifika ro’o somoli pita ro’o tet dia lapar iso odi punu i ro’o-ni’i mori aer-aer ni’i tet rame). Kiti lebo dale kede’e livru iso susar par lee, mane interrompe molumolu ni istória los monólogu filozófiku manaru ka diálogu mane tet megees realidade kidia-laa kestaun ezistensiál oeoe, maibé matani mós quadru interesante iso kidia-laa tropa ro’o-si’i hee mane peni her raesoro kede’e her Ázia los Oseania ni’i talaa i mós kidia-laa kondisaun hine ni’i. Kede’e mós romanse iso kidia-laa tuli esperansa, traisaun los mori mane tet kontente i tet kompletu.”(9) U-ni’i istória bo’a kidia-laa pel-heta ke protagonista sai segi laa Manucodiata, hine-losa prostituta timorana mane Alitia ni’i mekei-mane laa molumolu los u, i livru kede’e mós matani situasaun heu iso her relasaun pe metropolitanu ro’o los hine seri her-kede’e: “Muno, malae-buti ro’o nee barlake odi ala nona ro’o. Depoizde tropa ro’o mai ro’o nee mesa osa odi suri lapeta” (Ruas, 1981:16). Livru iso mane kontráriu loba laa literatura koloniál ke Uma deusa no “inferno” de Timor, pe Francisco A. Gomes (10). Livru iso-kede’e tama laa estilu iso mane kiti lebo posi gala “literatura arrependimentu ni’i”, leti mesa odi punduu lapar ma’omege mane Portugál ni’i i dia mós personajen timorana nour (desidesi hine) revolusionáriu los atu nour ke dara ro’o, maibé anakróniku (signifika tet dara realidade loba tempu kono’o ni’i), u naa inventa i tet peneer laa situasaun istórika i sosiál lobaloba her tempu mane u-ni’i asaun sole. Hali glelu hali laa asuntu muno, kiti eto A nona do Pinto Brás (Novela Timorense) (11). Kede’e novela bruma iso mane punsole ni’i istória her too seri lemori molok administrasaun koloniál portugés ma’o, mane ni’i kerodór matani koñesimentu lobaloba kidia-laa kultura los Istória Timór ni’i, maski her istória kede’e kiti kuaze eto mesa pontudevista pe tropa ro’o kidia-laa heta ke akontese – kiti tet dun biban odi pana’a lapar iso kidia-laa Joaquina Mêtan seni-loba, pelmane ke u peneer laa mundu kede’e, u-ni’i sentimentus ka relasaun sosiál ro’o; kiti koñese mesa u-ni’i mori megees malae ni nona iso. Filipe Ferreira ke asina livru kede’e, maibé estilu kero ni’i punu kami nee-sai ipóteze dale kede’e gala-literáriu mane Istoriadór Luís Filipe F. R. Thomaz loi. Istoriadór kede’e famozu i atu-pana’a kidia-laa Istória Timór ni’i los prezensa portugés ro’o-si’i her Ázia.
Daramai kiti kitiku tama laa mundu poezia ni’i, agora pe kerodór timorana ro’o. Pe ro’o-kede’e iso mane lebo importante desi ke Fernando Sylvan. Kede’e gala literáriu pe Abílio Leopoldo Motta-Ferreira. Maski u laa peni dinia her Portugál aipíl heki anrana, u-ni’i lara nunka sai kroo pe u-ni’i rae-ina, mane sai molumolu asuntu laa u-ni’i poezia, putu los tema universál desi megees bua-sa’e domin ka hine iso-mane u hadomi. Intelektuál tunuu, durante too nour u sai Prezidente Sociedade da Língua Portuguesa ni’i. U-ni’i knaar poétiku kuaze ma’o-mege posi putu her livru A Voz Fagueira de Oan Tímor (12). U mate her aer-Natál her too 1993. Daramai dia testu bruma iso, mane Luís Cardoso (“Takas”) publika her momentu kono’o her Kaibauk – Boletim de Informação Timorense (13):
“Fernando Sylvan
ka Bo’a-huu Monok ro’o
Lema’o
(maibé só lema’o)
manu-am ro’o
heki luta tet los lapar-hati
Kede’e poema mane u dedika laa Xanana Gusmão. Fernando Sylvan poeta iso mane sente dale u tenke nee-sai riko bo’a-huu, maibé só bo’a-huu ro’o mane presiza. Pita silénsiu tet signifika tet dia bo’a-huu ka bo’a-huu ma’o. Maibé, her aer-25 hula-Dezembru, aipíl atu ma’o-mege leti bo’a-huu oeoe odi mese’e Anana ni’i Mori, Fernando Sylvan tenega bali. I u-ni’i isi-lolo bruma huku los silénsiu rihu mane, dala iso-kede’e, rihu megees bo’a-huu ro’o ma’o-mege putu.
Peni her keha, dezde tempu u heki anrana i depoizde dékada nour mane u kroo pe u-ni’i raesoro doben, punu u riko punu-bri los bo’a-huu raesoro seri mane pnitir tasi-a’e tenega los terus ni’i. U estuda tuku-huu portugés i uza u-ni’i kero megees “ai-suak (14)” odi keke manaru rata bo’a-huu ni’i nuba odi leti heta-iso ke punu-putu tuku-huu ma’o-mege, inklui mós tuku-huu pe u-ni’i tempu u heki kamasi.
Leemori, her aer laa mori ma’o-mege, Fernando Sylvan posi u-ni’i an blasi laa limu pe tuku-huu ro’o ma’o ni’i ina: tenega ka bo’a-huu monok.”
Sylvan inklui mós her koletánea pe poeta timorana ro’o Enterrem meu coração no Ramelau (15), mane publika her Luanda pe União de Escritores Angolanos, putu los José Alexandre Gusmão, Jorge Lautén, los ro’o seri pita mane kero tet dun sonotor, i tempu punu kiti bligu ro’o-si’i gala. Kazu ru her poezia Timór ni’i mane reprezenta loba literatura mane tama laa ideolojia polítika seri ni’i lara ke Borja da Costa (inklui mós her koletánea UEA ni’i), her “toki” revolusionária, i mós Jorge Barros Duarte (16), her “kmoo” reasionária. Kami dima bali sé José Alexandre Gusmão, mane atu koñese desi los gala Xanana, agora kede’e tilutilu Prezidente Repúblika ni’i, publika her 1998 Mar Meu – Poemas e pinturas (17), mane kero aipíl u dadur. Kerodór pe Mosambike Mia Couto dale her prefásiu: I her página seri-kede’e a konfirma: darapé mane iso u-ni’i limu ke kero Timór. Livru iso Xanana Gusmão ni’i tet megees livru baibain. Darapé u-ni’i letra kiti sente dale povu iso ketemo, nasaun iso, ke bo’a. Her-kono’o tetloos poezia mesa maibé di’a mós epopeia povu iso ni’i, eroízmu mane kiti manara ala hati, utopia mane kiti manara leti sai kiti-ni’i. (18) Edisaun iso-muno kede’e publika los bo’a-huu ru, los tradusaun laa bo’a-huu inglés pe Kirsty Sword i Ana Luísa Amaral; depois tere edisaun heu iso, mós los bo’a-huu ru, los tulun pe Instituto Camões, mane Luís Costa ke tradús laa tetun. João Aparício mós gala iso mane kiti tet lebo bligu, los livru-poezia ru mane publika bali sé pe Editorial Caminho, À janela de Timor (19) i Uma casa e duas vacas. Iso pita, los pseudónimu Kay Shaly Rakmabean, publika pe Real Associação de Braga, los títulu Versos do Oprimido (20). Lema’o masakre her Santa Krús, Abé Barreto aproveita u-ni’i prezensa her Kanadá los programa troka-ro’o laa estudante universitáriu ro’o, i u tugu azilu polítiku, depois u sai kantór-intervensaun putu los ativista kanadianu Aloz MacDonald. Abé publika her Olanda her 1995 Menari Mengelilingi Planet Bumi (Dansa legur Planeta Terra), poezia loa bo’ahuu-indonézia, i her 1996, her Austrália, Come with me singing in a choir (Mai los a kanta her koru iso). Dia mós kerodór losa timorana selo pita mane nee-sai ro’o-si’i sentimentus darapé poezia, seri publika bali sé livru, seri los poema bakabiar her jornál los boletin oeoe. Kami dima atu ru: Crisódio Araújo i Celso Oliveira. Poeta iso mane, lebo u atu-Portugál, maibé u segi loba laa Timór i laa timorana ro’o, u-ni’i kero sonotor loba, ke Ruy Cinatti. Poeta, agrónomu, antropólogu, botániku, u-ni’i knaar bluar i atu nour koñese bali sé, inklui livru seri-kede’e: Não Somos Deste Mundo (1941), Poemas Escolhidos (1951), O Livro do Nómada Meu Amigo (1966), Sete Septetos (1967), Borda d’Água (1970), Uma Sequência Timorense (1970), Cravo Singular (1974), Timor – Amor (1974), O A Fazer, Faz-se (1976), Poemas (1981), Manhã Imensa (1982), i Um Cancioneiro para Timor (1996).
Kerodór timorana tet nour punu knaar kero romanse. Ponte Pedrinha, pseudónimu literáriu Henrique Borges ni’i, kero Andanças de um Timorense, mane publika her 1998 pe Edições Colibri (21). Poeta mosambikanu José Craveirinha kero her prefásiu: “Tristeza a’e ke hananu sonotor megees kede’e puntere testu poku iso-kede’e. Poku i umilde maibé sinseru loba. Sinseru i A’e!” (22). Epizódiu importante her estrutura daledara kede’e aipíl kazál joven Kotená los Kêti-Kia tet respeita lisa antigu atu-ataúru ro’o-si’i, dara lisa iso-kede’e noiva her buta-kaben ni’i tet putu los u-ni’i noivu maibé ena hali los u-ni’i noivu ni’i tiu. Padre Jorge Barros Duarte mós daledara kidia-laa kostume iso-kede’e: “Meselo aer ru ka telu pe faze muno, noivu ni’i ina laa hia noiva her u-ni’i ina-ama ni’i soa i odi u laa noivu ni’i soa. Her faze iso-kede’e ke noivu ni’i am’mori roi tada noiva («koko» intimamente, n.k. “getu u-ni’i kai-hetu”).” (23). Her pozisaun klau desi, kiti eto Luís Cardoso, autór timorana mane kero sonotor desi ma’o-mege, publika bali sé romanse telu, selopé kolabora her jornál i revista oeoe. Crónica de uma travessia – A época do ai-dik-funam (24) daledara u-ni’i mori riko i akompaña mós Istória lemori Timór ni’i i bo’a kidia-laa daa oeoe mane autór los u-ni’i ama sole, her kiti-ni’i rae, her rae selo i mós daa her ro’o-si’i mori riko. Lapar seri-kede’e ma’o akontese her mundu luli mane her Timór mós uku Istória, ka atu ro’o-si’i nurat kidia-laa Istória. Olhos de Coruja, Olhos de Gato Bravo (25) tama desi pita laa mundu luli iso-kede’e, i u laa leti mitu fundamentál povu Timór ni’i, megees ro’o-si’i mane bo’a kidia-laa revolta Manufahi ni’i. Her A última morte do Coronel Santiago (26) u uza punbloi téknika daledara ni’i enkuantu u konta tilu punhuu pe personajen oeoe mane inklui mós kerodór iso alter ego pe autór, mane u-ni’i lara balasi laa personajen hine prinsipál pe autór ni’i romanse mori. Majia los luli pe fiar sobrenaturál Timór ni’i glabur los ironia típika pe Luís Cardoso, mane mós dima molumolu ambiente, livru los referénsias pe intelektuál seri pe toki moderna Europa ni’i.
Hehe koi iso pita pe área livru timorana ro’o-si’i, her livru ru mane kiti heki dima her-kede’e, i kiti lebo posi gala megees “literatura-denúnsia”. Saksi Mata (27) (Atu ke eto los mat), istória-bruma nour mane akontese her tempu mane Indonézia heki kedesi kiti-ni’i rae, kero pe Seno Gumira Ajidarma, kerodór importante lobaloba her jerasaun lemori literatura Indonézia ni’i. Ajidarma publika muno istória-bruma seri-kede’e her jornál oeoe her rae kono’o, lema’o atu-a’e ro’o punu u sai pe u-ni’i serbisu her revista Jakarta Jakarta pita u nee-sai notísia kidia-laa masakre her 12 Novembru 91. Editora bruma, Bentang Budaya, ke publika edisaun iso-muno megees livru her too 1994 ni’i lara. Timor Aid heki publika livru iso-kede’e her bo’ahuu-tetun, los tradusaun pe Triana Oliveira. João Paulo Esperança mós tradús tilutilu livru kede’e laa portugés, maibé tet heki dia editora. Livru iso pita mane peri kiti-ni’i atensaun ke A redundância da coragem (28) pe Timothy Mo, mane publika orijinalmente her bo’ahuu-inglés her 1991. Autór kede’e ni’i ina atu-Inglaterra los u-ni’i ama atu-Kantaun her Xina. U konsege konta lobaloba kidia-laa sociedade Timór ni’i her tempu mori her administrasaun portugeza, depois peleheta ke durante too seri populasaun nour peni her hoho-lau i hunu her kai-lara saka invazór, i daramai kidia-laa mori laa ro’o mane rende ka bapa ro’o kaptura. Lapar seri kede’e ma’o daledara pe narradór Adoph Ng ni’i bo’ahuu mane uza molumolu tia-tukuhuu; u atu-Xina timorana, omoseksuál los mane pe mundu a’e her keha mane sente nahati megees tetloos atu rae-ubu iso her u-ni’i rae pita u-ni’i ama kusuu u laa estuda her universidade her Toronto, her Kanadá.
Literatura mane kero pe timorana ro’o baibain uza mesa bo’ahuu-portugés, seni’it mesa ke tai. Ro’o peneer ke rezisténsia, identidade los nasionalidade mós darapé bo’ahuu-portugés. Kami fiar ke jerasaun agora kede’e tilu, mane komesa bali odi go’e a pe presaun kulturál mane eto durante too nour aipíl tenke dekór mesa Pancasila los bo’ahuu-indonézia, heki punteri tet agi mós literatura heu iso tibu her bo’ahuu-tetun. Kiti heki lee i peneer...
[1] Sá, Artur Basílio de [ed. krítiku] – Textos em Teto da Literatura Oral Timorense, vol.1, Lisboa, Junta de Investigação do Ultramar/ Centro de Estudos Políticos e Sociais, 1961
2 Pereira, Agio [kompiladór] – Timor: The book of the Story-Teller. Cabramatta (Austrália), Timorese Australian Council, 1995
3 Castro, Alberto Osório de – A ilha verde e vermelha de Timor. Lisboa, Livros Cotovia, 1996
4 Braga, Paulo – A ilha dos homens nus. Lisboa, Editorial Cosmos, 1936
5 Laranjeira, Pires – Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa. Lisboa, Universidade Aberta, 1995, p. 26. (Tradusaun pe testu bruma kede’e laa bo’ahuu- tokodede kami ke punu).
6 Ribeiro, Grácio – Caiúru. Lisboa, Colecção «Amanhã», 1939
7 Ribeiro, Grácio – Deportados. s.l., edisaun autór ni’i (?), 1972
8 Ruas, Joana – Corpo colonial. Coimbra, Centelha, 1981
9 Esperança, J.P. – Uma leitura lilás de Corpo colonial de Joana Ruas, in: «Revista Lilás», Amadora, (29), Dez. 2000, p. 15-29
10 Gomes, Francisco A. – Uma deusa no “inferno” de Timor. Braga, Ed. autór ni’i, 1980
11 Ferreira, Filipe – A nona do Pinto Brás (Novela Timorense). Lisboa, ERL-Editora de Revistas e Livros, 1992
12 Sylvan, Fernando – A voz fagueira de Oan Tímor. Lisboa, Colibri, 1993
13 “Takas”, Luís – Fernando Sylvan ou O Silêncio das Palavras. «Kaibauk – Boletim de Informação Timorense», Linda-a-Velha, 1(7), Jan-Fev 1994, p. 14 (Tradusaun pe testu bruma kede’e laa bo’ahuu- tokodede kami ke punu).
14 Kero los tetun her testu orijinál
15 União dos Escritores Angolanos – Enterrem meu coração no Ramelau – Poesia de Timor-Leste. Luanda, 1982
16 Duarte, Jorge Barros – Jeremíada. Odivelas, Pentaedro, 1988
17 Gusmão, Xanana – Mar Meu – Poemas e Pinturas / My Sea of Timor – Poems and Paintings. Porto, Granito, 1998
Gusmão, Xanana – Mar Meu – Poemas e Pinturas / Tasi Ha’un – Dadolin no Taturik. Porto, Granito/Instituto Camões, 2003
18 Tradusaun pe testu bruma kede’e laa bo’ahuu- tokodede kami ke punu.
19 Aparício, João – À janela de Timor. Lisboa, Caminho, 1999
20 Rakmabean, Kay Shaly – Versos do Oprimido. Braga, Real Associação de Braga, 1995
21 Pedrinha, Ponte – Andanças de um timorense. Lisboa, Colibri, 1998
22 Tradusaun pe fraze seri-kede’e laa bo’ahuu- tokodede kami ke punu.
23 Duarte, Jorge Barros – Timor – Ritos e Mitos Ataúros. Lisboa, ICALP, 1984, p. 49 (Tradusaun pe testu bruma kede’e laa bo’ahuu-tokodede kami ke punu).
24 Cardoso, Luís – Crónica de uma travessia – A época do ai-dik-funam. Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1997
25 Cardoso, Luís – Olhos de Coruja, Olhos de Gato Bravo. Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2001
26 Cardoso, Luís – A última morte do Coronel Santiago. Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2003
27 Ajidarma, Seno Gumira – Saksi Mata, cetakan keempat. Yogyakarta, Yayasan Bentang Budaya, 2002
28 Mo, Thimothy – A redundância da coragem. Lisboa, Puma Editora, 1992
Publicada por
João Paulo Esperança
à(s)
11:21 da tarde
2 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
literatura kidia-la Timór,
literatura timorense,
tocodede,
tokodede
Subscrever:
Mensagens (Atom)

































